Entrevistas – Pedro Fontes

A partir de hoje vamos partilhar convosco a primeira de uma série de entrevistas com as pessoas que estão a trabalhar com a metodologia de Pedro Correia Training e com outras que temos vindo a contactar no sentido de saber as suas experiências e aquilo que têm andado a fazer no âmbito do treino desportivo, investigação, nutrição e muitas outras coisas interessantes.

DSC02097 Preto e Branco

Hoje falamos com o Pedro Fontes, sem dúvida um dos atletas mais empenhados em melhorar as suas capacidades físicas e o seu rendimento geral. Conheci o Pedro há alguns anos atrás quando trabalhava no Clube de Golf do Santo da Serra, na altura com umas funções bem diferentes daquelas que desempenho actualmente.

Pedro, durante o período em que estive no Santo da Serra lembro-me que chegaste a ser Campeão da Madeira Absoluto de Golfe (se calhar o título individual mais significativo que ganhaste ao longo da tua carreira) e que fomos campeões nacionais no Interclubes em 2004, ganhando a competição masculina e feminina nesse mesmo ano, um feito absolutamente inédito, que teve a particularidade de se realizar no nosso próprio campo e sob a orientação do grande mestre João Sousa.

Agora que passaram alguns anos, diz-nos o que estás a fazer neste momento e conta-nos um pouco sobre ti.

Terminei o curso em Direito, estagiei e sou Advogado na Abreu Advogados em Lisboa. Não há muito a contar sobre mim, sou uma pessoa de hábitos simples.

Quando começaste a treinar com o Pedro Correia e como é que ouviste falar dele? 

Comecei há 3 meses, em Setembro.

Já conhecia o Pedro em virtude do trabalho que ele tinha desenvolvido no Santo da Serra, onde prestou apoio de gestão, logístico e desportivo e chegou a ser responsável pelos jogadores mais novos em algumas deslocações.

Pessoalmente, sabia ser uma pessoa comprometida e determinada, com uma ética de trabalho forte e com uma curiosidade saudável por todo o fenómeno desportivo e uma abordagem invulgarmente aprofundada. Fui acompanhando a carreira dele com interesse, e verifiquei, tanto pelos escritos publicados em blogues como nas actividades publicadas no Facebook, que o Pedro se encontrava envolvido em projectos vanguardistas e holísticos de treino físico.

Quando bati no fundo e me apercebi de quão mal tratava o meu corpo no meu dia-a-dia, associei estas qualidades pessoais à experiência profissional, e não me lembrei de treinar com outra pessoa.

Fala-nos das mudanças que notaste desde que começaste a treinar com ele.

É certo que estou mais leve e mais magro, mas isso é o menos. Toda a abordagem se foca na funcionalidade. E eu sinto-me, de facto, mais capaz. Nas minhas tarefas diárias, o meu corpo responde de forma mais eficiente. Dou por mim sentado direito, mais activo, a solicitar músculos que antes não usava. Sinto que tenho mais movimentos com que contar. Em repouso, sinto-me mais relaxado e calmo, e ligeiramente mais focado.

O que melhoraste na tua alimentação ou estilo de vida desde que começaste a treinar com o Pedro?

A mudança foi radical. Alterei a minha alimentação ao ponto de ter um plano quase semanal. Pela primeira vez, comecei a levar lista para o supermercado. O que como é agora uma parte consciente e contabilizada da minha vida.

Vejo os meus alimentos como medicamentos – uma prescrição diária a cumprir para ser saudável e prevenir doenças. Tudo sem prejuízo de esses medicamentos me saberem bem e serem saciantes.

Esta organização reflecte-se noutros aspectos da minha vida. O facto de ter de ponderar tudo o que como com tanta antecedência gera externalidades positivas de organização. Dou por mim mais ciente da gestão do meu tempo e mais ponderado no planeamento das minhas tarefas.

Quais são os aspectos que mais gostas nas tuas sessões de treino?

O facto de ir além de onde conseguiria se estiver a treinar só. Isto é o fundamental. Aprecio (muito) a transmissão de conhecimentos – a verdadeira educação física – que as aulas do Pedro incluem, mas o elemento chave é conseguir a última série, as três repetições finais e o esforço cardíaco que teriam ido borda fora caso estivesse a treinar sozinho.

Qual o exercício ou tipo de treino favorito? 

O treino integrado, com ou sem peso ou elásticos, emulando movimentos desportivos ou da vida quotidiana. É um treino que ressoa no meu cérebro, lembra braçadas, saltos, swings e corridas de vidas passadas, o que alenta alguma esperança de as ressuscitar de alguma forma.

Qual o exercício ou tipo de treino que mais odeias fazer?

Os “finisher” – exercício final que geralmente consiste na repetição de exercícios com carga ou despesa de energia elevados durante um período significativo de tempo – conseguem pôr-me a falar com Deus. Muitas vezes, o grau de esforço chega a um ponto para além da contemplação – já não conseguimos pensar ou falar nele, mas apenas senti-lo. No entanto, esse ódio é um pouco como o amor de Vinicius de Moraes – é eterno enquanto dura. Depois daquela injecção de endorfinas, sente-se mesmo que aquele trabalho é consequente e muito importante.

Como te sentirias em voltar a treinar da forma que treinavas, sentado nas máquinas trabalhando um músculo de cada vez e fazendo cardio de longa duração na passadeira?

Não me sentiria, tendo em conta que nada me motivaria a enveredar por esse tipo de treino outra vez. Seria como tirar carta de mota e comprar uma bicicleta com rodinhas.

Algo que queiras acrescentar e que não tenha perguntado?

Sim. O treino não é fácil de forma alguma.

Exige planeamento, investimento, planeamento, mudança de rotinas, planeamento, cansaço, planeamento, sacrifício, planeamento, um livro ou outro de culinária, algum ostracismo social… Planeamento, algum eremitismo, planeamento, força de vontade e idas suplementares ao supermercado. Além disso, exige planeamento.

Por notável que seja, o sistema faz-nos passar por algumas provações. O programa não é milagroso porque funciona, ele funciona porque não é milagroso. É um programa que respeita o corpo enquanto máquina delicada e caprichosa – em conformidade, dedica-se sobretudo a passar a ferro os preconceitos pseudo-científicos que temos em relação ao nosso corpo, à actividade física, e à nossa alimentação.

Se ainda acompanham estas linhas, é provável que estejam na mesma frequência de onda dos meus amigos. “Estás louco! Não interessa ser fanático. A comida deve ser um prazer. O exercício deve ser um prazer. O meu corpo está ao meu serviço, não sou eu que estou ao serviço dele”.

Talvez. É possível que tudo o que vos relato sejam “teorias” e a realidade esteja um pouco aquém ou além. No entanto, a gravidade é apenas uma teoria e não vejo ninguém a sair de casa pela janela do quarto andar. Fanatismo, para mim, é enfardar refeições pré-embaladas depois de passar o dia sentado, chegar ao fim-de-semana e recompensar-se com mais comida gordurosa e nula e noites mal dormidas. O fanatismo justifica-se a partir do momento em que se entende que não temos um corpo – somos um. O corpo que eu era não me ia levar a lado nenhum, nem mesmo a nível profissional ou intelectual.

Vejo que tens  também uma grande paixão pela leitura, escrita e algumas preocupações de índole política que expressas publicamente no Facebook e diversos escritos. Queres dizer alguma coisa em relação a isto? 

Não. =)

Obrigado Pedro, amanhã voltamos à carga🙂.

Grande abraço.

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