A minha experiência pessoal com o FMS

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Foi há mais de três anos que iniciei a minha experiência com o FMS (Functional Movement Screen) e foi desde essa altura que comecei a olhar para o movimento humano com outros olhos. Por influência das formações que realizei com o Titleist Performance Institute (TPI), foi em 2009/2010 que comecei a ouvir falar no Gray Cook e nesta abordagem para avaliar a qualidade do movimento.

Depois de conhecer esta ferramenta e de estudar a filosofia inerente ao desenvolvimento da mesma, percebi que o FMS não era apenas mais uma ferramenta de trabalho, mas sim uma forma objetiva e simples (não simplista) de medir a qualidade do movimento humano e identificar alguns comportamentos de risco através da avaliação de vários padrões de movimento fundamentais. Afinal, nós somos muito mais que um conjunto de células e bactérias.

Tendo em conta aquilo que fui descobrindo através do meu estudo e da minha prática no terreno, achei que era importante partilhar aquilo que tinha aprendido através do blogue, portanto não foi por acaso que eu destaquei o FMS logo num dos primeiros artigos sobre treino funcional e que o livro Movement está referenciado na minha biblioteca pessoal (sim, eu sei que preciso de atualizar esta secção). Estas foram as minhas palavras há quase três anos atrás: “Se trabalham nesta área não percam mais tempo e vão já pesquisar sobre isto. É mesmo muito importante!”

A filosofia do FMS está muito bem sustentada e vai ao encontro daquilo em que acredito, é preciso uma qualidade mínima de movimento (leia-se mobilidade, estabilidade e controle motor) para praticar desporto e/ou para realizar qualquer atividade recreativa. Isto é válido para desportistas profissionais que pretendem aumentar a longevidade enquanto atletas e/ou para pessoas comuns que pretendem viver com melhor qualidade de vida. Hoje em dia o que não falta são atletas / pessoas a treinar de forma específica sem dominarem os fundamentos.

Da mesma forma que você mede a pressão arterial ou que faz análises clínicas de vez em quando para saber se está bem de saúde, você também deveria ter a preocupação de medir a funcionalidade do seu sistema músculo-esquelético para identificar eventuais desequilíbrios musculares e/ou assimetrias corporais, que podem, na maior parte das vezes, ser corrigidas com uma intervenção competente de profissionais que estudam estas matérias. Não vai ser o seu médico (nem o seu vizinho que vai ao ginásio há muitos anos) que lhe vai ajudar a corrigir o padrão de agachamento ou a melhorar a mobilidade nas ancas para fazer um agachamento completo, por exemplo. A nossa saúde e bem estar geral também contempla o movimento.

Revejo-me nesta abordagem não só pela perspectiva evolucionista e de desenvolvimento neural que sustenta mas também porque a mesma ensina-nos a pensar fora da caixa, a colocar questões e a considerar componentes do movimento que eu nunca teria considerado se não tivesse ido à procura deste caminho. A minha preocupação quando treino pessoas é mostrar-lhes o caminho para a longevidade e para a melhoria da qualidade de vida, honestamente não me interessa para nada quantas calorias é que elas queimam durante o treino, nem a exuberância dos exercícios que elas fazem. Para mim, o mais importante, é fazê-las sentir que conquistaram os movimentos fundamentais para depois fazerem a atividade que mais gostam com maior segurança e prazer.

Com o FMS no meu sistema de avaliação, eu sinto-me mais seguro e consciente do caminho que preciso de traçar (entenda-se programa de treino) e, ao mesmo tempo, perceber se essa pessoa tem alguma disfunção ou limitação física que precise de ser tratada em primeiro lugar num contexto de reabilitação (que não é a minha especialidade).

Finalmente, quero dizer que escrevi este artigo porque acredito que o FMS pode ser uma mais valia para os profissionais que pretendem evoluir nesta área e porque acredito também que, com este novo olhar sobre o movimento, podemos melhorar a nossa intervenção com as pessoas que nos procuram e contribuir genuinamente para a melhoria das suas vidas. Se eu não acreditasse nisto, nem sequer teria perdido tempo a escrever este artigo.

Portanto, agora posso anunciar as boas notícias para quem ainda está a acompanhar este texto.

O FMS Portugal entrou em contacto comigo para partilhar a minha experiência pessoal e quer oferecer 10% de desconto a todos aqueles que leram este post e que pretendem realizar a próxima formação em Maio no Porto. Para isso só precisam de enviar uma mensagem privada para a página oficial do Facebook da formação dizendo que pretendem usufruir do desconto deste post. Este é o link: https://www.facebook.com/functionalmovementPT.

Atenção que esta promoção será válida apenas para novas inscrições.

Aproveitem esta oferta e lembrem-se do seguinte: aqueles que não pensarem de forma diferente estão condenados a repetir os mesmos erros do passado.

Até breve!

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Qual é o seu DRIVE?

Umas das coisas boas deste período de Natal e de fim de ano é que temos mais tempo livre para nos organizarmos e para planearmos o ano seguinte. Para mim este período tem sido particularmente útil para descansar mas também para pôr alguma leitura em dia. Hoje em dia, apesar da grande quantidade de informação disponível, parece que está a ficar cada vez mais difícil de arranjarmos tempo para ler as coisas como deve ser, o que pode ser um indicador perigoso de ignorância colectiva: “Não há diferença entre aquele que não sabe ler e aquele que escolhe não ler. Ambos terminam da mesma forma – ignorantes.”

Para mim 2014 foi um ano de grande realização pessoal e profissional apesar de um pequeno contratempo que tive que enfrentar em Março deste ano. A jogar futebol com os amigos fiz uma rotura do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco interno no meu joelho esquerdo – para quem não sabe esta é a típica “lesão grave” dos futebolistas e que os impede de jogar pelo menos durante seis meses. Como devem calcular isto doeu um bocadinho e os dias de recuperação após a cirurgia foram bastante díficeis, já que a minha capacidade de locomoção ficou severamente afectada. Perante este cenário, tive que parar de dar treinos durante algum tempo, apostar na minha reabilitação e aproveitar para fazer outras coisas para as quais não teria tempo se isto não tivesse acontecido. Nem tudo foi mau :).

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Voltando ao primeiro parágrafo, um dos últimos livros que li durante este período de Natal / fim de ano foi o Drive do Daniel H. Pink. O autor fala-nos sobre motivação e apresenta-nos uma perspetiva interessante da diferença que existe entre aquilo que a evidência científica nos diz em relação à motivação dos seres humanos e aquilo que a maior parte das empresas faz. Os seres humanos têm basicamente três drives: 1) o drive que inclui a fome, sede e sexo; 2) o drive para responder às recompensas e castigos no nosso ambiente de trabalho (ou vida em geral) e 3) o drive a que os cientistas chamam de motivação intrínseca e que será, provavelmente, o mais poderoso de todos.

Portanto, partindo deste raciocínio, o autor divide a motivação em três fases: a motivação 1.0 está associada à sobrevivência; a motivação 2.0 está identificada pela resposta das pessoas às recompensas externas e/ou castigos; e a  motivação 3.0, a tal motivação intrínseca que está referenciada como um upgrade da anterior e aquela que faz realmente a diferença – se calhar era boa ideia que os nossos políticos corruptos e incompetentes lessem este livro. Partindo do princípio que todos nós temos os fenómenos associados com a sobrevivência assegurados (motivação 1.0), a diferença de drive dos seres humanos assenta sobretudo entre a motivação 2.0 – a motivação por via das recompensas / castigos (motivação extrínseca) e a motivação 3-0 – a motivação por via da satisfação inerente à atividade propriamente dita (motivação intrínseca). O autor apresenta-nos vários estudos interessantes, a comprovar que as pessoas que são motivadas por algum tipo de recompensa externa não são as mais felizes, nem aquelas que se destacam mais nas suas áreas de intervenção – o tal drive que vem do interior é que faz a diferença. Aqueles que procuram o sucesso per si, não são aqueles que acabam por ter maior sucesso.

Mas será que precisamos de estudos para comprovar que aquilo que nos faz levantar da cama de manhã é o que faz a diferença na forma como realizamos o nosso trabalho? Será que precisamos de estudos a mostrar evidência que aquilo que gostamos de fazer é aquilo que nos faz prosperar e viver a vida nos nossos sonhos? Eu acho que não é necessário chegarmos a este ponto, e se você pensar bem, não há nenhum estudo a comprovar que você ama os seus pais, avós, o seu irmão/irmã, o seu filho e/ou a sua esposa – se você é um ser humano normal eu não tenho dúvidas nenhumas que você gosta genuinamente destas pessoas. Isto para mim parece-me lógico, nós vamos sempre fazer mais e viver melhor se gostarmos genuinamente daquilo que fazemos, é isto que cada um de nós deve tentar buscar para a sua vida.

Se tiver tempo (e se ainda não viu) veja esta TED Talk do Mihaly Czikszentmihalyi: Flow The Secret to Happiness.

Agora que entramos em 2015, aproveite para escrever calmamente os seus objetivos para este novo ano, vá fazendo uma lista dos projetos que gostaria de realizar durante a sua vida, procure um tempo para si, pense naquilo que tem à sua volta e naquilo que gostaria de ter, beba água durante o processo, pense no sentido da sua existência, no seu propósito, cuide da sua saúde, ajude os seus amigos / familiares, e por favor não seja daquelas pessoas que se inscreve no ginásio em Janeiro e depois desiste em Março. Seja consistente nos seus pensamentos, mas sobretudo nas suas ações, é aqui que reside a diferença entre aqueles que conseguem alcançar os objetivos e aqueles que não conseguem.

Desejo um Feliz Ano Novo a todos, cheio de saúde, energia e FORÇA.

Até breve!

Referências

Pink, D,. Drive. The Surprising Truth About What Motivates Us. Riverhead Books. (2011).