Pensamentos Aleatórios II

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Como estamos na altura do Natal, e para descontrairmos um pouco nesta época festiva, hoje gostava de partilhar convosco alguns vídeos que vi nos últimos tempos e que achei interessantes colocar aqui no blog.

1. Já falei aqui algumas vezes na Dieta Paleo, como sendo o tipo de alimentação que parece oferecer maiores beneficios de saúde, quando comparada com a maioria das dietas actuais. Na passada semana fez-se história na SIC porque tivemos uma médica a explicar as vantagens de seguir este tipo de dieta para prevenir vários tipos de doenças, normalmente associadas ao consumo excessivo de hidratos de carbono refinados, de grãos / cereais, leite e de alimentos processados nas nossas dietas actuais. Eu digo que fez-se história porque normalmente só ouvimos os médicos a falar de drogas e de tratamentos alopáticos para todas as doenças que vão aparecendo. Portanto, quando vi esta entrevista, fiquei muito contente de ver que já temos médicos cá em Portugal a pensar fora da caixa.

Apesar de considerar uma vitória este tipo de informação passar na televisão, só não concordei com quatro coisas: 1) o sumo de laranja recém exprimido tem muito pouco valor nutritivo porque a maior parte das vitaminas e fibra perde-se nesse processo, restando a frutose; 2) o azeite oxida a altas temperaturas e por isso não é a melhor opção para fritar alimentos ao contrário do óleo de côco; 3) em relação aos ovos, não há necessidade de separar a clara da gema, até porque a parte mais nutritiva do ovo está na gema (e não é o consumo de gemas de ovo que vai causar problemas cardíacos); 4) o arroz é um grão e como tal contém alguns anti-nutrientes que podem causar problemas intestinais.

2. Neste vídeo, partilhado pela malta do Crossfit, podemos ver que realmente nunca é demasiado tarde para começar a fazer exercício. Esta senhora começou a treinar aos 60 anos e quando começou mal sabia fazer um agachamento e/ou um lunge. Não basta perder muito tempo para perceberem até onde é que ela chegou. Mais um exemplo de que nunca é demasiado tarde para começar!

3. Uma sugestão de Dieta alternativa ao Paleo? Peixe e Bolos de Arroz. Este vídeo é muito bom, adoro a forma como ele se esforça para pensar no que tem de comer em cada refeição :).

4. Se querem ver um “menino” a levantar 455 quilos no peso morto, vejam o seguinte vídeo do ex-recordista mundial de Powerlifting Andy Bolton. Eu, que levantei 200 quilos na minha estreia, há cerca de um mês atrás, sou um bébé ao lado deste “menino”.

5. E se pensam que o vídeo acima é impressionante, dêem uma vista de olhos neste levantamento no World Strongest Man do extraterrestre lituano Zydrunas Savickas – 506 quilos!

6. Um dos filmes mais inspiradores que vi até hoje foi o The Pursuit of Happyness com o Will Smith. Para quem não sabe do que estou a falar, este filme conta a história de um homem que luta contra um sem número de adversidades para conseguir vencer na vida. Se estão a precisar de inspiração para este Natal e para o ano que vem, recomendo que vejam este filme e que não deixem de ver o seguinte vídeo.

7. Provavelmente já receberam no vosso e-mail ou já ouviram falar da história de vida de Nick Vujicic, um deficiente físico que nasceu sem braços e sem pernas, mas que conseguiu arranjar forças para seguir em frente e tornar-se um exemplo de vida para todos nós. De vez em quando precisamos de ver histórias deste género para relativizar algumas coisas que acontecem nas nossas vidas.

8. Os movimentos do Levantamento Olímpico são dos melhores que se podem fazer para melhorar a composição corporal e para tornar os nossos atletas mais fortes e mais rápidos, no entanto, a sua execução não é nada fácil e requer algum treino. Não se deixem enganar pela aparente simplicidade com que este halterofilista bate o recorde do mundo no Snatch ao levantar 214 quilos na categoria dos pesos pesados.

9. O Hip Thrust, dado a conhecer pelo grande Bret Contreras, é o melhor exercício que podemos fazer para ficar com uns glúteos mais fortes e isso está provado através de vários estudos electromiográficos. Quando faço este exercício no ginásio ou quando estou a ensiná-lo aos meus alunos, as pessoas costumam olhar para nós com alguma admiração, portanto não estranhe que aconteça o mesmo consigo. Para quem não conhece o exercício, aqui têm um exemplo de como se deve fazer. Comece com pouca carga se quiser continuar a andar no dia seguinte.

10. Aqui está uma compilação de algumas situações que podem acontecer no ginásio, mas que só têm graça para quem vê de fora. Divirtam-se!

11. Finalmente, não podia ir-me embora sem partilhar a mensagem do Martin Rooney neste vídeoHoje em dia perde-se demasiado tempo atrás do computador à procura de exercícios milagrosos e à procura de novas tendências e, por vezes, esquecemo-nos de treinar de forma consistente. E é importante perceber que não podemos prescindir desse tempo! Portanto Get your Butt in the Gym é provavelmente uma boa ideia.

A verdade é que nem é preciso ir ao ginásio para fazer alguma coisa. Se estiver aborrecido(a) durante estes dias e se quiser fazer um treininho curto de 10 minutos para compensar a inatividade física própria da época natalícia, pode fazer os seguintes exercícios (não precisa de qualquer tipo de equipamento):

10 Flexões + 20 Agachamentos + 10 Burpees

Descanse 1 minuto entre cada circuito e repita 5 vezes.

Acabei de fazer isto agora mesmo e não foi nada mau.

Desejo-vos um Feliz Natal, aproveitem estes dias para passar um tempo extra com a família e com os vossos amigos.

Até breve!

Pedro Correia

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A Importância do Treino de Força no Ténis

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Hoje partilho convosco um post de um convidado muito especial que se está a especializar no ténis e que tem investido bastante na sua formação académica e desportiva nos últimos anos. O nosso convidado chama-se Nuno Correia, é meu irmão, e este é o artigo que ele partilha connosco.

Vale a pena ler, sobretudo para aqueles que querem melhorar a sua performance no ténis e para aqueles que trabalham com jovens tenistas. Disfrutem e sintam-se à vontade para comentar. 

Seja qual for o desporto, o treino da força, em harmonia com os vários factores do treino (i.e., técnicos, tácticos, físicos e psicológicos) e princípios do treino (i.e., sobrecarga, especificidade, reversibilidade, heterocronismo, especialização, continuidade, progressão, ciclicidade, individualização e multilateralidade) dotará o atleta de mais ferramentas para melhorar a sua performance. No ténis, a força é utilizada para gerar velocidade, potência e resistência. É impossível ter agilidade, velocidade, potência, um sistema anaeróbio desenvolvido e flexibilidade/mobilidade sem níveis de força óptimos (Verstegen, 2003). Adicionalmente, o treino da força é fundamental para prevenir lesões. Porque o ténis é um desporto que implica muitas repetições dos gestos e de características unilaterais, é propício a desenvolver desequilíbrios musculares que aumentam significativamente as probabilidade de lesão. No ténis a maior incidência de lesões reside sobre os ombros e costas, seguidos por lesões no cotovelo, joelhos e tornozelos (Kibler & Chandler, 1994). Aqui, o treino de força específico para o ténis é essencial para manter ou restaurar o equilíbrio muscular adequado.

Definição de Força

A definição de força com base no seu conceito puramente mecânico consiste em toda a causa capaz de modificar o estado de repouso ou de movimento de um corpo traduzido por um vector com uma determinada intensidade, direcção e sentido. É o produto da massa pela sua aceleração (F=m*a). Apesar desta definição de força ser unanimemente aceite, dificilmente ilustra as diferentes componentes da força muscular. Isto, se entendermos a força muscular como uma componente essencial do desenvolvimento das habilidades motoras que se expressa na capacidade de aplicar força para ultrapassar uma resistência (O’Sullivan & Schmitz, 1998).

Porquê o Treino de Força no Ténis?

O desenvolvimento de um programa de força no âmbito do ténis deve ter como objectivo o ganho de “um músculo altamente inervado e com capacidade explosiva”, para que os jogadores possam servir com maior velocidade, para que possam imprimir mais “peso” na bola (por via dum melhor aproveitamento das forças de reacção ao solo), para que possam cobrir mais zonas do court (porque são mais ágeis e rápidos) e para que sintam como se “flutuassem” no court durante todo o dia, e toda a semana (Verstegen, 2003).

Neste sentido é importante dissipar alguns mitos em relação ao treino da força, nomeadamente de que esse tipo de treino fará os jogadores mais lentos e menos ágeis. Apenas o treino de força mal desenhado conduzirá a isso. Na verdade, vários estudos demonstram que ao nível das modalidades olímpicas, os halterofilistas são aqueles que possuem os maiores níveis de potência e estão em segundo (logo a seguir aos ginastas) em níveis de flexibilidade (Jensen & Fisher, 1979).

Tem sido demonstrado que o treino de força adequado não só mantém os níveis de flexibilidade como pode incrementá-los significativamente (Fox, 1984; Jensen & Fisher, 1979; O’Shea, 1976; Rash, 1979). Adicionalmente, o treino de força adequado induz ganhos significativos aos seguintes níveis: na capacidade de trabalho, na composição corporal (i.e., ganhos de massa magra e perda de massa gorda); optimização da utilização energética; libertação hormonal promotora de renovação tecidular e síntese proteica (e.g. o treino de força induz a secreção da hormona do crescimento e testosterona); alinhamento postural; e equilíbrio muscular (Lamb,1984; Stone et al., 1982).

No caso específico do ténis, tem sido comprovado que o treino de força fortalece o sistema imunitário prevenindo o organismo de lesões, e é frequentemente apontado como tendo um efeito psicológico positivo nos jogadores, pois está aliado a um incremento nos níveis de auto-confiança quer durante o jogo (Folkins & Sime, 1981; Tucker, 1983), como fora do jogo (Folkins & Sime, 1981).

Os vários tipos de Força e a sua Aplicação no Ténis

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Força de Resistência: capacidade de produzir força no tempo resistindo à fadiga. Permite manter e estabilizar a execução técnica correcta. Esta, em conjunto com a força estática, constituirá a base para desenvolver os outros tipos de força no âmbito do treino de força no ténis.

– Força Estática: capacidade de estabilizar as estruturas articulares permitindo uma melhor transmissão de energia ao longo da cadeia cinética, isto é, sem perdas de energia. No ténis, este tipo de força permite o aproveitamento das forças geradas no solo durante os apoios para imprimir velocidade à bola.

– Força Máxima: valor de força máximo executado numa contracção voluntária contra uma resistência inamovível. É sobretudo um parâmetro de avaliação e neste sentido podemos considerar o seu valor absoluto e relativo (de acordo com o peso corporal). Para o ténis, os níveis de força relativa são mais determinantes do que os valores de força absoluta, pois tem influência directa na velocidade de deslocamento e agilidade do jogador. Deve ser avaliado também o seu Défice de Força (DF) em função dos valores para a Força Excêntrica Máxima (FEM) e Força Isométrica Máxima (FIM). O DF = FEM-FIM. Se o DF> 25% para os membros inferiores (MI), e DF> 50% para os membros superiores (MS), deveremos privilegiar o treino para o aumento da Taxa de Produção de Força (TPF). Se estiver abaixo desses valores o treino de força deverá incidir em métodos hipertróficos.

– Força Rápida – capacidade produzir a maior quantidade de força no menor intervalo de tempo. Compreende:

  • Força inicial (até 250ms da curva força/tempo) – exprime-se na Taxa Inicial de Produção de Força (TIPF) e revela a capacidade de acelerar desde uma posição estática (i.e., velocidade=0);
  • Força explosiva (acima dos 250ms da curva força/tempo) – exprime-se na Taxa Máxima de Produção de Força (TMPF) e revela a capacidade de acelerar até aos níveis de força máxima. É um dos principais indicadores de performance no ténis. Corresponde à fase de aceleração máxima do movimento.
  • Força reactivaforça produzida durante o Ciclo Muscular Alongamento Encurtamento (CMAE). O uso das propriedades elásticas e reflexas do músculo presentes no CMAE influência a TIPF e a TMPF. O treino de força reactiva (i.e., em CMAE) pode contribuir para o aumento da capacidade de aceleração, isto é, para um incremento das TIPF e da TMPF e, consequentemente, para ganhos de força rápida.

– Força Óptima (Verstegen, 2003): é a combinação dos tipos de força acima descritos de acordo com aspectos inerentes ao jogador e à sua performance, tais como: idade; capacidades; estilo de jogo; grau de desenvolvimento; tipo de pisos em que vai jogar.

O quadro 1 especifica quais as características ideais do treino da força no ténis para os vários estádios de desenvolvimento de acordo com o modelo de Desenvolvimento Atlético a Longo Prazo (Balyi & Hamilton,1999).

Quadro 1.

Idades

Características

6-9 Rapazes6-8 Raparigas O treino de força deve incidir em exercícios com o peso do corpo. Pode incluir uso de bolas medicinais (de peso adequado) em exercícios com carácter lúdico. Os ganhos de força nesta idade dão-se sobretudo à conta de ganhos na coordenação motora e activação neuromuscular.
9-12 Rapazes8-11 Raparigas O treino de força deve ser regular e conduzir a melhorias progressivas. Contudo, nesta fase deve-se dar ênfase à aprendizagem e desenvolvimento motor.
12-16 Rapazes11-15 Raparigas O treino de força deve caracterizar-se por sessões curtas (inferiores a 30 minutos) duas a três vezes por semana. O Pico de Velocidade em Altura (PVA) determinará o incremento no volume e intensidade das cargas. Os períodos críticos para o treino da força ocorrerão logo após o PVA para as raparigas, e 12 a 18 meses após o PVA para os rapazes. As técnicas básicas do levantamento olímpico devem ser introduzidas e dominadas durante o PVA. Para depois vir a desenvolver maiores níveis de potência, bem como prevenir lesões e optimizar a adaptação ao treino da força.
16-18 Rapazes15-17 Raparigas O treino de força deve ser regular e conduzir a melhorias progressivas. A avaliação regular do défice de força deve ser feita para determinar as características mais hipertróficas ou de TPF que treino de força deve seguir. Deve ter especial ênfase nos desequilíbrios musculares que os níveis mais elevados de intensidade e volume ao nível do treino e da competição podem provocar.
Idade adulta O treino deve ser regular e conduzir a melhorias progressivas. Contudo, o treino deve visar os desequilíbrios, insuficiências e pontos fracos dos atletas numa lógica de optimização da performance específica no ténis.

 Conclusão

Em suma, a elaboração de um programa de treino de força deverá consistir numa integração de exercícios de estabilização e recuperação/compensação, em conjunto com trabalho de força de características mais propulsivas, e trabalho no court das componentes da força ligadas à velocidade, agilidade e potência.

Nuno Correia

Nota Final: Se quiserem, podem entrar em contacto directo com ele através do mail nunomacorreia@gmail.com ou podem encontrá-lo aqui no Linked In. Até breve e não se esqueçam de comentar abaixo. 

Referências

Balyi, I. & Hamilton, A. (1999). The FUNdamentals in Long-term Preparation of Tennis Players. In N. Bollettieri (Ed.). Nick Bolletieri Classic Tennis Handbook, (pp. 258-280). New York: Tennis Week.

Folkins, C. H. & Sime, M. E. (1981). Physical training and mental helath. Journal of Physiology, 36, 373-389.

Fox, E.L. (1984). Sports Physiology (2nd edition). Philadelphia: W.B. Saunders.

Jensen, C. R. & Fisher, A. G. (1979). Scientific Basis of Athletic Conditioning. Philadelphia: Lea & Fegiber.

Kibler, W. B. & Chandler, T. J. (1994). Raquet Sports. In F.Fu &D. Stone (Eds.), Sports injuries: Mecahnisms, Prevention, and Treatment. Baltimore: Williams & Williams.

Lamb, D. R. (1984). Physiology of Exercise (2nd edition). New York: MacMilan.

O’Shea, J. P. (1976). Scientific principles and Methods of Strength Fitness (2nd edition). Reading: Addison.Wesley.

O’Sullivan, S. B. & Schmitz, T.J. (1998). Strategies to improve motor control and motor learning. Physical Reabilitation: Assessment and Treatement (3rd edition) (pp.225-244). Philadelphia: F.A. davis.

Rasch, P. J. (1979). Weight Training (3rd edition). Duduque: Wm. C. Brown.

Stone, M. H., Byrd, R., Carter, D. et al. (1982). Physiological effects of short-term resistive training on middle-age sedentary men. National Strength and Conditioning Association Journal, 4, 5, 16-20.

Tucker, L. A. (1983). Self Concept: Afunction of self-percived somatotype. Journal of Psycology, 113, 123-133.

Verstegen, M. (2003). ITF Strength & Conditioning for Tennis. In M.  Reid, A. Quinn, & M. Crespo (Eds), Developing strength (pp. 113-135). London: ITF Ltd.

Entrevistas – Pedro Fontes

A partir de hoje vamos partilhar convosco a primeira de uma série de entrevistas com as pessoas que estão a trabalhar com a metodologia de Pedro Correia Training e com outras que temos vindo a contactar no sentido de saber as suas experiências e aquilo que têm andado a fazer no âmbito do treino desportivo, investigação, nutrição e muitas outras coisas interessantes.

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Hoje falamos com o Pedro Fontes, sem dúvida um dos atletas mais empenhados em melhorar as suas capacidades físicas e o seu rendimento geral. Conheci o Pedro há alguns anos atrás quando trabalhava no Clube de Golf do Santo da Serra, na altura com umas funções bem diferentes daquelas que desempenho actualmente.

Pedro, durante o período em que estive no Santo da Serra lembro-me que chegaste a ser Campeão da Madeira Absoluto de Golfe (se calhar o título individual mais significativo que ganhaste ao longo da tua carreira) e que fomos campeões nacionais no Interclubes em 2004, ganhando a competição masculina e feminina nesse mesmo ano, um feito absolutamente inédito, que teve a particularidade de se realizar no nosso próprio campo e sob a orientação do grande mestre João Sousa.

Agora que passaram alguns anos, diz-nos o que estás a fazer neste momento e conta-nos um pouco sobre ti.

Terminei o curso em Direito, estagiei e sou Advogado na Abreu Advogados em Lisboa. Não há muito a contar sobre mim, sou uma pessoa de hábitos simples.

Quando começaste a treinar com o Pedro Correia e como é que ouviste falar dele? 

Comecei há 3 meses, em Setembro.

Já conhecia o Pedro em virtude do trabalho que ele tinha desenvolvido no Santo da Serra, onde prestou apoio de gestão, logístico e desportivo e chegou a ser responsável pelos jogadores mais novos em algumas deslocações.

Pessoalmente, sabia ser uma pessoa comprometida e determinada, com uma ética de trabalho forte e com uma curiosidade saudável por todo o fenómeno desportivo e uma abordagem invulgarmente aprofundada. Fui acompanhando a carreira dele com interesse, e verifiquei, tanto pelos escritos publicados em blogues como nas actividades publicadas no Facebook, que o Pedro se encontrava envolvido em projectos vanguardistas e holísticos de treino físico.

Quando bati no fundo e me apercebi de quão mal tratava o meu corpo no meu dia-a-dia, associei estas qualidades pessoais à experiência profissional, e não me lembrei de treinar com outra pessoa.

Fala-nos das mudanças que notaste desde que começaste a treinar com ele.

É certo que estou mais leve e mais magro, mas isso é o menos. Toda a abordagem se foca na funcionalidade. E eu sinto-me, de facto, mais capaz. Nas minhas tarefas diárias, o meu corpo responde de forma mais eficiente. Dou por mim sentado direito, mais activo, a solicitar músculos que antes não usava. Sinto que tenho mais movimentos com que contar. Em repouso, sinto-me mais relaxado e calmo, e ligeiramente mais focado.

O que melhoraste na tua alimentação ou estilo de vida desde que começaste a treinar com o Pedro?

A mudança foi radical. Alterei a minha alimentação ao ponto de ter um plano quase semanal. Pela primeira vez, comecei a levar lista para o supermercado. O que como é agora uma parte consciente e contabilizada da minha vida.

Vejo os meus alimentos como medicamentos – uma prescrição diária a cumprir para ser saudável e prevenir doenças. Tudo sem prejuízo de esses medicamentos me saberem bem e serem saciantes.

Esta organização reflecte-se noutros aspectos da minha vida. O facto de ter de ponderar tudo o que como com tanta antecedência gera externalidades positivas de organização. Dou por mim mais ciente da gestão do meu tempo e mais ponderado no planeamento das minhas tarefas.

Quais são os aspectos que mais gostas nas tuas sessões de treino?

O facto de ir além de onde conseguiria se estiver a treinar só. Isto é o fundamental. Aprecio (muito) a transmissão de conhecimentos – a verdadeira educação física – que as aulas do Pedro incluem, mas o elemento chave é conseguir a última série, as três repetições finais e o esforço cardíaco que teriam ido borda fora caso estivesse a treinar sozinho.

Qual o exercício ou tipo de treino favorito? 

O treino integrado, com ou sem peso ou elásticos, emulando movimentos desportivos ou da vida quotidiana. É um treino que ressoa no meu cérebro, lembra braçadas, saltos, swings e corridas de vidas passadas, o que alenta alguma esperança de as ressuscitar de alguma forma.

Qual o exercício ou tipo de treino que mais odeias fazer?

Os “finisher” – exercício final que geralmente consiste na repetição de exercícios com carga ou despesa de energia elevados durante um período significativo de tempo – conseguem pôr-me a falar com Deus. Muitas vezes, o grau de esforço chega a um ponto para além da contemplação – já não conseguimos pensar ou falar nele, mas apenas senti-lo. No entanto, esse ódio é um pouco como o amor de Vinicius de Moraes – é eterno enquanto dura. Depois daquela injecção de endorfinas, sente-se mesmo que aquele trabalho é consequente e muito importante.

Como te sentirias em voltar a treinar da forma que treinavas, sentado nas máquinas trabalhando um músculo de cada vez e fazendo cardio de longa duração na passadeira?

Não me sentiria, tendo em conta que nada me motivaria a enveredar por esse tipo de treino outra vez. Seria como tirar carta de mota e comprar uma bicicleta com rodinhas.

Algo que queiras acrescentar e que não tenha perguntado?

Sim. O treino não é fácil de forma alguma.

Exige planeamento, investimento, planeamento, mudança de rotinas, planeamento, cansaço, planeamento, sacrifício, planeamento, um livro ou outro de culinária, algum ostracismo social… Planeamento, algum eremitismo, planeamento, força de vontade e idas suplementares ao supermercado. Além disso, exige planeamento.

Por notável que seja, o sistema faz-nos passar por algumas provações. O programa não é milagroso porque funciona, ele funciona porque não é milagroso. É um programa que respeita o corpo enquanto máquina delicada e caprichosa – em conformidade, dedica-se sobretudo a passar a ferro os preconceitos pseudo-científicos que temos em relação ao nosso corpo, à actividade física, e à nossa alimentação.

Se ainda acompanham estas linhas, é provável que estejam na mesma frequência de onda dos meus amigos. “Estás louco! Não interessa ser fanático. A comida deve ser um prazer. O exercício deve ser um prazer. O meu corpo está ao meu serviço, não sou eu que estou ao serviço dele”.

Talvez. É possível que tudo o que vos relato sejam “teorias” e a realidade esteja um pouco aquém ou além. No entanto, a gravidade é apenas uma teoria e não vejo ninguém a sair de casa pela janela do quarto andar. Fanatismo, para mim, é enfardar refeições pré-embaladas depois de passar o dia sentado, chegar ao fim-de-semana e recompensar-se com mais comida gordurosa e nula e noites mal dormidas. O fanatismo justifica-se a partir do momento em que se entende que não temos um corpo – somos um. O corpo que eu era não me ia levar a lado nenhum, nem mesmo a nível profissional ou intelectual.

Vejo que tens  também uma grande paixão pela leitura, escrita e algumas preocupações de índole política que expressas publicamente no Facebook e diversos escritos. Queres dizer alguma coisa em relação a isto? 

Não. =)

Obrigado Pedro, amanhã voltamos à carga :).

Grande abraço.

Silvestre Fonseca, aos 70 anos a Levantar Pesos

_S6R1790No seguimento do post da semana passada alusivo à importância de utilizar os movimentos do Levantamento Olímpico no treino de força, hoje gostaria de partilhar convosco a história do maior halterofilista português de todos os tempos, Silvestre Fonseca, hoje com 72 anos, numa excelente reportagem exibida pela Sport TV no final de 2010.

Quem ainda pensa que o treino de força e que este tipo de movimentos pode fazer mal à saúde (isto para o caso que não tenham tido oportunidade de ler o artigo da semana passada) aqui está uma prova bem viva que essa é uma falsa questão.

Esta reportagem serve de exemplo para todos aqueles profissionais e entusiastas do exercício físico que pensam que as pessoas mais velhas não podem levantar pesos e que só podem treinar sentadas nas máquinas ou fazer Pilates (sem ofensa para os profissionais do Pilates). A idade é apenas um número e as capacidades físicas (força, velocidade, resistência e flexibilidade) podem ser treinadas em qualquer momento das nossas vidas.

Enquanto a maioria das pessoas da sua idade (por exemplo os nossos avós) anda a jogar às cartas e ao dominó nos parques, este senhor anda a levantar pesos! Não sei o que vocês pensam mas esta última atividade parece-me ser mais benéfica.

A reportagem está dividida em quatro partes. Vejam até ao fim e, se possível, partilhem com os vossos contactos.

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3: 

Parte 4: 

 

Gostava de ouvir os vossos comentários.

Até breve!

Pedro Correia

Prova Powerlifting Cyber Gym

Foto Cyber Gym

No passado domingo, decidi aceitar o desafio do campeão europeu de Powerlifting em 2011, José Teixeira (ao centro na foto), e participei pela primeira vez numa prova deste género no levantamento de peso morto, juntamente com o meu irmão (à direita na foto).

Devo dizer que a experiência foi muito interessante e que temos muita malta forte cá em Portugal e com provas dadas além fronteiras. Não fazia a mínima ideia que tínhamos campeões do Mundo no supino e vários campeões europeus nesta modalidade. É caso para perguntar porquê que nunca se ouve falar destas coisas…

Em termos de resultados, acabei num modesto 7º lugar mas consegui alcançar o meu objetivo de levantar 200 quilos desde o chão (quase 2,5 vezes o meu peso corporal) sem treinar especificamente para a prova.

Acho que não foi mau e a verdade é que conseguia levantar um pouco mais, se tivesse mais tentativas. Para a próxima (se houver próxima) o objetivo é os 220. Não deve ser difícil, afinal são “só” mais dez quilos de cada lado :).

Até breve!

Post Scriptum – Eu sei que a indumentária é um bocado invulgar, mas era este o equipamento necessário para participar na competição.