Entrevista José Teixeira – Powerlifting

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Hoje entrevistamos um Campeão de Powerlifting português, que pouca gente deve ter ouvido falar. José Teixeira foi campeão europeu em 2011 (a foto acima diz respeito à homenagem que recebeu pela Câmara Municipal de Sintra), campeão nacional seis vezes, bi-campeão ibérico, tendo representado a Seleção Nacional por diversas vezes em Campeonatos da Europa e Campeonatos de Mundo.

1 – José Teixeira, obrigado por estares aqui connosco, podes contar-nos um pouco sobre ti e sobre aquilo que fazes atualmente?

Atualmente quase não tenho tempo para treinar pois passo o dia todo a trabalhar. No entanto, tenho feito um grande esforço psicológico e físico para me manter em forma.

2 – Quando é que começaste a levantar pesos e como é que te iniciaste nesta atividade?

Por via do destino. Os meus primeiros passos na musculação começaram muito cedo para a época. Quando tinha quatro anos tive que fazer exercicios musculares para as pernas, pois nasci com a perna direita torta. Possivelmente ficou o bichinho de levantar pesos e ao longo da vida fui sempre inventando exercicios de musculação em casa porque não tinha dinheiro para me inscrever num ginásio.

Foi por volta dos 19/ 20 anos que comecei a treinar no ginásio. Ao fim de um ano encontrei um ginásio que tinha powerlifting e, em 1992, fui campeão nacional junior e sénior na categoria 67,5kg com 65kg de peso (sem equipamento – porque na altura não havia nada cá) com as seguintes marcas: 160 kg agachamento, 90 kg supino e 195 kg peso morto (neste bati o recorde nacional junior que era 190 e fiz o melhor total junior). Pela primeira vez o meu treinador, o Sr. Paulino Reis, que era o homem mais forte na altura e que tinha como marcas pesando 105kg – 270 kg agachamento, 170 kg supino, 280 kg peso morto (isto sem equipamento), vira-se para mim e diz “José Teixeira tu vais ser forte” e isto concretizou-se. Até à data, com 20 anos de powerlifting no nosso país, ainda não falhei nenhum ano sem competir, sendo um caso único em Portugal.

3 – Interessante. Tens um currículo notável, já foste várias vezes Campeão Nacional, já representaste a Seleção Nacional em Campeonatos Europeus / Mundiais e, em 2011, foste Campeão Europeu de Powerlifting na República Checa. Calculo que passaste muitas horas a treinar para chegar a este nível, como te sentes hoje em relação a tudo aquilo que conquistaste?

Por incrível que pareça, passados 20 anos de competição, continuo com a mesma vontade de sempre para treinar / competir e ainda não estou mentalizado para abandonar a competição. Aliás, o meu chip está preparado psicologicamente para competir mais 10 anos. Depois, quando passar os 50, logo vejo se é viável continuar ou não (se calhar passo  para o atletismo de fundo :)). Ainda sinto que posso dar um pouco mais a esta modalidade porque tenho marcas feitas em ginásio que ainda não foram executadas em prova. Quando as executar em prova sentir-me-ei realizado, independentemente de ganhar ou não a prova. Eu próprio e a minha mente somos o adversário a ultrapassar.

4 – Parece-me bem. Tiveste algum tipo de acompanhamento a nível técnico e/ou a nível nutricional durante o teu percurso profissional ou sempre treinaste por tua conta? Achas que podias ter chegado mais longe se tivesses tido mais apoio?

Durante os dois primeiros anos de competição tive apoio a nivel logístico e orientação de treino. Depois desse ginásio ter fechado, tive que me desenrascar sozinho e tornei-me num auto-didata (na altura não havia internet, dvd’s, youtube, etc.). Comecei por tirar formação técnica na área da musculação e fitness para poder evoluir como atleta mas depressa percebi que ainda não havia cá em Portugal pessoas devidamente preparadas na área do levantamento de pesos. A nível nutricional, não tive qualquer acompanhamento desde 1990 até 1999 – tomava apenas alguns batidos que ia ganhando nas provas. Depois de ter ido ao Campeonato do Mundo em 1999 em Itália com 84kg de peso, para competir na categoria dos 90kg, é que percebi que, em 30 atletas, eu era o mais magro e o mais alto. Apesar de ter feito o melhor que pude com 237,5 kg no agachamento, 150 kg no supino e 267,5 kg no peso morto, necessitava aumentar o meu peso corporal para estar mais equilibrado nos exercícios e sentir menos dores nos ligamentos passivos.

Quanto ao chegar mais longe, é óbvio que poderia ter ido bem longe nas marcas efetuadas se tivesse sido profissional. Mas, infelizmente, cá em Portugal o desporto é tratado com desprezo, tudo aquilo que alcancei nesta modalidade deriva da minha força de vontade e persistência. Felizmente (ou infelizmente), em 20 anos de competição não preciso agradecer a ninguém pelos meus feitos, a não ser ao meu amigo Paulo Rodrigues que sempre me pôs o ginásio à disposição de 1997 a 2007 (ginásio Super Corpos) e desde 2008 até 2013 (ginásio Cybergym). Passados todos estes anos continuo a treinar com a mesma garra e determinação, nasci numa vida dura e nela irei morrer com muito gosto.

5 – Já treinamos juntos e posso atestar que isso é verdade. O Powerlifting em Portugal é uma modalidade muito pouco conhecida e com poucos praticantes. Porquê que achas que isto acontece?

Eu acho que já não é assim tão desconhecida cá em Portugal só que é uma modalidade dura e, que, para serem alcançados alguns resultados de relevo, são necessários anos de treino e isso é algo que nem toda a gente está disposta a fazer (os treinos intensos, as barras em cima dos trapézios, em cima do peito, arrastar pesos de um lado para outro, etc). Do meu ponto de vista esta modalidade é só para guerreiros e atletas com grande capacidade de sofrimento e com muita tolerância à dor. Por tudo isto, não existem muitos atletas a competir, os que sobrevivem são poucos.

6 – Ok, sendo assim, o que achas que se deve fazer para dinamizar a prática desta modalidade entre os mais jovens?

É necessário fazer demonstracões, organizar torneios e competições. Algumas destas coisas estão a ser feitas mas isso não chega! É necessário ir de encontro aos futuros praticantes, promover a modalidade nas escolas, localidades e regiões ou então que alguém ligado ao corpo federativo tenha a astúcia e audácia de tentar promover a modalidade nos meios de comunicação. Este tipo de coisas nunca foram feitas ou se foram feitas, foi em proveito próprio. Hoje mais que nunca é preciso que a modalidade comece a aparecer em força. Vamos aguardar…

7 – Seria ótimo que esse tipo de iniciativas começasse a acontecer. Existe um preconceito generalizado que levantar pesos faz mal à saúde. Qual é a tua opinião em relação a isto?

Dito dessa maneira até parece ser verdade mas comprovo que não passa de um mito. Eu próprio sou prova viva que levantar pesos tirou-me de uma cadeira de rodas e, mais tarde, tirou todas as dores que tinha nas costas. Felizmente, descobri cedo a musculação (por volta dos 4 anos) devido a um problema congénito numa das minhas pernas. Depois de morosas operações, fui obrigado a usar um aparelho na perna direita com bota ortopédica que pesava 4kg. Durante 5-6 anos fiz leg extension e leg curls às toneladas, e mais uns quantos exercicios para melhorar a postura. Aos 11 anos tive a minha última consulta até aos dias de hoje. Durante a adolescência tive problemas de desenvolvimento muscular, pelo que me vi obrigado a voltar para a musculação para fortalecer a minha estrutura muscular débil. Na verdade, não podia ter feito melhor escolha, passados 23 anos de treino e 20 anos de competição, os benefícios estão à vista.

 8 – Na prova em que participaste há algum tempo no Cyber Gym (e que marcou a minha estreia nestas andanças) levantaste 300 quilos no Peso Morto e ficaste à beira de ganhar mais um título. Qual é o segredo para levantar tanto peso e, agora que tens 42 anos, quais são os teus objetivos para o futuro?

Um dos segredos talvez seja treinar com a mesma dedicação e empenho em vinte anos seguidos. O outro é uma vontade enorme em superar as minhas marcas. Ao não ficar satisfeito com as marcas relizadas sinto-me obrigado a superá-las e ao fazer isto vou estabelecendo novos objetivos. É assim de esquema em esquema que ganho novo alento para os treinos. Se não fizesse competição já teria abandonado os treinos pesados porque é preciso ter um grande espírito de sacrificio, principalmente vinte e tal anos depois de ter começado a treinar. O meu próximo objetivo é estar bem no Campeonato Nacional e no Campeonato da Europa, que se realiza pela primeira vez em Portugal, no próximo mês de junho.

9 – Muito bem, se puder vou lá dar um salto para dar apoio. Tens alguma referência nesta modalidade a nível internacional que queiras destacar e porquê?

Muito sinceramente não tenho. Não tenho porque mais de 80% desses atletas têm boas condições de treino e têm vida para investir na modalidade.

10 – No outro dia reparei que levas os teus filhos contigo quando vais treinar e que um deles (com seis anos salvo erro) já levanta mais de 30 quilos. Achas que eles vão bater os teus recordes algum dia?

É verdade, o Gonçalo é um miúdo com uma energia inesgotável e com alguma habilidade motora natural. Não puxo muito por ele porque não quero que ele se farte disto, prefiro que ele descubra por si mesmo aquilo que gosta de fazer. Foi a partir de julho de 2012 que começou a fazer treino com pesos uma vez por semana (aprox. 10 a 15 minutos), o irmão só faz porque vai atrás do Gonçalo. Este, o Heitor, tem 5 anos, mas também consegue 30kg de peso morto. O Gonçalo já há mais de um mês que faz o dobro do seu peso corporal – 44kg! Não tenho dúvidas que qualquer dia vão levantar mais do que eu, tudo depende se irão continuar ou não a treinar e se vão ter garra para isso. Se pudesse escolher, preferia que eles fossem jogadores de futebol, é uma ideia velhinha mas é a mais real.

11 – Teixeira, muito obrigado por responderes a estas questões. Queres acrescentar alguma coisa? Como é que as pessoas podem saber mais informação sobre ti e sobre a tua atividade?

Nao tenho muito mais a acrescentar pois tenho uma vida super cansativa e super ocupada como sabes. Tenho também algumas ideias para o futuro mas neste momento ainda não posso revelá-las. Podem encontrar mais informação sobre mim na minha página do Facebook. De vez em quando vou colocando alguns vídeos dos meus treinos, dêem uma vista de olhos.

Nota do Pedro: O Powerlifting é uma modalidade muito pouco acarinhada em Portugal e a verdade é que temos tido vários atletas portugueses com classificações de destaque a nível internacional. Este não é um caso isolado, existem outros atletas que têm obtido resultados muito interessantes além fronteiras. Seria desejável que este tipo de notícias tivesse um maior eco na comunidade desportiva e nos próprios orgãos de comunicação social.

Até breve!

O Mito do Leite Desfeito

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Aproveitando o sucesso do post do outro dia e tendo em conta o feedback que tenho obtido junto de algumas pessoas, julgo ser importante partilhar mais uma comunicação do Dr. Laír Ribeiro, desta feita sobre o leite e sobre o seu impacto nocivo na nossa saúde.

Vou dividir este post em três partes.

A primeira parte é a minha resposta a uma questão que me colocaram há uns tempos atrás na minha página de Facebook sobre os principais problemas associados ao consumo de leite de vaca.

Nota do Pedro: Se não tiverem tempo de ver o vídeo neste momento leiam pelo menos esta parte e tomem nota para ver o vídeo noutro dia. Se tiverem tempo de ver o vídeo podem saltar esta parte.

A segunda parte diz respeito às declarações veiculadas no início do ano por Pedro Graça, o diretor do programa de Alimentação Saudável da Direção Geral de Saúde (DGS), nas quais afirmou que o leite, entre outros alimentos de qualidade nutritiva inferior (pão e leguminosas), eram alimentos essenciais.

Nota do Pedro: Tendo em conta a irresponsabilidade destas declarações perante um assunto de suprema importância para a saúde pública, é bom que tenham conhecimento do mal que temos sido aconselhados a este nível.

A terceira parte, a mais importante de todas, é a excelente conferência do Dr. Laír Ribeiro, que vem desfazer mais um mito instalado na nossa sociedade – que o leite é fundamental para sermos grandes, fortes e para termos uma saúde óssea ideal.

Nota do Pedro: Recomendo que veja o vídeo com muita atenção e que tenha em consideração que tudo aquilo que é reportado é baseado na evidência científica e não nos eventuais interesses / lobbies da indústria alimentar.

Sem mais demoras, vamos ao que interessa.

Parte 1 – A minha resposta

“Em relação ao leite é importante estabelecer em primeiro lugar que nós somos os únicos mamíferos que, após a fase de amamentação, continua a beber leite, ainda por cima de outra espécie. Nem as vacas consomem o seu próprio leite (os bezerros são alimentados com leite materno até aos 6-8 meses). Desde uma perspectiva evolucionista, os nossos antepassados apenas consumiam leite materno e este sim tem um conjunto de nutrientes essenciais ao nosso desenvolvimento e à nossa imunidade. Agora, o leite de vaca pasteurizado tal como o conhecemos e consumimos hoje em dia (o processo de pasteurização mata as enzimas presentes no leite e destrói os potenciais nutrientes benéficos do mesmo, como os minerais, vitaminas e aminoácidos) tem muito pouco valor acrescido se consumido com regularidade.

Na verdade, o consumo de leite está associado a muitas patologias decorrentes de um estado de inflamação crónico, que vai desde a intolerância à lactose (podendo causar náuseas, vómitos, diarreia, flatulência), à resistência à insulina (apesar de o leite e derivados serem alimentos com uma carga glicémica baixa, o seu efeito na libertação de insulina é muito grande, podendo causar vários problemas de saúde tais como obesidade, diabetes, hipertensão, aterosclerose, alguns tipos de cancro e doença de parkinson), até ao desenvolvimento de doenças auto-imunes tais como esclerose múltipla, artrite reumatóide, diabetes tipo I. Portanto a qualidade do leite que se bebe actualmente é muito fraca e aparenta ter mais riscos que benefícios. Agora, cada pessoa reage ao leite e seus derivados de forma diferente, o meu conselho é que estejam atentos a esses sinais.

PS – Em relação à questão do cálcio no leite e à necessidade que se impõe beber leite por causa do cálcio, para manter os ossos fortes, é importante perceber que a taxa de absorção de cálcio nos lacticínios é muito semelhante à das couves e brócolos por exemplo e ainda que os nossos ossos precisam de outros nutrientes como o magnésio, vitamina D e vitamina K para uma saúde óssea ideal (o treino de força também faz parte da equação). Portanto, o consumo de cálcio por si só, não vai aumentar a absorção de cálcio, se não for tomado em conjunto com este tipo de nutrientes. Aliás, se a nossa dieta for demasiado ácida (e recordo que os queijos em particular apresentam uma carga ácida elevada), a excreção de cálcio através da dieta vai ser aumentada, o que é mau para nós. Pelo contrário, se a nossa dieta for mais alcalina com a ingestão de mais verduras, menos açúcares e menos alimentos processados, o nosso corpo vai absorver o cálcio que precisamos para prosperar. Finalmente, acho ainda importante referir que os homens do Paleolítico, apesar de não beberem leite após a amamentação, apresentavam uma densidade mineral óssea igual ou superior à de actuais adultos saudáveis e activos. Espero que tenha ajudado.”

Parte 2 – As declarações irresponsáveis do Diretor do programa de Alimentação Saudável da Direção Geral de Saúde

Passo a citar:

Pedro Graça, Diretor do programa de Alimentação Saudável da DGS, deu  conta à TSF dos alimentos essenciais para este ano: «leite, hortículas, água, pão, leguminosas (feijão, grão, ervilhas)».

Só o leite, lembra Pedro Graça, dá-nos muito daquilo que precisamos diariamente. «Um só copo de leite, que é muito barato, dá mais de 25% daquilo que precisamos por dia de cálcio, vitamina D, fosforo».

A alimentação ajuda a prevenir. «O trabalho da alimentação é sempre de prevenção, tem que haver um investimento diário porque não há soluções milagrosas», defendeu Pedro Graça.

Pode ver a notícia aqui ou se preferir pode ouvir as declarações aqui (são cerca de 2 minutos).

Parte 3 – O Mito do Leite por Dr. Laír Ribeiro

Eu espero que isto seja uma resposta fundamentada. É possível que algumas pessoas fiquem contentes e que outras fiquem tristes ou mesmo zangadas. Mas isto não se trata de ver quem tem razão ou não. O objetivo deste trabalho não é esse, o objetivo deste trabalho consiste em apurar a verdade e informar as pessoas nesse sentido.

Se acham (como eu) que este tipo de informação é útil e do interesse geral, partilhem com os vossos amigos, familiares, conhecidos e todos os profissionais de saúde.

Até breve!

Pedro Correia

A Medicina dos Alimentos – Palestra Dr. Laír Ribeiro

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Hoje partilho uma palestra do Dr. Lair Ribeiro, um reconhecido cardiologista e nutrólogo brasileiro, que conta com uma obra impressionante: possui mais de uma centena de artigos científicos publicados em revistas médicas norte-americanas, trabalhou em várias universidades nos EUA (entre as quais Harvard), leccionou medicina em 22 países, tem 35 livros publicados na área motivacional e, hoje em dia, ministra vários cursos de formação para médicos.

Nesta apresentação brilhante vai perceber as razões pelas quais os alimentos e alguns suplementos naturais são determinantes para reverter a idade biológica e para prevenir doenças, ao contrário dos medicamentos (anti-inflamatórios, antibióticos, estatinas, anti-ácidos, anti-depressivos, etc.) com que temos sido bombardeados ao longo das nossas vidas.

Especificamente vai ficar a saber:

1) como pode reverter a idade biológica e envelhecer com saúde;

2) o que é uma água de qualidade e qual a sua real importância (aflorei recentemente este assunto aqui nas dez formas para prosperar em 2013);

3) quais são os efeitos nefastos dos refrigerantes no PH do nosso sangue;

4) quais são os nutrientes que somos mais deficientes;

5) porquê que os medicamentos que tomamos não resolvem o problema e podem até gerar problemas, através da supressão do nosso sistema imunitário.

O conhecimento é poder, partilhe esta informação com todos os vossos familiares, amigos e conhecidos (profissionais de saúde incluídos, obviamente).

Até breve!

NUNCA é tarde para começar a TREINAR

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Conheçam a história fascinante de Charles Eugster, um dentista reformado que decidiu começar a treinar com 87 anos, depois de perceber que estava ganhando peso e perdendo massa muscular.

Neste momento, com 93 anos, está a preparar-se para fazer algo que nunca ninguém conseguiu fazer, competir na World Masters Rowing Regatta  em Setembro (Itália), no World Masters Athletics Championships em Outubro (Brasil) e nos European Strenflex Championships em Novembro (Suíça).

Independentemente dos resultados que este senhor venha a obter nas competições acima referidas, esta história é uma inspiração para todos aqueles que pensam que estão condenados a jogar às cartas e/ou ao dominó quando chegam aos 70, 80 anos!

O seu objetivo é mudar o mundo e ter um corpo novo aos 94 anos.

Pegando nas suas palavras, “nunca é tarde para começar algo novo”.

Até breve.

Efeitos nefastos dos anti-inflamatórios nos atletas

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Os anti-inflamatórios não esteróides (conhecidos como AINEs ou NSAIDs do inglês) são comummente utilizados ​​por atletas para reduzir ou prevenir dores músculo-esqueléticas relacionadas com o exercício físico, especialmente na temporada competitiva. Muitos acreditam que estas drogas podem ajudar a melhorar a performance, permitindo sessões de treino mais frequentes e mais intensas, mas não há evidência clara que isso acontece.

Na verdade, aquilo que sabemos é que os efeitos secundários deste tipo de drogas podem ser bastante prejudiciais para os atletas que querem melhorar o seu rendimento desportivo e a sua própria saúde. Vamos aos factos.

Um estudo recente efetuado em atletas treinados testou o que aconteceu quando os mesmos tomaram 400 mg de brufen antes do treino. Os resultados demonstraram evidência significativa de lesão intestinal após o exercício, aumento da permeabilidade intestinal e do risco de infeção. Os métodos utilizados para avaliar a lesão intestinal foram determinados através da medição da proteína de ligação dos ácidos gordos (em inglês conhecida por I-FAPB ou intestinal fatty acid binding protein). Para avaliar a permeabilidade intestinal foi utilizada uma bebida com vários tipos de açúcar.

Outra questão com potencial preocupação para aqueles que tomam AINEs com o fim de “tratar” os danos musculares induzidos pelo exercício (em inglês exercise-induced muscle damage) é a possibilidade de que os mesmos podem prejudicar a resposta adaptativa ao exercício. Especificamente, há uma evidência emergente de que a acção das enzimas ciclooxigenases (COX) e das COX-2 em particular, são importantes e mesmo necessárias para alcançar a hipertrofia máxima do músculo esquelético em resposta a uma sobrecarga funcional (LINK).

Tendo em conta que os AINEs bloqueiam a ação das enzimas COX e a consequente produção de prostaglandina, existe uma fundamentação teórica que esses medicamentos podem ter efeitos prejudiciais no desenvolvimento e regeneração muscular.

Portanto, tomar brufen, analgésicos ou outro tipo de anti-inflamatórios não esteróides (AINEs)  para treinar mais e/ou aguentar sessões de treino mais intensas não é uma boa solução, já que pode causar o aumento da inflamação no intestino (dificultando assim a absorção de nutrientes) e comprometer o desempenho atlético e a recuperação após o treino.

Até breve.

Referências

Schoenfeld, Brad. The Use of Nonsteroidal Anti-Inflammatory Drugs for Exercise-Induced Muscle Damage. Sports Medicine. 2012.

Wiercinska-Drapalo A, Jaroszewicz J, Siwak E, Pogorzelska J, Prokopowicz D. Intestinal fatty acid binding protein (I-FABP) as a possible biomarker of ileitis in patients with ulcerative colitis. 2008.

Van Wijck K, Lenaerts K, Van Bijnen AA, Boonen B, Van Loon LJ, Dejong CH, Buurman WA. Aggravation of exercise-induced intestinal injury by Ibuprofen in athletes. Med Sci Sports Exerc. 2012 Dec;44(12):2257-62. doi: 10.1249/MSS.0b013e318265dd3d.

O que os médicos não sabem acerca das drogas que prescrevem – Vídeo

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Hoje partilho uma apresentação muito interessante do médico e epidemiologista britânico Ben Goldacre nas TED Talks, intitulada “What doctors don’t know about the drugs they prescribe”, ou seja, “O que os médicos não sabem acerca das drogas que prescrevem”.

Quando um novo medicamento é testado, os resultados dos testes devem ser publicados para o resto da comunidade médica, no entanto, na maior parte das vezes, os resultados negativos ou inconclusivos não são reportados, deixando os médicos e os investigadores no escuro.

Neste vídeo de apenas 14 minutos, Ben Goldacre, dá vários exemplos da má ciência que tem sido efetuada na área da medicina (muito por causa da indústria farmaceûtica) e explica as razões pelas quais estes casos podem ser especialmente perversos e perigosos para  todos nós.

Goldacre é conhecido pela sua coluna Bad Science no The Guardian e é autor de dois livros, Bad Science (2008), uma crítica da irracionalidade e de certas formas de medicina alternativa, e Bad Pharma (2012), no qual examina a indústria farmacêutica, as suas práticas e a sua relação com a profissão médica.

Até breve!

Entrevista Pedro Correia – Diário de Notícias

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Hoje queria partilhar uma entrevista que me foi feita pelo jornalista Filipe Sousa, publicada no passado mês de Dezembro no Diário de Notícias da Madeira. O texto colocado a negrito é da autoria do jornalista. Falo sobre aquilo que faço atualmente e de algumas coisas que tenho feito ao longo da minha carreira profissional.

Pedro Correia tem uma visão muito própria daquilo em que se deve transformar o golfe na Região. Pedro Correia esteve vários anos ligado ao golfe, modalidade que deixou para se especializar na área da performance. Trabalha agora em Lisboa, depois de uma temporada em Espanha, ao serviço da Real Federação local. Em entrevista ao DIÁRIO, falou do seu actual trabalho e lançou umas ideias que visam valorizar o golfe regional.

1. Depois de duas experiências ligadas ao golfe, abraçou um novo projecto, como especialista de performance. Como está a correr esta nova fase da sua vida?

Está a correr bem, porque estou a trabalhar naquilo que mais gosto, apesar de todos os dias perceber que não sei quase nada e que ainda há muita coisa por aprender e descobrir. Pode parecer estranho mas à medida que estudamos mais e aprofundamos o conhecimento nas diversas áreas que influenciam a performance, cada vez surgem mais dúvidas, mais incertezas e mais nos damos conta que somos uns perfeitos ignorantes. Falo por mim…

2. Em que consiste esta nova área de trabalho?

Consiste em transformar vidas através de uma perspectiva global que inclui quatro pilares transversais ao desenvolvimento do ser humano: Movimento, Nutrição, Mentalidade e Regeneração. Traduzindo isto por miúdos, para não correr o risco de cair no esoterismo, eu não sou capaz de me limitar a dar treinos e não quero ser visto apenas dessa forma. Eu quero ensinar as pessoas/atletas a aprenderem movimentos funcionais, aqueles que precisamos nas nossas actividades diárias e no alto rendimento, e a perceberem a importância da nutrição na melhoria do rendimento e na prevenção de doenças, de forma a que compreendam que não é mesmo indiferente aquela situação de “comer qualquer coisa para desenrascar”.

Temos que começar a olhar para a comida como os nossos medicamentos porque cada vez que metemos algo à boca estamos a comunicar com as nossas células e com os nossos genes. Em relação à mentalidade, é importante perceber que nós somos o produto das nossas acções e daquilo que pensamos e fazemos todos os dias. Ou seja, se eu quero ser um atleta, tenho que treinar como um atleta; se eu quero perder massa gorda, tenho que procurar um especialista em nutrição e exercício físico; se eu quero ficar mais forte, tenho que levantar pesos; se eu quero ficar mais rápido, tenho que fazer mais sprints e treinar mais rápido etc. Portanto, se não definimos objetivos neste sentido e, sobretudo, se não agimos em prol desses objetivos, os resultados não vão aparecer.

No que concerne à regeneração, a maioria de nós não se preocupa muito em descansar bem, dormir as tais 8/9 horas por dia, e isto pode fazer toda a diferença na performance diária e/ou desportiva. Basta, por exemplo, saber que uma noite mal dormida deixa-o num estado pré-diabético no dia seguinte. Eu costumo dizer às pessoas com quem trabalho que o exercício pode ajudar mas a nossa fisiologia nunca volta ao normal sem um sono adequado.

3. Compreender e trabalhar o corpo e a mente é meio caminho para uma longa e saudável vida?

Sem dúvida. E hoje estamos a olhar para aquilo que fizeram os nossos ancestrais e algumas tribos míticas para perceber isso. O que não deixa de ser curioso e, ao mesmo tempo, preocupante. Hoje em dia, com mais conhecimento e com a informação disponível a qualquer momento, estamos mais desorientados e mais inseguros. A verdade é que os seres humanos foram desenhados para o movimento, ou seja, não é por acaso que começamos a dar pontapés na barriga das nossas mães antes de nascer. O movimento faz parte das nossas vidas e o estilo de vida sedentário que nos tem sido impingido pela sociedade, até um certo ponto, não nos tem ajudado a ficar mais inteligentes e autónomos. O movimento faz parte do nosso processo de desenvolvimento e para aqueles que não acreditam em mim, recomendo que vejam uma conferência do neurocientista Daniel Wolpert nas TED Talks, intitulada “A verdadeira função dos cérebros“.

4. O facto de ter tido uma doença grave, um cancro, da qual se curou, felizmente, influenciou de alguma forma o enveredar por este novo caminho?

É claro que influenciou, até porque nunca me souberam explicar a causa dessa doença. Este é um assunto a que tenho estado atento e que espero, no futuro, dedicar mais tempo, para saber mais coisas. Quando tive a doença e até há algum tempo atrás, julguei que tinha tido azar, até porque sempre fiz desporto e sempre mantive uma vida relativamente saudável. Mas, depois de começar a pensar nas coisas que fiz, designadamente na minha alimentação, nos treinos que realizei e nas idiotices próprias da idade, vou chegando à conclusão que o problema que tive não pode ter sido apenas produto do azar. A doença instala-se no nosso corpo porque existem deficiências crónicas de nutrientes a nível celular e porque pode haver uma predisposição genética para tal. Eu tenho a perfeita noção que nunca vou descobrir a verdadeira causa da doença, mas estou disposto a chegar lá perto.

5. Não tem saudades do golfe?

Eu não abandonei o golfe e até há bem pouco tempo fui aos EUA fazer nova formação nesta área. O golfe tem sido uma das modalidades que tenho investido imenso e tenciono continuar a fazê-lo. Neste momento não estou a trabalhar com nenhum atleta por dificuldades em conciliar a agenda mas tenho esperança que isso se proporcione no futuro. Penso que será uma questão de tempo.

6. Foi director desportivo e coordenador da escola de golfe do Santo da Serra. Continua a acompanhar o quotidiano do clube?

Nem por isso. Sei através de amigos que a situação económica em que vivemos não tem ajudado o clube a prosperar. O que lamento por todas as pessoas que lá trabalham, especialmente por aquelas cuja única fonte de rendimento é a do clube e que precisam do dinheiro para sobreviver.

7. Acredita que na actual conjuntura a Madeira pode melhorar e qualificar o Madeira Islands Open para o topo do golfe mundial?

Tenho andado longe da Madeira e as poucas notícias que vou sabendo, quer através de familiares, amigos, colegas, quer através da televisão, não parecem ser muito encorajadoras. Não sendo um especialista em economia e sem fazer uma avaliação objectiva do retorno gerado pela realização do Open da Madeira nos últimos anos é difícil responder a essa pregunta.

No entanto, se me permite, para mim parece-me mais importante apostar na sustentabilidade da modalidade na Região, do que organizar o Open da Madeira todos os anos, para inglês ver. E quando falo de sustentabilidade refiro-me ao aumento e melhoria dos serviços que são oferecidos nos clubes, por exemplo, ao nível de qualificação dos profissionais nas diversas áreas, à regulação dos quadros competitivos regionais, à profissionalização do dirigismo desportivo, à criação de equipas multidisciplinares na área do rendimento, ao investimento em programas de desenvolvimento atlético a longo prazo, à criação de melhores condições de acesso para praticantes…

Do meu ponto de vista, na situação em que estamos, tudo isto é mais importante que organizar um Open da Madeira que não estimula o real desenvolvimento do golfe na Região e que, aparentemente, não tem servido para outra coisa, senão para alimentar o ego daqueles que se gostam de pavonear com esse tipo de eventos. Quer queiramos, quer não, o golfe continua a ser uma prática elitista em Portugal e isso acontece por vários motivos, um dos quais, e aquele que mais me perturba, tem a ver com o facto de se dar mais tempo de antena à participação dos senhores doutores, engenheiros, arquitectos, políticos, advogados, economistas, etc., nos torneios sociais, do que aos verdadeiros atletas que competem nos Campeonatos Nacionais, nos EUA ou mesmo no European Tour. Sendo esta a imagem que o golfe passa nas televisões nacionais, é normal que as pessoas associem a prática desta modalidade aos banquetes e às famigeradas elites. Eu pensaria o mesmo se não tivesse conhecimento da componente competitiva do golfe.

Experiência por terras espanholas…

8. A experiência enquanto Coordenador da Escola Nacional Joaquin Blume, da Real Federação Espanhola de Golfe, foi importante na sua carreira profissional?

Sim, foi uma experiência muito importante no desenvolvimento da minha carreira. Até porque foi aí que percebi que tinha mais vocação para trabalhar como técnico ou treinador do que propriamente como coordenador de uma equipa de técnicos. Ou seja, nessa altura percebi que não tinha estudado Ciências do Desporto para trabalhar atrás de uma secretária, se bem que trabalhava muito no campo, com a finalidade de idealizar projectos de desenvolvimento desportivo, que depois não tinham consequência e/ou para lidar com processos administrativos, que não me interessavam para nada.

9. Porque deixou o projecto?

Deixei o projecto porque havia algumas coisas que me incomodavam em termos de organização e regulação da prática desportiva, com as quais não poderia ficar indiferente. A este nível, não era aceitável que essas “‘coisas” acontecessem e por essa razão senti que esta era a melhor altura para procurar outros desafios.

Nota final do Pedro: Quero agradecer ao Diário de Notícias da Madeira e aos seus profissionais o facto de se terem lembrado de mim para dar esta entrevista.

Até breve!