O que o seu Dentista (provavelmente) não sabe sobre a origem das suas cáries

O Dr. Weston Price (1870-1948) foi um dentista que ficou conhecido pelas suas teorias holísticas sobre nutrição, saúde dentária e degeneração física.

No livro Nutrition and Physical Degeneration, ele conta os resultados das investigações que fez nos anos 30, quando estudou in vivo as dietas de várias populações isoladas em vários pontos do globo (na Europa, na América do Norte, na Polinésia, em África, na Austrália, na Nova Zelândia e na América do Sul) e a sua relação com a saúde, perfeição dos dentes, desenvolvimento dos ossos da cara e arcada dentária. Price fez uma análise física aos dentes de milhares de indivíduos, fotografou os sujeitos, recolheu informação detalhada sobre os seus menus diários e ainda recolheu amostras de comida e saliva para posterior análise química.

Ele verificou que quando esses povos comiam os alimentos nativos (que estavam disponíveis localmente), eles gozavam de boa saúde física e dentária, com um risco muito baixo de desenvolver cáries dentárias, dentes tortos e outro tipo de patologias. Isto acontecia porque os alimentos consumidos ofereciam uma densidade nutricional elevada (ricos em minerais e vitaminas) e isso tinha um impacto bastante significativo na sua saúde geral e vitalidade.

A alimentação de cada grupo variava em função daquilo que estava disponível localmente, sendo que os alimentos mais comuns eram a carne, o peixe, o marisco, as verduras, as frutas, as raízes, tubérculos e o côco, principalmente nas regiões tropicais da Polinésia.

Até à chegada do “homem branco” tudo estava bem. A partir do momento que essas populações começaram a substituir os alimentos nativos pelos alimentos processados pelo homem (açúcar, farinha refinada, arroz, geleias, doces, enlatados, leite pasteurizado e gorduras vegetais), o Dr. Weston Price constatou um aumento crescente de cáries dentárias, doenças, mal formações ósseas e uma degeneração física sem precedentes.

Na imagem abaixo podemos ver as diferenças na dentição dos nativos da Nova Zelândia, antes de estarem expostos aos alimentos modernizados (à esquerda) e depois de começarem a ingerir farinha refinada e doces (à direita).

weston-price-tanden

Confrontado com esta situação, Price estudou o perfil nutricional das dietas nativas e das dietas modernas, e verificou que as dietas modernas eram extremamente deficientes em minerais (cálcio, fósforo, ferro, magnésio, cobre, iodo) e nas vitaminas lipossolúveis – A, D, E e K (dez vezes inferior!) e hidrossolúveis – B e C (bastante inferior!).

No seu livro, ele relata ainda alguns casos clínicos que tratou com um programa de nutrição baseado em alimentos reais (i.e. não processados) e em alguns suplementos específicos que ofereciam uma grande prevenção contra as cáries dentárias e outras doenças, como a manteiga (não, infelizmente este não é o mesmo tipo de manteiga que encontramos no supermercardo) e óleo de fígado de bacalhau, isto porque nós precisamos da vitamina A e de outras vitaminas lipossolúveis para absorver os minerais essenciais na manutenção da saúde dentária (cálcio, fósforo e magnésio) e na saúde em geral.

Conclusões:

A saúde dos seus dentes depende daquilo que mete na boca todos os dias, se você comer uma alimentação rica em alimentos que até há 70, 80 anos atrás pouca gente comia (pão, bolos, croissants, farinha, açúcar, cereais, doces, geleias, bolachas, refrigerantes e gorduras vegetais de soja, milho, etc) e que o Homo Erectus seguramente não conseguiria reconhecer como alimentos funcionais, é bastante possível que venha a desenvolver cáries, mal formações dentárias, dores de dentes e tenha que fazer visitas regulares ao dentista e/ou a outros médicos.

Se, por outro lado, apostar numa maior ingestão em alimentos reais, daqueles que foram necessários para a evolução da nossa espécie (carne, peixe, marisco, verduras, frutas, oleaginosas, sementes, raízes e tubérculos) é provável que não tenha necessidade de ir ao dentista tantas vezes ao longo da vida e/ou de levar o seu filho consigo por causa dos “não-alimentos” que ele anda a comer todos os dias.

Termino com as seguintes palavras, que podemos encontrar no fim do livro e que é um sinal premente da nossa modernização (e involução), no que à educação para a saúde diz respeito:

“A civilização do Homem Branco é um fracasso; está visivelmente a desintegrar-se ao nosso redor. Ela falhou em todos os testes cruciais. Ninguém que mede as coisas através de resultados pode questionar este princípio fundamental.”

Até breve!

7 thoughts on “O que o seu Dentista (provavelmente) não sabe sobre a origem das suas cáries

  1. De assinalar também, que, posteriormente, o dr. Jean Signalet (1936 – 2003) propõe uma alimentação tipo ancestral, para a prevenção de várias doenças. Há ainda, alguns séculos antes, Hipócrates, considerado por muitos o pai da medicina, que dizia: somos aquilo que comemos. Ou seja: a nossa saúde depende em muito da nossa alimentação. Mais recentemente, vários cientistas publicaram vários estudos que demonstram que a alimentação (a má) é a maior causa de doenças, e que, através de uma boa alimentação é possível prevenir e mesmo curar muitas doenças. Mas se assim é, por que não nos alimentamos correctamente? Será que há algo ou alguém que beneficia com a doença?

  2. É incrível verificar nas pessoas, quando o assunto é a alimentação, o poder da tradição e do conformismo. Mas também a informação, como aqui já foi publicado, não está disponível, em contradição com a publicidade abusiva, em níveis comparáveis. Acompanho com todo o interesse este sítio que tem contribuído para enriquecer a minha atitude. Não é fácil, porque tudo o que nos rodeia é contra-indicado. Mas quando se conhecem bem os efeitos, ajuda.
    Parabéns e obrigado!

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