Má Sequência + Dores nas Costas = Pouco Golfe

“Dor na zona lombar afecta significativamente a saúde do golfista, causando uma restrição nas actividades de golfe de pelo menos 10 semanas.”  

(Tsai YS, S.T., 2010)

Se estás preocupado com o teu rendimento como golfista, deverias continuar a ler (prometo que não te vais aborrecer), porque vais encontrar algo que nunca tinhas pensado e que te pode interessar para melhorar o teu golfe.

Sabemos que existe uma sequência cinemática ideal para gerar a máxima potência no swing de golfe e que essa sequência tem uma ordem específica. Refiro-me particularmente ao momento que mudas de direcção no teu swing, isto é, cuando inicias o downswing. Essa ordem é: 1) pelvis, 2) tórax, 3) braço dianteiro (braço esquerdo para um jugador destro) e 4) taco. Quando estes segmentos não seguem esta ordem sabemos, com segurança, que não poderás tirar o máximo proveito do teu swing e que ao longo do tempo poderás sofrer várias lesões.

Não interessa o estilo de swing, o que importa é que a sequência seja correcta. Ernie Els e Jim Furyk têm swings bastante distintos mas a sequência é exactamente a mesma.

“82% das lesões nos golfistas têm a sua origem numa mecânica defeituosa”

(Gosheger G., 2003)

É muito frequente ver jogadores com queixas na zona lombar e, segundo vários estudos realizados, essa parece ser a lesão mais frequente entre os golfistas amadores e profissionais (Vad VB, 2004). Conheces algum jogador que nunca se tenha queixado da zona lombar? Se não conheces, de certeza que tens amigos que conhecem.

O número que vemos acima é categórico quando queremos discutir a importância de fazer um swing de golfe com uma sequência correcta. Se fazemos uma análise dos segmentos do corpo utilizados durante o swing, percebemos que cada um tem um papel determinado em cada momento. Por exemplo, queremos mais mobilidade nas ancas, mais estabilidade na zona lombar, maior mobilidade no tórax, estabilidade na zona escapular, mobilidade na articulação dos ombros, etc.

Os problemas surgem quando este padrão alternado de mobilidade e estabilidade não segue esta ordem. Neste caso haverá fugas de energia mas como o cérebro humano é muito esperto, encontrará sempre formas de compensar o movimento ineficiente. A questão aqui é esta: a longo prazo, esta acção repetida continuamente, vai aumentar o stress no sistema do jogador e o risco de lesão torna-se cada vez maior.

O nosso corpo foi desenhado para o movimento, não para que passemos o dia sentados a trabalhar, nas aulas ou no sofá comendo batatas fritas e vendo TV. Os nossos antepassados caminhavam quase 20 km por dia em busca de comida, água e das coisas mais básicas para poderem sobreviver. Não pretendo dizer que deveriamos voltar à era do Paleolítico (senão não poderia estar a escrever nesta cadeira espectacular), pretendo apenas chamar a atenção para o facto que nos mexemos muito pouco hoje em dia para poder entender as nossas próprias limitações.

Mobilidade nas Ancas é o segredo

O swing de golfe é um dos gestos mais explosivos e complexos no desporto. Se não estás convencido vê o seguinte vídeo:

A pressão exercida sobre a zona lombar é muito grande. Se não temos bons índices de estabilidade e mobilidade no nosso corpo, vai ser muito complicado realizar um movimento eficaz sem causar mais stress nestas zonas mais fracas.

Por exemplo, se os golfistas têm pouca mobilidade nas ancas (as ancas têm um papel determinante em gerar potência em qualquer movimento), terão que sacrificar outra(s) parte(s) do corpo para compensar essa limitação no swing. Normalmente, essa parte do corpo costuma ser a zona lombar, que, presumivelmente, deveria ser mais estável que móvel.

Segundo a nossa anatomia, a coluna lombar de um ser humano foi desenhada para não ter mais que 10-15º de rotação (2-3 graus de rotação em cada disco), pelo que forças de rotação em excesso nesta zona vão causar muitas dores nas costas…

“Análise das curvas de tensão-deformação dos discos intervertebrais sob torsão revelam um ponto de inflexão imediatamente antes dos 3 graus de rotação, indicando o aparecimento de falhas microscópicas no anel fibroso”

Bogduk, Clinical Anatomy of the Lumbar Spine

Acreditem, isto não soa muito bem!

As ancas constituem a base do movimento humano de alto nível mas infelizmente o seu papel não é valorizado na proporção adequada quando se desenham programas de treino.

Avaliação

“Se não estás avaliando, estás apenas advinhando.”

Paul Chek

Com a finalidade de averiguar o que o corpo é capaz de fazer e de como isso pode afectar o swing de golfe, a primeira coisa que devemos fazer com toda a gente é AVALIAR.

A avaliação tem como objetivos fundamentais saber o perfil de cada jogador, identificar a sua capacidade física e verificar (se houver equipamento para tal) a sequência cinemática através de uma análise 3D.

Com a sistemática disponibilizada nos últimos anos pelo Titleist Performance Institute, o melhor Centro de Alto Rendimento para golfe do mundo, o nosso trabalho enquanto profissionais desta área ficou muito mais fácil.

Até breve e boas tacadas!

Pedro Correia

TPI Certified Professional nivel 3

Referências

Notas Seminário Mike Robertson “The Bulletproof Knees and Back”.

Gosheger G, L. D. (2003). Injuries and overuse in golf. Am J Sports Med , 31, 438.

Vad VB, B. A. (2004). Low Back Pain in Professional Golfers: The Role of Associated Hip and Low Back Range-of-Motion Deficits. Am J Sports Med , 32, 494.

Tsai YS, S. T. (2010). A Comparison of Physical Characteristics and Swing Mechanics Between Golfers with and without a History of Low Back Pain. J Orth Sports Phys Ther , 40 (7), 430-438.

2 thoughts on “Má Sequência + Dores nas Costas = Pouco Golfe

  1. Trabajé con Pedro Correia, en un test TPI, y encontró debilidades físicas que mermaban mi golf, me indicó una serie de ejercicios que debía practicar asiduamente, y gracias a ellos he conseguido mejorar bastantes aspectos de mi juego, mi pelvis apenas se movía antes de dicho test, y ahora sinceramente siento que son mucho más activas en mi swing, sin duda muy recomendable el pasar por sus manos para conocer que facetas físicas debemos mejorar.

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