A Dieta Humana Perfeita – Documentário

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Tive conhecimento há dias deste documentário e tendo em conta a pertinência dos conteúdos abordados achei que era importante partilhar aqui também.

Já tenho dito várias vezes que não existem dietas perfeitas iguais para toda a gente mas se toda a gente compreendesse um pouco melhor a perspetiva evolucionista no que diz respeito à alimentação, provavelmente não haveria tantos livros de dieta nas prateleiras das livrarias como existem hoje em dia e tanta gente confusa em relação aos alimentos que deve comer, e sobretudo, evitar, para melhorar a saúde e a performance.

Podem ver o documentário no link abaixo, está legendado em português do Brasil (graças ao trabalho do Luiz Schober) e vale muito a pena, muito mais que a larga maioria dos programas de treta que passam na TV. Se ainda acham que a Dieta Paleolítica é a dieta da moda, convém recordar que a mesma já está na moda há mais de dois milhões de anos, muito antes de nos tornarmos agricultores e atletas vorazes da cadeira e/ou sofá.

Ver aqui: The Perfect Human Diet.

Até breve!

O que o seu Dentista (provavelmente) não sabe sobre a origem das suas cáries

O Dr. Weston Price (1870-1948) foi um dentista que ficou conhecido pelas suas teorias holísticas sobre nutrição, saúde dentária e degeneração física.

No livro Nutrition and Physical Degeneration, ele conta os resultados das investigações que fez nos anos 30, quando estudou in vivo as dietas de várias populações isoladas em vários pontos do globo (na Europa, na América do Norte, na Polinésia, em África, na Austrália, na Nova Zelândia e na América do Sul) e a sua relação com a saúde, perfeição dos dentes, desenvolvimento dos ossos da cara e arcada dentária. Price fez uma análise física aos dentes de milhares de indivíduos, fotografou os sujeitos, recolheu informação detalhada sobre os seus menus diários e ainda recolheu amostras de comida e saliva para posterior análise química.

Ele verificou que quando esses povos comiam os alimentos nativos (que estavam disponíveis localmente), eles gozavam de boa saúde física e dentária, com um risco muito baixo de desenvolver cáries dentárias, dentes tortos e outro tipo de patologias. Isto acontecia porque os alimentos consumidos ofereciam uma densidade nutricional elevada (ricos em minerais e vitaminas) e isso tinha um impacto bastante significativo na sua saúde geral e vitalidade.

A alimentação de cada grupo variava em função daquilo que estava disponível localmente, sendo que os alimentos mais comuns eram a carne, o peixe, o marisco, as verduras, as frutas, as raízes, tubérculos e o côco, principalmente nas regiões tropicais da Polinésia.

Até à chegada do “homem branco” tudo estava bem. A partir do momento que essas populações começaram a substituir os alimentos nativos pelos alimentos processados pelo homem (açúcar, farinha refinada, arroz, geleias, doces, enlatados, leite pasteurizado e gorduras vegetais), o Dr. Weston Price constatou um aumento crescente de cáries dentárias, doenças, mal formações ósseas e uma degeneração física sem precedentes.

Na imagem abaixo podemos ver as diferenças na dentição dos nativos da Nova Zelândia, antes de estarem expostos aos alimentos modernizados (à esquerda) e depois de começarem a ingerir farinha refinada e doces (à direita).

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Confrontado com esta situação, Price estudou o perfil nutricional das dietas nativas e das dietas modernas, e verificou que as dietas modernas eram extremamente deficientes em minerais (cálcio, fósforo, ferro, magnésio, cobre, iodo) e nas vitaminas lipossolúveis – A, D, E e K (dez vezes inferior!) e hidrossolúveis – B e C (bastante inferior!).

No seu livro, ele relata ainda alguns casos clínicos que tratou com um programa de nutrição baseado em alimentos reais (i.e. não processados) e em alguns suplementos específicos que ofereciam uma grande prevenção contra as cáries dentárias e outras doenças, como a manteiga (não, infelizmente este não é o mesmo tipo de manteiga que encontramos no supermercardo) e óleo de fígado de bacalhau, isto porque nós precisamos da vitamina A e de outras vitaminas lipossolúveis para absorver os minerais essenciais na manutenção da saúde dentária (cálcio, fósforo e magnésio) e na saúde em geral.

Conclusões:

A saúde dos seus dentes depende daquilo que mete na boca todos os dias, se você comer uma alimentação rica em alimentos que até há 70, 80 anos atrás pouca gente comia (pão, bolos, croissants, farinha, açúcar, cereais, doces, geleias, bolachas, refrigerantes e gorduras vegetais de soja, milho, etc) e que o Homo Erectus seguramente não conseguiria reconhecer como alimentos funcionais, é bastante possível que venha a desenvolver cáries, mal formações dentárias, dores de dentes e tenha que fazer visitas regulares ao dentista e/ou a outros médicos.

Se, por outro lado, apostar numa maior ingestão em alimentos reais, daqueles que foram necessários para a evolução da nossa espécie (carne, peixe, marisco, verduras, frutas, oleaginosas, sementes, raízes e tubérculos) é provável que não tenha necessidade de ir ao dentista tantas vezes ao longo da vida e/ou de levar o seu filho consigo por causa dos “não-alimentos” que ele anda a comer todos os dias.

Termino com as seguintes palavras, que podemos encontrar no fim do livro e que é um sinal premente da nossa modernização (e involução), no que à educação para a saúde diz respeito:

“A civilização do Homem Branco é um fracasso; está visivelmente a desintegrar-se ao nosso redor. Ela falhou em todos os testes cruciais. Ninguém que mede as coisas através de resultados pode questionar este princípio fundamental.”

Até breve!

7 Dicas para Acabar com os seus Cravings

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Para quem não sabe o que são os famigerados cravings, estes são os desejos incontroláveis de comer porcarias, normalmente doces da pior espécie possível e junk food. Todos nós passamos por estas fases de vez em quando, principalmente quando lidamos com momentos de stress na familia, no trabalho e quando nos sentimos mais em baixo.

O segredo para diminuir estes síntomas consiste em adoptar um estilo de vida mais saudável, pró-ativo, onde aprender a cozinhar e levar a comida consigo para o seu local de trabalho pode fazer toda a diferença. Se você fizer isto, você vai conseguir evitar muitas das tentações que a indústria alimentar prepara engenhosamente para si todos os dias. Vamos às dicas.

1. Equilibre os seus níveis de glicémia

As alterações constantes nos seus níveis de glicémia são o maior estímulo aos cravings, portanto sempre que come, tenha a preocupação em manter os seus níveis de glicémia estáveis. Elimine completamente o açúcar, os edulcorantes artificiais, os refrigerantes, os sumos de fruta, e verá os seus desejos incontroláveis a ir embora. Combine proteína de boa qualidade (ovos, peixe, carne de pasto, frango, peru), gordura saudável (pêra abacate, oleaginosas, azeite, sementes, côco) e bons hidratos de carbono (batata doce, verduras, frutas, inhame) em cada refeição para manter os seus níveis de glicémia sempre estáveis e prevenir a inflamação crónica, o assassino silencioso das principais doenças da nossa civilização.

2. Coma um pequeno-almoço nutritivo e rico em proteína

Nós (você e eu!) fomos habituados a pensar que a comida de pequeno almoço teria que ser diferente da comida que comemos ao almoço e ao jantar. Não sei por que motivo as pessoas ainda pensam que o suminho de laranja com uma torrada ou um prato de cereais com leite ao pequeno almoço faz sentido, e um bife ou uma omeleta de manhã com salada ou verduras faz pouco sentido. Aquilo que eu sei é que o típico pequeno almoço que as pessoas comem é o gatilho ideal para deixar o corpo num estado constante de déficit nutricional. Um pequeno almoço rico em proteína vai ajudá-lo(a) a perder peso e a reduzir os ataques de fome durante o dia.

3. Coma proteína e gordura nos seus snacks

Aqui está a parte importante de ser pró-ativo no que diz respeito à saúde. Se você não tiver nada consigo preparado e lhe apetecer comer alguma coisa, quase de certeza que aquilo que vai encontrar não servir as necessidades do seu corpo (e das suas células), que precisa de ser alimentado todos os dias com nutrientes de boa qualidade. Exemplos práticos de snacks que pode comer fora dos períodos das refeições principais e que não vão comprometer os seus níveis de glicémia são: nozes, amêndoas, avelãs, cajus, côco, pêra abacate ou uma barrinha de boa qualidade (veja aqui como pode fazer uma na sua casa).

4. Durma 8 horas por dia

Dormir pouco aumenta a grelina, a hormona da fome (ou seja, quanto menos dormir mais apetite vai sentir), dormir pouco aumenta a resistência à insulina (quanto mais resistente à insulina, mais cravings), dormir pouco aumenta a resistência à leptina, a hormona da saciedade (menos sono = disfunção dos sinais de saciedade do organismo), dormir pouco vai comprometer a regeneração dos tecidos e a desintoxicação natural do corpo, através da melatonina (a melatonina é uma das hormonas da juventude, se você quer manter-se jovem, com uma pele firme e atrativo(a) ao sexo oposto, não brinque com isto!), dormir pouco vai afetar os seus níveis de cortisol e poderá conduzir a um estado de fadiga crónico das glândulas supra-renais (um estado cada vez mais atual nos dias de hoje devido ao stress crónico). Antes que me esqueça, e isto é importante para a malta que quer ficar mais forte, dormir pouco vai também afectar os níveis de testosterona e hormona do crescimento, as principais hormonas anabólicas. Resumindo, dormir pouco vai dar cabo de si, da sua saúde e vai desregular uma série de hormonas fundamentais ao seu bem-estar e longevidade.

5. Controle o Stress

Qualquer coisa que lhe cause stress, vai desencadear uma resposta hormonal para aumentar os cravings. Se você sente necessidade em comer, faça duas questões a si próprio(a): 1) O que é que estou sentindo e 2) O que é que eu preciso? Pode ser que exista algo além da comida que lhe permita satisfazer as suas necessidades. Adote um programa de gestão do stress que inclua exercícios de respiração profundos (aprenda a respirar com o diafragma), meditação e outras técnicas de relaxação. Algumas atividades que lhe podem ajudar neste sentido: Yoga, Pilates e ginástica chinesa.

6. Treine com vontade

O exercício físico ajuda a regular o apetite e é, provavelmente, o estímulo mais potente do ponto de vista fisiológico para aumentar a sensibilidade à insulina (quantos mais permeáveis tornarmos as nossas células à insulina, melhor). Mas não treine para queimar calorias, treine para ficar melhor todos os dias. A grande vantagem de treinar bem (i.e. treinar de forma dedicada) é elevar a sua capacidade funcional para outro nível. Por mais cuidados que você tenha com a sua alimentação, você nunca vai ter o corpo que precisa para prosperar e para fazer tudo aquilo que deseja, cuidando apenas da sua alimentação. A autonomia e liberdade para fazer o que gostamos depende, em grande parte, daquilo que fazemos no treino, se você vai ao ginásio para passar o tempo e está lá quase por obrigação, você não vai ter os resultados desejados. Tenha a preocupação em treinar as capacidades que mais perde ao longo da vida, a mobilidade, a força, a potência, a resistência muscular e deixe as caminhadas como uma alternativa social complementar ao treino – não faça das caminhadas o seu treino!

7. Otimize a sua ingestão de nutrientes

Se você não vive numa quinta, não anda nu(a) na rua e está sujeito(a) aos avanços que têm sido feitos na indústria alimentar, com a proliferação de alimentos processados mas que, curiosamente, são sempre saudáveis (hoje em dia eles até nos querem fazer crer que as batatas fritas caseiras são saudáveis!), o mais provável é que esteja deficiente am alguns nutrientes que têm uma importância acrescida na redução dos cravings, designadamente gorduras ómega-3 e vitamina D. As gorduras ómega-3 são importantes para controlar a função da insulina e podem ser encontradas na sardinha, cavala, salmão selvagem, linhaça e/ou em forma de suplemento. Quanto à vitamina D, a melhor forma de sintetizá-la é mesmo através do sol (cerca de 20 minutos dia parece ser suficiente), portanto aproveite agora o bom tempo, para aumentar os seus níveis de vitamina D, não só para reduzir os cravings, mas essencialmente para prevenir doenças auto-imunes, cancro, diabetes, hipertensão, osteoporose, melhorar a performance e muito mais!

Espero que estas dicas tenham sido úteis.

Até breve!