As verdades sobre a Prevenção do Cancro – Parte 3

“80% dos cancros podem ser influenciados por factores externos, como o estilo de vida e ambiente”

Relatório Agência Internacional para Investigação do Cancro

Na última parte ficamos a conhecer alguns dos mecanismos que podem desencadear o cancro e o papel que o nosso estilo de vida pode ter na sua prevenção. Hoje vamos tentar compreender em primeiro lugar como é que o cancro se tornou uma epidemia e, em seguida, como podemos actuar para evitar o seu aparecimento.

A Epidemia de Cancro

Desde 1940, o número de cancros aumentou em todos os países industrializados e esta tendência é particularmente notável nos jovens. Nos Estados Unidos, entre 1975 e 1994, a taxa de cancro em mulheres com menos de 45 anos aumentou 1,6% por ano, e ainda mais nos homens (1,8%). Em alguns países europeus, como é o caso da França, a taxa de cancro aumentou 60% nos últimos 20 anos.

O cancro não pode ser apenas explicado pelo aumento da esperança de vida da população. A Organização Mundial de Saúde chamou a atenção para o facto, em 2004: os cancros em crianças e adolescentes estão entre os que mais aumentaram desde 1970.

Nos países ocidentais, a incidência de cancros da próstata subiu ainda mais rapidamente do que a do cancro da mama. Aumentou 200% em vários países europeus, entre 1978 e 2000, e 258% nos Estados Unidos, durante o mesmo período. Isto significa que o argumento relativo ao rastreio precoce não está a resolver o problema.

Por exemplo, um importante estudo publicado na revista Science demonstrou que o risco de desenvolver cancro da mama antes dos 50 anos, em mulheres portadoras de genes de alto risco (como o BRCA 1 ou BRCA 2), praticamente triplicou para as nascidas após a Segunda Guerra Mundial.

Antes de todo o processo de industrialização dos alimentos, era muito raro encontrar um jovem com cancro. Hoje em dia, infelizmente, começa a ser mais habitual.

Então, o que mudou?

Ao longo dos últimos 50 anos, três factores principais perturbaram drasticamente o ambiente em que vivemos:

1. A adição à nossa alimentação de grande quantidades de açúcar refinado.

2. Alterações nos processos agrícolas e pecuários, e consequentemente na nossa alimentação.

3. A exposição a um grande número de produtos químicos que não existiam antes de 1940.

A alimentação dos nossos antepassados caçadores-recolectores consistia em muitos vegetais, fruta e, ocasionalmente, carne ou ovos de animais selvagens, proporcionando um equilibrio entre os ácidos gordos essenciais (ómega 3 e ómega 6), muito poucos açúcares (a única fonte açúcar era o mel em períodos sazonais) e nada de farinhas.

Hoje em dia, as sondagens ocidentais sobre nutrição revelam que 56% das calorias que ingerimos provêm de três fontes que não existiam aquando do desenvolvimento dos nossos genes:

. açúcares refinados (acúcar de cana e de beterraba, xarope de milho, frutose etc.)

. farinha refinada (pão, massa, arroz)

. óleos vegetais (soja, girassol, milho e gordura trans)

Estas três fontes não contêm quaisquer minerais, proteínas, vitaminas ou ácidos gordos ómega-3 necessários ao funcionamento do nosso corpo e, por outro lado, alimentam directamente o desenvolvimento do cancro. 

O cancro alimenta-se de açúcar

Enquanto os nossos genes se desenvolveram num meio em que uma pessoa consumia, no máximo, 2kg de mel por ano, o consumo humano aumentou para 5 kg em 1830 e para uns impressionantes 70 kg nos finais do século XX.

O fisiologista e bioquímico alemão Otto Heinrich Warburg recebeu o Prémio Nobel de Fisiologia / Medicina (em 1931) pela sua descoberta de que o metabolismo dos tumores malignos estava, em grande medida, dependente do consumo de glucose. Aliás, quando se faz uma PET, exame imagiológico que se faz geralmente para detectar o cancro, se existe evidência que uma área em particular se destaca por consumir demasiado açúcar, é muito provável que a causa seja o cancro.

Quando ingerimos açúcar ou farinha refinada (alimentos com elevado índice glicémico), os níveis de glucose no sangue sobem rapidamente e o organismo liberta uma hormona chamada insulina para permitir que a glucose seja transportada e entre nas células. A secreção de insulina é acompanhada pela libertação de uma outra molécula chamada IGF (factor de crescimento insulínico) ou somatomedina C, cujo papel consiste em estimular o desenvolvimento das células. Ou seja, o açúcar alimenta os tecidos e fá-los crescer mais depressa.

Além disso, a insulina e a IGF têm outros efeitos em comum como a estimulação de factores inflamatórios (vimos isto na parte 2) que, por sua vez, funcionam como fertilizantes para os tumores. Portanto, hoje sabemos que os picos de insulina e a secreção de IGF estimulam directamente não só o desenvolvimento das células cancerosas, como também a sua capacidade de invadir os tecidos circundantes.

Em suma, o consumo actual de açúcar e farinha, não parece ser muito boa ideia!

Vários estudos foram efectuados neste âmbito e todos apontam na mesma direcção: quem quiser proteger-se do cancro deve reduzir radicalmente o consumo de açúcar e farinhas refinadas.

Para saber mais sobre os estudos:

1. Num estudo americano-canadiano, na Faculdade de Medicina de Harvard, a Dra. Susan Hankinson, demonstrou que um grupo de mulheres com menos de 50 anos, aquelas com um nível elevado de IGF tinham sete vezes mais probabilidade de desenvolver cancro da mama do que as que tinham um nível mais baixo.

2. Outra equipa, constituída por investigadores de Harvard e da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA), e de McGill, no Canadá, demonstrou que o risco dos homens contrairem cancro da próstata, era nove vezes maior para aqueles com níveis mais elevados de IGF.

3. Em 2009, o estudo Women’s Health Initiative, que abrangeu cerca de 100.000 mulheres pós-menopáusicas nos EUA, concluiu que o factor de risco para o cancro da mama não era a obesidade em si, mas sim os elevados níveis de insulina que tendem a estar associados ao excesso de peso. O risco de cancro nas mulheres com níveis de insulina mais altos era duas vezes maior que naqueles com níveis de insulina mais baixos.

Há soluções?

Em primeiro lugar, a solução passa por evitar ao máximo o consumo de alimentos de elevado índice e carga glicémica, já que estes vão aumentar os nossos níveis de insulina e estimular o densenvolvimento de cancro. Exemplos: açúcar (qualquer tipo); farinhas brancas / refinadas como o pão, arroz, massa (quanto mais cozida pior); bolos e bolachas; croissants; batatas; cereais; doces e geleias (principalmente entre as refeições), refrigerantes; sumos de fruta naturais e industriais, álcool.

Em segundo lugar, fazer outro tipo de escolhas:

Se tem mesmo que comer algo com açúcar, opte pelo açúcar de côco, stevia (é caro mas parece ser o extracto de açúcar natural mais seguro do mercado) ou coma à volta de 20 gramas de chocolate preto por dia com pelo menos 70% de cacau.

Em relação às farinhas, é certamente um pouco melhor comer alimentos (pão, massas, arroz) integrais porque têm menor percentagem de hidratos de carbono e mais teor em fibra, no entanto, o mais seguro é consumir os hidratos de carbono complexos de outras fontes como a quinoa, inhame e batata doce. As farinhas provenientes das amêndoas, avelãs, nozes, côco, aveia, constituem excelentes alternativas para fazer bolos, pão ou até bases para pizza.

A fruta, coma-a no seu estado natural, sobretudo frutos silvestres (de producção biológica) – mirtilos, morangos, framboesas, amoras, já que estes frutos são ricos em anti-oxidantes e ajudam a regular os níveis de açúcar no sangue. Se consumimos a fruta em sumo, perdemos as suas propiedades mais importantes, como a fibra e vitamina e ficamos com aquilo que resta, que é o açúcar da fruta (frutose).

Em relação às bebidas, o único que devia beber era água da torneira (a água engarrafada está contaminada pelas substâncias tóxicas libertadas pelo plástico – xenoestrógenos) e chá verde (sem açúcar, claro), já que este combate directamente o cancro.

Nota Final

Existem muitos mais alimentos que podemos consumir para mantermos o nosso corpo num estado anti-cancro e nesta parte afloramos apenas alguns. Vamos continuar a explorar e a aprofundar este tema no futuro já que me parece ser do interesse comum que este tipo de informação seja conhecida por todos nós.

Se acharam este post útil, ajudem a partilhar.

Até breve!

Pedro Correia

Referências

David Servan-Schreiber (2012). Anti Cancro, uma nova maneira de viver.

One thought on “As verdades sobre a Prevenção do Cancro – Parte 3

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