Mitos do Treino Funcional by Juan Carlos Santana – Parte II

Foto Treino Funcional

Aqui está a segunda parte do vídeo em que o Juan Carlos Santana foi “apanhado” a falar sobre os mitos do treino funcional, sem saber que estava a ser gravado (podem ver o primeiro vídeo aqui, onde ele fala mais extensivamente do CrossFit).

Gostaria de destacar a parte em que ele aborda o pensamento tradicional que os surfistas precisam de treinar em superficies instáveis para melhorar o equilíbrio e a sua performance desportiva (5’30’’). Aí está um mito que é preciso desfazer de uma vez por todas!

Um dos principais problemas da indústria do fitness é que as pesssoas estão habituadas a avaliar a qualidade do treinador pela espectacularidade dos exercícios que ele quer que faça e não pelo seu sistema de treino. Fazer agachamentos em cima de um Bosu ou de outra superfície instável com um kettlebell na mão pode parecer espectacular, mas qual é o efeito sustentável que esse exercício produz? Esses exercícios fazem parte de um sistema de treino ou estão lá para mantê-lo entretido(a)? Eu quando vejo a utilização deste tipo de exercícios “pseudo-funcionais” surgirem em catadupa nos ginásios e nas salas de exercício fico logo desconfiado da sua funcionalidade…

A questão que você deve colocar a si mesmo(a), quando começa um programa de treino é: quero ser treinado(a) ou quero ser entretido(a)? Se a resposta for a primeira, opte por treinar com aqueles profissionais que têm um método, um sistema de treino consistente, que lhe oferece garantias e resultados a médio / longo prazo. Se aquilo que pretende é fazer sessões de treino para mantê-lo(a) entretido(a), basta reproduzir aquilo que vê no youtube e/ou ir às aulas de Zumba.

Até breve!

4 thoughts on “Mitos do Treino Funcional by Juan Carlos Santana – Parte II

  1. Quanto ao treino de surfistas é importante referir que o tempo passado realmente a surfar a onda (deslizar em pé) é extremamente reduzido.
    Foi realizado um estudo que aponta estes valores: Proporção de tempo total da actividade foi: na espera 12,52 minutos (65,23%), na remada 5,14 minutos (26,51%) e no surf 1,38 minutos ( 8,26%).
    Como se pode verificar, o surf por si só não tem repetição suficiente, para produzir melhorias significativas na técnica do surfista.
    Se se reproduzir o gesto realizado na água em treino indoor, com plataformas instáveis conseguem-se de facto incrementos, leia-se transferência, no gesto realizado na água.
    Ressalve-se a óbvia progressão na prescrição dos exercícios.
    As manobras só se realizam movendo o centro de gravidade de um lado para o outro, cravando os rails na onda de forma a gerar velocidade, numa superfície que se move, logo que gera instabilidade.
    A parafina usa-se para que se possa exercer força na prancha sem escorregar.

    Se queremos trabalhar força propriamente dita nos membros inferiores aí a história é outra e realiza-se em estabilidade.

    Faço surf desde 1992 e sou tecnicamente pouco evoluído. No entanto, após a introdução de plataformas instáveis no meu treino, senti uma evolução muito significativa.
    É muito diferente treinar numa Indo-board ou num Bosu invertido, ou no solo. Depende sempre do que se quer estimular.
    Nenhuma onda é igual e é muito diferente surfar uma parede limpa ou na espuma (o grau de instabilidade é diferente).
    O surf actual assenta muito nos aéreos. Aterrar um aéreo numa superfície que se move é diferente de treinar a mesma manobra num skate.

    O surf precisa de treino em plataformas instáveis? Sim, mas depende do objectivo formulado para esse exercício.
    Precisa de treino em estabilidade/apoio? Sim, para treinar força, potência para gerar mais velocidade na prancha e manobras mais explosivas.

    Gosto muito dos teus posts, informação extremamente útil, mas por vezes, pareces-me fundamentalista a opinião formulada.
    Por vezes temos de ver o que se faz (falo no caso concreto do surf) e porque é que se faz. Tem razão de ser? Está baseado em fundamentos teóricos?
    Em todo o lado há bons e maus profissionais. Não se pode generalizar…

    Parabéns pelo teu trabalho. Continuarei a seguir com interesse.

    Carlos Couto

    • Obrigado Carlos Couto pelo comentário construtivo. Está claro que percebe muito mais de surf que eu, com a enorme vantagem de já praticar a modalidade há mais de 20 anos. E eu não sou especialista em surf, só quis destacar esse aspecto pelo facto do uso abusivo do treino em plataformas instáveis – e falo com base naquilo que conheço dessa realidade. E dentro daquilo que conheço, o que vejo é 90% do treino em superfícies instáveis e 10% do treino em superfícies estáveis. Será que deve ser essa a relação? Não faço ideia, porque isso também vai depender do perfil de movimento de cada indivíduo. Todos os exercícios têm um objetivo, mas de certeza que está de acordo comigo que é o programa no seu todo que faz a diferença. Fundamentalismos à parte, agradeço a intervenção.

      • Realmente há um uso abusivo do treino em plataformas instáveis, mas o que deixas transparecer no teu artigo/opinião é que estas só servem para entreter e que quem as usa só o faz para “show off”. Já fiz uma formação com o Carlos Santana e discuti isso mesmo com ele. Sou professor de educação física, sou treinador pessoal e faço surf. Já treinei surfistas e o uso destas plataformas é fundamental. se outras pessoas, não surfistas, podem usufruir delas? A minha opinião é que sim pois melhora o sistema proprioceptivo, sensomotor e a coordenação. Não acho por isso que sirvam apenas para entreter. Não metam tudo no mesmo saco! Bons treinos!

  2. Bom dia

    Antes de mais quero dar os parabéns, ao prof. Pedro Correia por este blog, pois está um trabalho simplesmente bestial.

    Eu concordo com o Pedro, quando se vê, de facto, um uso abusivo, de plataformas instáveis, em treinos.
    No caso do surf, não sei, pois não sou praticante, nem entendido.
    No caso das artes marciais, tem vantagens, sou praticantes há mais de 20 anos e sou também treinador, e noto melhoria no equilíbrio, e na propriocepção dos alunos, mas também existem outros exercícios de solo, que permitem adquirir as mesmas qualidades.
    No entanto em treinos “normais”, de ginásio, há de facto um uso abusivo das plataformas instáveis, e fazer agachamentos em cima de uma fitball, etc, qual é a probabilidade de um atleta (no caso do surf, artes marciais, futebolista), vir a usar esse movimento, durante uma prova? Talvez uns 0%? Qual é a vantagem que esse exercício dá a uma pessoa, que faço treino funcional, para ter uma melhoria da qualidade de vida?
    Deve-se usar? Sim, sem dúvida; abusar? Não.

    Cumprimentos.

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