Treino Funcional. O que é exactamente? – Parte 1

Muita gente pensa que o treino funcional resume-se a fazer exercícios em superfícies instáveis como o bosu, bolas de fitness, wobble boards ou outros tipos de “gadgets” só porque estão na moda.

Mas treino funcional e treino em superfícies instáveis não são exactamente sinónimos. É verdade que podemos contemplar o treino em superfícies instáveis como uma parte de um programa de trabalho funcional, mas isso não significa que fazer agachamentos num bosu ou numa bola de fitness seja, por si mesmo, um exercício funcional.

Depende sempre do objectivo e isso é o que as pessoas e muitos profissionais do fitness confundem. Se é para trabalhar o equilíbrio (e tendo em conta a capacidade de cada indivíduo) posso admitir que fazer agachamentos com o peso do próprio corpo num bosu tenha algum sentido, mas se o objetivo é trabalhar a força, não creio que seja um exercício muito inteligente e…seguro.

A maioria dos personal trainers definem o valor funcional do exercício pelo que parece e não pelos resultados que produz. E parece que quanto mais “coisas” ao mesmo tempo se utilizem em cada exercício, melhor. Aquilo que vemos na foto é somente um de muitos exemplos! Isto até poderia ter algum sentido, se o objetivo fosse preparar um cliente para entrar num número de Circo ou num concurso de habilidade, mas não me parece que haja muita gente que vá aos ginásios com essa finalidade…

Normalmente as pessoas vão aos ginásios para melhorar a composição corporal, aumentar a força, resistência, flexibilidade, preparar-se para uma competição / torneio, etc. e não é através da abordagem Cirque du Soleil, que ficarão melhor preparadas. Treino Funcional não tem o mesmo significado que entretenimento.

Como parece que não está claro o que é “funcional” e o que “não é funcional”, creio que é importante começar por definir o conceito de função na parte 2.

Até breve!

Pedro Correia

4 thoughts on “Treino Funcional. O que é exactamente? – Parte 1

  1. Olá! Partilhou exactamente a mesma opinião em relação ao treino funcional. Penso que o conceito de “mais é melhor” levou a que por vezes se exagere.
    Para mim funcional serão todas as articulações a funcionarem nos ângulos corretos e com a estabilidade promovida pela actuação sinérgica dos músculos envolvidos no movimento quer seja em co-contracção quer seja em isometria, permitindo que o movimento propriamente dito ocorra da forma mais eficiente e segura. Este tipo de trabalho consegue-se praticamente só com os exercícios chamados de “analíticos” sem grandes instabilidades ou movimentos de circo. Devemos sim procurar que o cliente evolua no treino gradualmente.

    Cumprimentos

      • “A maioria dos personal trainers definem o valor funcional do exercício pelo que parece e não pelos resultados que produz.”
        Como podes fazer uma afirmação destas? Conheces a maioria dos PT’s? Desculpa, e com todo o respeito que te tenho pelos artigos que escreves, parece-me uma afirmação bastante populista e facciosa.

      • Caro António,

        Concordo que essa afirmação retirada do contexto possa ser populista, mas é por isso é que há três partes nessa história. O meu objetivo não é ser populista mas sim estimular (e provocar) o pensamento colectivo.

        Cumprimentos.

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