Mitos do Treino Funcional by Juan Carlos Santana – Parte 1

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Tive conhecimento deste vídeo do Juan Carlos Santana, o fundador do Institute of Human Performance (Florida, EUA) e considerado por muitos o pai do Treino Funcional, a partilhar a sua opinião “off record” sobre a nova moda do exercício físico, o Cross Fit.

Para quem não sabe, o Juan Carlos Santana foi um dos primeiros autores / treinadores a dividir o movimento humano em quatro grandes categorias, ao desenvolver uma visão sistemática da forma como o nosso corpo deve funcionar. Este conceito designa-se por “Os Quatro Pilares do Movimento Humano” e nasceu há mais de dez anos atrás. O primeiro pilar chama-se “posição bípede e locomoção”, o segundo pilar chama-se “variação de alavancas no centro de massa do corpo”, o terceiro pilar chama-se “puxar/empurrar” e o quarto pilar diz respeito à “rotação e produção de força rotacional”.

Eu já conheço o seu trabalho há algum tempo e por esse motivo percebo perfeitamente aquilo que ele quer dizer e a sua ligeira indignação.

A minha opinião é que o CrossFit tanto pode ser adequado para algumas pessoas, num determinado momento e com objetivos específicos, como pode ser completamente inadequado para outras pessoas, em vários momentos e com outros objetivos. Ou seja, apesar de reconhecer que o CrossFit tem o mérito de ter trazido uma lufada de ar fresco ao mundo do fitness, possibilitando formas mais apelativas de treino físico, é preciso compreender que esta pode não ser a solução milagrosa para toda a gente.

Vejam o vídeo, esta é a parte 1 mas pelos vistos vai haver mais.

Qual é a vossa opinião sobre este assunto?

Até breve!

11 thoughts on “Mitos do Treino Funcional by Juan Carlos Santana – Parte 1

  1. Sem dúvida, eu tenho praticado muito cross fit e obviamente que para pessoas com algumas patologias não será o mais indicado, obviamente que se pode sempre adaptar e ha opções como em todos os exercicios. Mas se não houver limitações e se a pessoa for saudavel é um treino bastante completo, porém, com a evolução começa a aparecer o “bichinho” da competiçao, que eu tenho pois competi a miinha vida toda … e … competição e saúde não andam de mãos dadas, nunca andaram … mas ha a realização pessoal e o facto de todos os dias nós nos desafiarmos e conseguir-mos chegar a novos patamares😉

    • Olá Gonçalo, obrigado pelo comentário.

      Queria apenas acresentar uma nota à parte que dizes que a competição e saúde não andam de mãos dadas. Eu acredito que é possível competir no alto rendimento em algumas modalidades de forma saudável (isto é, com boa saúde), mas para isso os atletas precisam de ter uma equipa multidisciplinar com especialistas nos vários âmbitos da performance, ao nível do treino técnico, treino físico – incluindo treino de movimento, treino de força e condicionamento, nutrição e reabilitação / recuperação.

      Um grande abraço.

  2. Boa tarde Pedro Correia. Mais um artigo que vai dar que falar…

    Tenho o maior respeito pelo autor Juan Carlos Santana, pois influenciou o Fitness e Alto Rendimento a nível mundial de forma muito positiva e contribui para melhorar a minha metodologia a nível pessoal.

    No entanto, custa-me observar que o autor não sabe o que é o CrossFit. Aliás custa-me observar que a maior parte das pessoas que escrevem ou criticam o CrossFit nem sequer o sabem soletrar corretamente.

    1º. O CrossFit é uma metodologia que utiliza – A: movimentos funcionais, B: constantemente variados e C: realizados a intensidade elevada. Ou seja: Toda a metodologia que UTILIZE ESTES PRINCÍPIOS PODE SER CONSIDERADA CROSSFIT!

    2º. Existem ginásios de CrossFit que nem sequer fazem Halterofilia Olímpica ou nem sequer possuem equipamento para o fazer… Ou seja: “NÃO É OBRIGATÓRIO SEGUIR NENHUM PLANO DE TREINO!” – o CrossFit NÃO É UM FRANCHISING! Todos os treinadores de CrossFit são responsáveis pela metodologia (métodos e meios de treino) que utilizam com os seus alunos.

    3º. A maior parte dos praticantes de CrossFit não estão focados em alta competição. Esse é um dos muitos mitos associados ao CrossFit. A minha mãe há já alguns anos praticava hidroginástica e sempre com sintomatologia álgica na zona lombar e torácica, pratica CrossFit há mais de 5meses e desde então “esqueceu-se” que tinha essa sintomatologia. Ou seja: O CROSSFIT NÃO É EXCLUSIVO PARA ATLETAS DE ALTA COMPETIÇÃO

    4º. Uma aula de CrossFit não é um W.O.D. (workout of the day). Uma aula tem SEMPRE um aquecimento, uma parte técnica, uma parte de condicionamento neuromuscular (força / postura / equilíbrio / precisão…) e por fim o W.O.D (desafio). Quantos métodos de treino apresentam uma abrangência de desenvolvimento das capacidades coordenativas e condicionais como o CrossFit? Ou seja: O CROSSFIT É UMA MODALIDADE ABRANGENTE E ALTAMENTE ADAPTÁVEL À GRANDE MAIORIA DAS PESSOAS

    5º. Existem estabelecimentos que dizem que praticam CrossFit e não respeitam os princípios metodológicos que CrossFit propõe e defende. Na região de Aveiro existem já 4 boxes (ginásios), no entanto apenas 2 (o nosso: CrossFit Aveiro e o CrossFit Silver Coast) cumprem e fazem questão de manter a metodologia/espírito CrossFit. Os outros 2 têm uma metodologia no mínimo questionável, uma alta taxa de lesões e não respeitam as recomendações do CrossFit. No entanto auto intitulam-se ginásios de CrossFit!! Faz lembrar quando estamos a ver um jogo de futebol e todos dizem que são treinadores, quando na realidade são pseudo treinadores… EXISTE UMA DIFERENÇA ENTRE O ORIGINAL E A CÓPIA. Nós não damos aulas a mais de 12 pessoas ao mesmo tempo, ninguém realiza cargas que não podem executar, temos cursos de iniciação para quem que iniciar a prática, caso a pessoa não possa realizar determinado movimento nós definimos com antecedência uma alternativa segura e eficaz, aplicamos meios de treino de recuperação como relaxamento miofascial, mobilidade e trabalho postural, etc.

    Para concluir, o Juan Carlos Santana tem razão quando diz que existem ginásios de CrossFit que apresentam uma metodologia defeituosa e perigosa, contudo não pode dizer que o método CrossFit é um método mau! Sou profissional do exercício há mais de 10 anos, investigador na área de ciências do Desporto há mais de 5 anos, estudo praticamente todos os dias e mantenho-me constantemente atualizado. ATÉ HOJE NÃO TIVE CONTACTO COM NENHUM MÉTODO TÃO EVOLUÍDO COMO O CROSSFIT!

    Peço desculpa pela extensão do texto e aproveito para agradecer entusiasticamente ao Pedro Correia a oportunidade de desmistificar o CrossFit.

    • Olá Juvenal,

      Muito obrigado pelo comentário e pelos esclarecimentos.

      Em primeiro lugar, agradeço a correção em relação à forma como se escreve CrossFit. Não sei porquê mas ontem deu-me para separar as palavras. Uma vez que já tinha escrito um artigo sobre o CrossFit fui verificar também se estava mal escrito, mas não, felizmente, estava correcto.

      As minhas dúvidas em relação ao CrossFit prendem-se apenas com o sistema de treino e com os métodos de avaliação utilizados, designadamente no que diz respeito à competência de movimento individual e à integração periodizada das diferentes capacidades físicas ao longo do processo de treino.

      Não tenho dúvidas em relação à eficácia do CrossFit para determinadas populações desde que o processo de avaliação seja bem efetuado e que o programa de treino respeite o princípio da individualidade. Eu acredito que o CrossFit (bem aplicado e doseado) vai trazer mais vantagens em termos de funcionalidade geral para a maioria das pessoas, que as tradicionais aulas dos ginásios, que a hidroginástica (curiosamente a minha mãe também fazia hidroginástica e hoje em dia está mais forte que nunca e já levanta mais de 60 quilos no peso morto), Yoga, Pilates, etc. Mas, como disse neste post, também não acredito que seja a solução para toda a gente (apesar de reconhecer a sua abrangência).

      Quantos métodos de treino apresentam uma abrangência de desenvolvimento das capacidades coordenativas e condicionais como o CrossFit? O sistema de treino que utilizo tem essa abrangência e, no entanto, não lhe chamo de CrossFit. Curiosamente, vários colegas pensavam que eu era do CrossFit, quando me viam a treinar no ginásio. Talvez porque fazia algumas coisas diferentes…

      É bom saber que existe essa diferenciação de metodologia entre as cópias e os originais, e que existe um cuidado especial para lidar com casos especiais. Mas penso que isso vai depender muito do profissional que as pessoas encontram pela frente. Sem dúvida que é sempre preferível optar por aqueles que seguem um método / sistema.

      Para concluir, eu também faço o possível para me manter atualizado, também estudo todos os dias (a formação contínua faz parte do meu dia-a-dia), tive a oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido por alguns dos melhores treinadores de força e performance da nossa área de intervenção, e como tal, posso afirmar que existem outros métodos tão ou mais evoluídos que o CrossFit, mas que não têm obrigatoriamente um nome ou designação.

      Juvenal, no fim de contas, aquilo que interessa é ajudar as pessoas a melhorar a sua performance no treino e na vida diária, se isso é conseguido através do CrossFit ou através de outro método qualquer, não interessa muito, aquilo que realmente interessa é que as pessoas obtenham resultados melhores.

      Um abraço e eu é que agradeço o comentário, espero que um dia possamos falar mais sobre isto🙂.

    • Boa tarde Sr. Juvenal, li recentemente a sua opinião sobre o artigo do Pedro Correia e a sua perspectiva do CrossFit ou se quiser Cross training. Sou um defensor do treino de HIIT e do treino combinado.
      É uma pessoa ligada à industria do exercicio à cerca de 10 anos e faz investigação, no entanto gostava de lhe fazer algumas questões…
      O Juvenal diz o seguinte “…treinadores de CrossFit são responsáveis pela metodologia (métodos e meios de treino) que utilizam com os seus alunos”, parece-me coerente responsabilizar as pessoas pelo que fazem.
      As minhas perguntas vão neste sentido:
      a) será que uma formação de uma metodologia em que envolve movimentos,reconhecidamente importante mas também com elevada complexidade (snatch com barra ou Kettlebell, entre outros) existam com apenas um fim-de-semana de duração?
      b) Não deveria haver alguém que supervisionasse o ensinamento/treino prescrito desses mesmos treinadores que ensinam? (até para evitar uma publicidade agressiva e quiçá até injusta de alguns bons treinadores e do bom-nome da marca)
      c) Considera treinador a alguém que tirou uma formação num fim-de-semana e e em que muitas dessas pessoas nem têm noção dos Principios biologicos e Pedagogicos do treino?

      Agradeço desde já a sua partilha de opinião e o maior sucesso.
      Cristovão Jordão

    • Boa Tarde

      Só lhe deixo um pequeno comentário:
      Além das artes marciais e ginástica, NÃO EXISTE MAIS NENHUM TIPO DE DESPORTO, QUE SEJA TÃO COMPLETO, isto dito por CIENTISTAS DOS DESPORTO, que são indivíduos, que devem saber mais que o sr. ou eu.

  3. Olá Pedro
    Desde que ouvi dizer pela 1ª vez me entusiasmei bastante com o CF, daí lá se vão uns 4 anos…
    Há 2 meses me matriculei em um Box de CF e comecei a treinar, sem fazer questão que soubessem que era graduado em Educação Física, mergulhei nos treinos e sinceramente, me apaixonei!
    Ouvi muito, ouço muito considerações sobre o CF, sobre lesões, sobre ser ruim etc…
    Um dos motivos que resolvi treinar na CF, foi para sentir, vivenciar e formular minha opinião!
    O Box que frequento é dirigido por 2 coachs, que conseguem dar conta de treinar turmas heterogêneas! Isso faz toda diferença!
    Em 2 meses de treino meu físico mudou imensamente, minha melhor fase em 33 anos rs!
    Uma metodologia que uso muito com alguns alunos meus é a base do CF, o H.I.I.T., que agora que mergulhei no CF consigo direcionar muito melhor!
    As modas as vezes me dão medo, por isso quis conhecer de perto o CF para ter idéia!
    No mais vc esta coberto de razão, o importante é ajudar as pessoas, honestamente e com critérios corretos!
    Um abrs

  4. Olá Pedro!
    Sou seguidora do seu blog há já algum tempo, não costumo comentar porque sou apenas uma curiosa que gosta de estar informada e frequentadora de ginásios há cerca de 15 anos. Nestes 15 anos já experimentei n modalidades dentro e fora do ginásio e agora chegou a vez do CrossFit🙂 Na minha humilde opinião cada modalidade vale o que vale e não existem modalidades perfeitas, não existem modalidades desprovidas de riscos a curto, a médio ou a longo prazo. Mas para mim o principal risco está nas pessoas, nos praticantes que querem atingir “objetivos” desmedidos sem olharem à sua condição física e/ou psicológica, sem terem a mínima noção do seu estado de saúde e sem saberem “ouvir” as respostas que o nosso corpo nos vai dando no dia a dia e muitos mesmo sem terem a noção do que estão a fazer e claro nos treinadores que não sabem avaliar os seus atletas, que podem ter a melhor das intenções mas não têm formação suficiente para poderem treinar outras pessoas, a ambição econômica, n situações que conjugadas essas sim podem ser muito perigosas.
    Quanto ao CrossFit se juntarmos um atleta inconsciente com um treinador inconsciente, sim claro que é um desporto de alto risco, mas isto aplica-se a todas as modalidades. Eu só pratico CrossFit porque tenho dois treinadores excelentes e de uma competência extrema, que conhecem os atletas, os acompanham, avaliam, informam, informam-se e formam-se. Até poderia gostar muito da modalidade, mas se visse que não estava nas mãos de pessoas competentes naquilo que fazem certamente não praticava CrossFit, por isso quando digo que pratico Crossfit digo sempre onde, porque a modalidade é importante mas o mais importante são as pessoas!🙂

  5. juvenal muito bom,principalmente os 3 primeiros pontos meteste mesmo o dedo na ferida,acho que podia me alongar mas não vale a pena, simplesmente digo parabens a ti e aos teus atletas a todos não façam criticas , experimentem e ai sim digam algo…

  6. Não sei se é impressão minha, ou o titulo fala dos mitos do treino funcional, e não dos mitos do treino funcional.
    Nunca se esqueçam: O treino funcional, pode ser considerado crossfit, mas crossfit nunca pode ser considerado treino funcional.

  7. Olá, tenho uma dúvida existencial. Ando no crossfit há 2 meses. Sou hiperactiva e tenho sérios problemas de atenção e concentração. Basicamente, numa aula de crossfit sinto-me uma epiléptica numa mega-discoteca. Demasiados estímulos auditivos, visuais e até sensoriais (só o calçar as luvas me provoca subida de adrenalina e afins). Farei parte de um grupo de pessoas que NÃO DEVE praticar crossfit?

    Obrigada

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