Qual é o seu DRIVE?

Umas das coisas boas deste período de Natal e de fim de ano é que temos mais tempo livre para nos organizarmos e para planearmos o ano seguinte. Para mim este período tem sido particularmente útil para descansar mas também para pôr alguma leitura em dia. Hoje em dia, apesar da grande quantidade de informação disponível, parece que está a ficar cada vez mais difícil de arranjarmos tempo para ler as coisas como deve ser, o que pode ser um indicador perigoso de ignorância colectiva: “Não há diferença entre aquele que não sabe ler e aquele que escolhe não ler. Ambos terminam da mesma forma – ignorantes.”

Para mim 2014 foi um ano de grande realização pessoal e profissional apesar de um pequeno contratempo que tive que enfrentar em Março deste ano. A jogar futebol com os amigos fiz uma rotura do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco interno no meu joelho esquerdo – para quem não sabe esta é a típica “lesão grave” dos futebolistas e que os impede de jogar pelo menos durante seis meses. Como devem calcular isto doeu um bocadinho e os dias de recuperação após a cirurgia foram bastante díficeis, já que a minha capacidade de locomoção ficou severamente afectada. Perante este cenário, tive que parar de dar treinos durante algum tempo, apostar na minha reabilitação e aproveitar para fazer outras coisas para as quais não teria tempo se isto não tivesse acontecido. Nem tudo foi mau🙂.

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Voltando ao primeiro parágrafo, um dos últimos livros que li durante este período de Natal / fim de ano foi o Drive do Daniel H. Pink. O autor fala-nos sobre motivação e apresenta-nos uma perspetiva interessante da diferença que existe entre aquilo que a evidência científica nos diz em relação à motivação dos seres humanos e aquilo que a maior parte das empresas faz. Os seres humanos têm basicamente três drives: 1) o drive que inclui a fome, sede e sexo; 2) o drive para responder às recompensas e castigos no nosso ambiente de trabalho (ou vida em geral) e 3) o drive a que os cientistas chamam de motivação intrínseca e que será, provavelmente, o mais poderoso de todos.

Portanto, partindo deste raciocínio, o autor divide a motivação em três fases: a motivação 1.0 está associada à sobrevivência; a motivação 2.0 está identificada pela resposta das pessoas às recompensas externas e/ou castigos; e a  motivação 3.0, a tal motivação intrínseca que está referenciada como um upgrade da anterior e aquela que faz realmente a diferença – se calhar era boa ideia que os nossos políticos corruptos e incompetentes lessem este livro. Partindo do princípio que todos nós temos os fenómenos associados com a sobrevivência assegurados (motivação 1.0), a diferença de drive dos seres humanos assenta sobretudo entre a motivação 2.0 – a motivação por via das recompensas / castigos (motivação extrínseca) e a motivação 3-0 – a motivação por via da satisfação inerente à atividade propriamente dita (motivação intrínseca). O autor apresenta-nos vários estudos interessantes, a comprovar que as pessoas que são motivadas por algum tipo de recompensa externa não são as mais felizes, nem aquelas que se destacam mais nas suas áreas de intervenção – o tal drive que vem do interior é que faz a diferença. Aqueles que procuram o sucesso per si, não são aqueles que acabam por ter maior sucesso.

Mas será que precisamos de estudos para comprovar que aquilo que nos faz levantar da cama de manhã é o que faz a diferença na forma como realizamos o nosso trabalho? Será que precisamos de estudos a mostrar evidência que aquilo que gostamos de fazer é aquilo que nos faz prosperar e viver a vida nos nossos sonhos? Eu acho que não é necessário chegarmos a este ponto, e se você pensar bem, não há nenhum estudo a comprovar que você ama os seus pais, avós, o seu irmão/irmã, o seu filho e/ou a sua esposa – se você é um ser humano normal eu não tenho dúvidas nenhumas que você gosta genuinamente destas pessoas. Isto para mim parece-me lógico, nós vamos sempre fazer mais e viver melhor se gostarmos genuinamente daquilo que fazemos, é isto que cada um de nós deve tentar buscar para a sua vida.

Se tiver tempo (e se ainda não viu) veja esta TED Talk do Mihaly Czikszentmihalyi: Flow The Secret to Happiness.

Agora que entramos em 2015, aproveite para escrever calmamente os seus objetivos para este novo ano, vá fazendo uma lista dos projetos que gostaria de realizar durante a sua vida, procure um tempo para si, pense naquilo que tem à sua volta e naquilo que gostaria de ter, beba água durante o processo, pense no sentido da sua existência, no seu propósito, cuide da sua saúde, ajude os seus amigos / familiares, e por favor não seja daquelas pessoas que se inscreve no ginásio em Janeiro e depois desiste em Março. Seja consistente nos seus pensamentos, mas sobretudo nas suas ações, é aqui que reside a diferença entre aqueles que conseguem alcançar os objetivos e aqueles que não conseguem.

Desejo um Feliz Ano Novo a todos, cheio de saúde, energia e FORÇA.

Até breve!

Referências

Pink, D,. Drive. The Surprising Truth About What Motivates Us. Riverhead Books. (2011).

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