Impact Whey Isolate – Review

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Há algum tempo atrás a marca Myprotein entrou em contacto comigo para experimentar um produto deles e para dar a minha opinião. A Myprotein é a marca número um no Reino Unido em nutrição desportiva e parece estar em franca expansão na Europa. Podem visitar o seu site em português no seguinte link: http://pt.myprotein.com/home.dept.

A Impact Whey Protein Isolate é uma proteína do soro de leite isolada não desnaturada com um teor proteico de mais de 90% e com um teor muito baixo em hidratos de carbono e gorduras, mais baixo que a maioria das proteínas conhecidas. Esta fonte de proteína é a forma mais avançada de whey protein isolado, e é derivada de queijo vegetariano, obtido diretamente do produtor que é lider mundial dos produtores de proteína de soro de leite.

Portanto, além de ter um teor proteico bastante elevado, quando comparado com outras proteínas, a whey protein isolada tem também um alto teor de aminoácidos essenciais (destaque para os BCAA’s: 10,6g de leucina, 6,4g de isoleucina e 5,9g de valina) e não-essenciais. Ao contrário da CrossGen Beef Protein, esta marca disponibiliza a informação referente ao perfil de aminoácidos e isto é sempre bom sinal – quanto mais transparente for a marca melhor para todos. Para quem estiver interessado, essa informação está disponível aqui.

Para quem gosta de variar e experimentar sabores novos esta proteína tem mais de 30 sabores disponíveis (a que eu escolhi foi a de chocolate natural), no entanto, tenha em conta que as opções com sabores têm uma redução de aproximadamente 3% do seu conteúdo em proteína e de 8% nas opções com chocolate devido ao cacau. Outro ponto a favor é que a marca também alerta-nos neste sentido. Em relação aos aromatizantes / adoçantes, isso é algo que está presente em todas as opções com sabores, por isso se quer optar pela versão mais saudável, opte por aquela sem sabor e depois adicione um pouco de fruta fresca em casa.

Quanto ao sabor que escolhi (chocolate natural) gostei e devo dizer que, das proteínas com sabor a chocolate que já experimentei (e que não foram assim tantas quanto isso), esta foi, provavelmente, aquela com um sabor mais autêntico a chocolate. Apesar de ainda considerar que a mesma é doce, não a achei excessivamente doce. Se a marca decidir fabricar uma proteína destas sem adoçante, e só com o sabor a chocolate, é provável que eu venha a ser um dos seus maiores fãs – eu gosto de chocolate :).

Portanto, atendendo ao facto que a proteína whey isolada parece continuar a ser a proteína de excelência no que diz respeito à sua biodisponibilidade (isto para quem não tem intolerâncias ou alergias alimentares) e à transparência revelada pela marca Myprotein, eu acredito que esta poderá ser uma boa alternativa para tomar no pós-treino e/ou para tomar de acordo com as necessidades de cada um.

Para finalizar, e tendo em conta a grande diversidade na gama Myprotein, também já tenho recomendado alguns produtos desta marca aos meus clientes / atletas. Julgo que temos aqui uma marca credível e de confiança – esperemos que continuem assim.

Até breve e bons treinos!

Fat Burn Boot Camp 5th Edition

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FAT BURN BOOT CAMP (18 ABRIL – 11 JULHO, LISBOA)

O QUE É O FAT BURN BOOT CAMP? EM QUE CONSISTE?

O Fat Burn Boot Camp é um conceito de treino inovador que tem como objectivos queimar gordura, tonificar o corpo e aumentar os níveis de força e energia, através da aprendizagem  de movimentos funcionais e fundamentais para a sua vida (andar, agachar-se, levantar-se, empurrar, puxar, rodar, correr, saltar, lançar, etc.).

Apesar do nome “Boot Camp” poder fazer lembrar aquilo que se faz no meio militar, este evento vai ter características diferentes, uma vez que o treino e os exercícios serão adaptados à capacidade física de cada pessoa. Um dos objetivos principais é, obviamente, queimar gordura, mas mais importante que isso, é termos a certeza que vai melhorar a sua saúde e composição corporal sem comprometer a sua integridade física. Ou seja, queremos ajudá-lo(a) a alcançar esses resultados, sem que para isso tenha que saltar 500 vezes e/ou a fazer 500 flexões na mesma sessão de treino (ao estilo do que já vimos no Biggest Loser)!

O Fat Burn Boot Camp consiste na prática de treino físico em grupo com a orientação de profissionais qualificados, através da realização de exercícios funcionais com o peso corporal e outro tipo de equipamento desportivo. O tipo de treino inclui trabalho de estabilidade, mobilidade, equilíbrio, força, velocidade, potência, agilidade, core e resistência muscular, isto é, todos os atributos físicos que precisa para ter mais autonomia e maior qualidade de vida.

As sessões terão uma duração aproximada de 60 minutos e serão realizadas ao ar livre de uma forma intensa (e igualmente divertida) porque estamos conscientes que só assim é que é possível atingir os resultados que deseja. Portanto, vai ter a oportunidade de treinar bem e divertir-se ao mesmo tempo que queima gordura! Não acha espectacular?

PORQUÊ O FAT BURN BOOT CAMP E NĀO OUTRO BOOT CAMP QUALQUER?

Além das características descritas acima, é preciso destacar que o programa de treinos que temos para si não se esgota nas sessões de treino propriamente ditas. Como um dos nossos objectivos é garantir que alcança resultados mensuráveis, não podemos ignorar aquilo que come todos os dias. Desta forma, vamos encorajá-lo(a) a fazer algumas melhorias a nível nutricional e vamos dar-lhe um programa para que possa realizar em casa durante a semana. Se não tiver pachorra para treinar sozinho(a) arranje um familiar ou amigo para treinar consigo!

Sabemos que tudo isto envolve algum esforço e disciplina (e temos noção que estas coisas podem ser difíceis de cumprir), mas acreditamos profundamente que este tipo de investimento compensa – afinal de contas aquilo que lhe estamos a oferecer é uma oportunidade para melhorar a sua qualidade de vida.

O QUE PODE ESPERAR DO PROGRAMA FAT BURN BOOT CAMP?

  • Uma melhoria da sua saúde e condição física.
  • Uma mudança na sua composição corporal.
  • Mais energia e vigor para a vida – um regresso à sua juventude!
  • Uma dose de olhares invejosos quando for à praia.
  • Melhor tom de pele como resultado da libertação de toxinas.
  • Uma melhoria nos seus padrões de sono.
  • Uma melhoria da sua auto-estima quando olhar para o espelho.
  • Um corpo mais tonificado.
  • Uma melhoria na sua performance sexual.
  • Uma melhoria da sua qualidade de vida.

QUEM PODE PARTICIPAR?

Todas as pessoas com idade superior a 18 anos de ambos os géneros e que não tenham qualquer problema de saúde conhecido.

NOTA IMPORTANTE: O Fat Burn Boot Camp destina-se apenas àquelas pessoas que estão seriamente comprometidas em melhorar a sua saúde e a sua condição física. Queremos sentir a sua energia positiva e o seu entusiasmo, portanto os queixinhas e os resmungões não precisam de se inscrever.

QUAIS OS LOCAIS / DATAS / HORÁRIOS?

O Fat Burn Boot Camp terá uma duração de 13 semanas, de 18 de Abril a 11 de Julho de 2015, e decorrerá todos os sábados de manhã no Parque Urbano do Jamor. Existem também alternativas (ver programas abaixo) para aqueles que não se querem comprometer com o programa de 13 semanas, no entanto, este é o programa de MELHOR VALOR e que recomendamos a todos aqueles(as) que pretendem transformar o seu corpo e a sua vida!

Vamos abrir as inscrições para três grupos, com sessões de treino às 9h, às 10h30 e às 12h. O número mínimo de participantes para a realização deste Programa (por grupo) é de oito pessoas. No caso de não se verificarem inscrições suficientes, esse horário será cancelado.

COMO SE PODE INSCREVER?

As inscrições decorrerão até ao próximo dia 13 de Abril (segunda-feira).

Para formalizar a sua inscrição só tem que enviar um e-mail a fatburnbootcamp13@gmail.com com o seu nome, número de telefone e horário em que pretende treinar (isto no caso daqueles que vão fazer o nível principiante – ver abaixo). Note que as mesmas só serão consideradas válidas após o envio do comprovativo de transferência bancária para o e-mail.

O número de vagas é limitado, pelo que recomendamos que garanta o seu espaço com a maior antecedência possível.

QUAIS OS PROGRAMAS? O QUE ESTÁ INCLUÍDO?

1) Fat Burn Boot Camp Nível Principiante (13 sessões/13 semanas): 195€ total (65€/mês)

* Este é o programa que precisa de fazer para ver resultados significativos e para transformar o seu corpo e a sua vida.

Destinatários: Para aquelas pessoas que nunca participaram no Fat Burn Boot Camp ou que fizeram apenas uma vez o Programa anterior de 12 semanas.

Horários disponíveis: 10h30 ou 12h.

Inclui:

  • Sessão de Orientação/Avaliação
  • Uma sessão de treino em grupo por semana (máx: 12 pessoas)
  • Medição mensal do peso e perímetro de cintura
  • Aconselhamento Nutricional
  • Programa de treino para realizar em casa durante a semana
  • T-shirt oficial do evento.

2) Fat Burn Boot Camp Nível Intermédio (13 sessões/13 semanas): 195€ total (65€/mês)

* Este é o programa direccionado para aqueles que já possuem a competência de movimento mínima e a capacidade física para tolerar novos desafios. 

Destinatários: Para aquelas pessoas que já fizeram pelo menos duas vezes o Programa de 12 semanas e que se têm mantido fisicamente ativas. A inclusão neste Programa estará sujeita à avaliação dos treinadores.

Horário disponível: 9h00.

Inclui:

  • Sessão de Orientação/Avaliação
  • Uma sessão de treino em grupo por semana (máx: 12 pessoas)
  • Medição mensal do peso e perímetro de cintura.
  • Aconselhamento Nutricional
  • Programa de treino para realizar em casa durante a semana
  • T-shirt oficial do evento.

3) Programa Mensal (4 sessões/4 semanas): 65€

*Para aqueles que não podem fazer o programa de 12 semanas, por motivos laborais e/ou outros. Vai notar algumas melhorias, mas nada que tenham a ver com o programa anterior.

Inclui:

  • Uma sessão de treino em grupo por semana (máx: 12 pessoas)
  • Medição do peso e perímetro de cintura, no início e no fim do mês.
  • Programa de treino para realizar em casa durante a semana.

4) Sessão individual: 15€

*Para aqueles que não podem fazer nenhum dos anteriores mas que ainda assim pretendem experimentar uma sessão de treino completamente diferente daquilo que estão habituados.

NOTA: Para as pessoas que têm objetivos mais específicos e que pretendem progredir de uma forma mais rápida, existe uma opção para aconselhamento personalizado, que está disponível através de consulta. Entre em contacto connosco para saber mais detalhes.

COMO SE PROCESSAM OS PAGAMENTOS?

O pagamento deverá ser efectuado por transferência bancária para o NIB 0065 0922 00114720000 71, com a indicação do serviço/programa que pretende.

No caso do programa de 13 semanas, os pagamentos devem ser efectuados mensalmente (65€/mês) até o dia 15 do mês de Maio e Junho. No primeiro mês (Abril), o pagamento deverá acontecer juntamente com a inscrição.

No caso do programa de 4 semanas, o pagamento de 65€ deverá ser efectuado previamente aquando do momento da inscrição. Precisará de confirmar connosco o dia em que pretende iniciar o Programa mas tenha em conta que este deverá ser realizado em quatro semanas seguidas.

No caso das sessões individuais, o pagamento de 15€ deverá ser efectuado previamente aquando do momento da inscrição. Precisará de confirmar connosco o dia em que pretende realizar o treino.

NOTA 1: Tendo em conta os objetivos do programa e a limitação de lugares, vamos dar prioridade às pessoas que se inscreverem para o programa completo de 13 sessões.

NOTA 2: Os participantes são responsáveis por enviar o comprovativo de pagamento até à(s) data(s) indicadas.

QUE EQUIPAMENTO DEVO LEVAR?

Recomendamos que traga roupa desportiva, uma toalha (para não sujar o banco do seu carro quando for para casa) e, muito importante, uma garrafa de água. O nosso corpo e tecido cerebral são compostos por mais de 75% de água e o tipo de treino que vai fazer requer que se hidrate com alguma frequência. Portanto, TRAGA ÁGUA!

PROOFISSIONAIS RESPONSÁVEIS

Pedro Correia (https://pedrocorreiatraining.wordpress.com/)

Gil Delgado

Nuno Correia (http://nunocorreiaperformance.com/)

CONTACTOS

Facebook: https://www.facebook.com/fatburnbootcamp

E-mail: fatburnbootcamp13@gmail.com

OUTROS ASSUNTOS

A organização reserva o direito de alterar ou modificar quaisquer regras, assim como locais e/ou datas, em casos de extrema necessidade, de modo a não pôr em causa a segurança dos participantes.

Ângulo de Coluna Inverso / Reverse Spine Angle

Reverse Spine Angle

O ângulo de coluna inverso é, provavelmente, a causa principal das lesões nas costas no golfe e pode ser definido como um movimento excessivo para a esquerda (golfistas dextros) da parte superior do corpo no final do backswing. Esta caraterística de swing torna muito difícil a realização do downswing na sequência correta porque esta posição da coluna vai limitar o movimento de rotação das ancas. Se se recorda as ancas devem ser o primeiro segmento corporal a entrar em ação no downswing. Depois seguem-se o tronco, os braços e o taco de golfe. Quando as ancas não estão em posição de realizar o seu trabalho devidamente, vamos observar uma tendência do tronco para dominar o movimento, isto vai comprometer a sua eficiência de swing e pode mesmo ser a causa principal das suas dores na região lombar – no caso dos jogadores dextros, é importante referir que as forças compressivas na coluna são mais evidentes do lado direito porque é quando acontece o momento do impacto.

Para quem tiver interesse em melhorar a funcionalidade do seu corpo para o golfe, aqui fica o link para o resto do artigo (págs. 22-24) que escrevi para a revista Golfe Press (edição de Março) e algumas dicas de exercícios para corrigir esta limitação física.

Ver aqui: Ângulo de Coluna Inverso / Reverse Spine Angle.

Até breve e boas tacadas!

Que Futuro para a Educação Física?

Nick Wasik

“Nenhum cidadão tem o direito de ser um amador em relação às questões do treino físico…que desgraça seria para um homem envelhecer sem nunca ver a beleza e a força que o seu corpo é capaz.”

– Sócrates (469 a.C. – 399 a.C.)

No início deste ano foi noticiado no jornal Público que a Educação Física nas escolas era o elo mais fraco e que os professores de Educação Física estavam indignados com aquilo que estava a acontecer à disciplina. Segundo aquilo que sei os professores já estão indignados há muito tempo com esta situação e eu percebo porquê, ninguém no seu perfeito juízo poderia pensar que a disciplina de Educação Física é menos importante que a Matemática ou que o Português. A questão é esta: será que para termos uma sociedade evoluída podemos vilipendiar o papel da Educação Física na formação dos nossos alunos? Será mais importante termos seres humanos obesos/doentes e com hábitos de vida sedentários ou seres humanos em boa forma física com hábitos de vida saudáveis? Pense nisto por um momento: quais serão aqueles seres humanos que terão maior probabilidade de contribuir para o enriquecimento da nossa cultura? Sim, estou a falar de cultura.

Num estudo efectuado pela Faculdade de Motricidade Humana entre 2007 e 2012 (em 3000 alunos do 3º ciclo de 13 escolas do Concelho de Oeiras), verificou-se que os alunos que fizeram mais exercício físico tiveram um maior aproveitamento nas disciplinas de Matemática, Português, Ciências e Inglês. Noutro estudo (LINK) publicado pelo British Journal of Sports Medicine em 2013, verificou-se algo semelhante, a performance a longo prazo dos alunos melhorou quando os mesmos fizeram exercício físico diário moderado e vigoroso. Estes estudos devem dar suporte à ideia que a Educação Física tem um papel fundamental no desenvolvimento equilibrado de um ser humano. Provavelmente um ser humano mais competente do ponto de vista físico será também um ser humano mais competente do ponto de vista intelectual, social e emocional.

O médico psiquiatra John Ratey da Harvard Medical School refere que o exercício físico é a ferramenta mais poderosa que temos à nossa disposição para otimizar a função cerebral e para combater a depressão. A premissa é esta: o exercício físico (i.e. o movimento) vai causar a libertação de várias hormonas, neurotransmissores e factores de crescimento que vão melhorar o ambiente interno do cérebro. Se você está interessado em saber mais sobre isto, eu não posso deixar de recomendar o seu livro Spark: The Revolutionary New Science of Exercise and the Brain e/ou esta TED Talk de 10 minutos.

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E agora você pergunta (com a natural preocupação de uma mãe ou pai que deseja o melhor para os seus filhos) – será que o meu filho precisa de jogar futebol nas aulas de Educação Física para se converter num ser humano mais equilibrado? Será que o meu filho precisa de ser um aluno exemplar na execução de uma habilidade técnica específica de uma determinada modalidade desportiva, como por exemplo um lançamento na passada no basquetebol? A minha opinião em relação a isto é esta: o objetivo da Educação Física não é expôr os alunos a bolas de diferentes tamanhos e a diferentes modalidades desportivas na esperança que eles venham a gostar de fazer desporto. Eu não digo que isto não possa acontecer com a finalidade de introduzir alguma variedade nas aulas, mas isto não pode ser de forma alguma o objetivo central das aulas de Educação Física, há coisas mais importantes para fazer.

A Educação Física não é futebol, não é basquetebol, não é voleibol ou qualquer outra modalidade específica. Estas modalidades e o treino das respetivas habilidades técnicas específicas “treinam-se” nos Clubes Desportivos. Este modelo baseado no Desporto não está a resultar. Este tem sido o modelo predominante nos últimos anos e a julgar pelos níveis de obesidade em crianças (LINK) e adultos (LINK) isto não parece estar a resultar. A maior parte dos adultos de hoje que seguiram este modelo são obesos, diabéticos, sedentários e provavelmente nem reconhecem o valor da disciplina de Educação Física nas escolas (e por isto é que esta disciplina é vista  de uma forma recreativa!). As pessoas ainda pensam que o simples facto de ter os seus filhos a praticar desporto é saudável. Mas será saudável vermos pessoas que tiveram uma prática desportiva acentuada enquanto jovens converterem-se em indívíduos sedentários quando são adultos? Será saudável vermos individuos obesos a jogar futebol ou qualquer outra modalidade desportiva que exija uma competência de movimento mínima e uma capacidade física razoável para tolerar o stress que é imputado ao seu sistema músculo-esquelético? Provavelmente não.

Disclaimer: Como esta poderá ser a primeira vez que o leitor aterra neste blogue, eu não estou a sugerir de forma alguma que a culpa de vermos tantas pessoas gordas e doentes hoje em dia tenha a ver somente com a falta de exercício físico, a causa é multi-factorial. Como deve calcular a nutrição tem um papel básico a este nível (eu acredito que isto é um bom começo: 7 Mentiras sobre Nutrição que estão a tornar as pessoas mais gordas e doentes).

O objetivo das aulas de Educação Física deverá ser educar os alunos no sentido de criarem hábitos de vida saudáveis, começando por melhorar a sua Literacia Física (este conceito é bem mais vasto que dar uns saltos e uns pontapés na bola). Nós precisamos de abrir as vias de aprendizagem motora dos nossos alunos, o facto de vivermos hoje em dia num ambiente em que não é necessário ter um corpo em bom estado para sermos bem sucedidos, leva grande parte das pessoas a pensar que a prática de exercício físico não é fundamental. Hoje os jovens e adultos movem-se cada vez menos e cada vez pior. O ambiente a que nós estamos expostos fomenta o sedentarismo e a doença. Mas a verdade é que a prática de exercício físico é fundamental para sermos um ser humano equilibrado, ou seja, quando olhamos para a história do nosso corpo, constatamos que o mesmo desenvolveu-se com o movimento – nós não estamos adaptados ao sedentarismo e à obesidade.

Na minha opinião, a Educação Física precisa de emergir para um Modelo baseado na Saúde, na qualidade de Movimento e no Desenvolvimento atlético. Neste modelo os alunos aprendem as bases dos vários padrões de movimento, os princípios básicos de fisiologia do exercício, de anatomia funcional, os princípios básicos de uma nutrição saudável (podemos pedir ajuda a nutricionistas), treinam as diferentes capacidades físicas (força, potência, resistência, velocidade, agilidade, coordenação) relacionadas com a sua performance na vida e não apenas nas suas modalidades – estas coisas são mais valiosas a longo prazo que aprender um lançamento na passada ou que fazer um passe com a parte externa do pé.

Obviamente que a estrutura das aulas deveria ser adaptada em função das idades dos alunos, por isso o ideal seria começar através de jogos, de circuitos, com um maior enfoque no desenvolvimento das habilidades motoras básicas (nos diferentes padrões de locomoção, na estabilidade corporal, na manipulação/controle de objetos, na percepção espacial e cinestésica) e evoluir no ensino secundário para o aperfeiçoamento dos padrões de movimento fundamentais, para o desenvolvimento das diferentes capacidades físicas e para a integração de alguns princípios básicos de nutrição, de fisiologia e de anatomia funcional. Desta forma, os alunos que não praticam desporto, estariam motivados para aprender como é que deveriam cuidar do seu corpo para o resto das suas vidas e os alunos desportistas estariam motivados para melhorar a sua performance desportiva. Assim, todos os alunos poderiam melhorar por razões individuais e, em poucas décadas, teríamos adultos que iriam valorizar os ensinamentos das aulas de Educação Física na promoção da sua saúde e da sua performance.

É por este impacto positivo na Saúde que eu acredito que este Modelo de Educação Física tem o potencial para se tornar na disciplina mais importante na vida de uma pessoa. E se você não acredita em mim, olhe em seu redor (mesmo na sua família) e contabilize o número de pessoas que estão obesas, doentes, debilitadas, sarcopénicas, com dores nas articulações, com dores nas costas, deprimidas, e que não sabem o que fazer quando precisam de resolver os seus problemas físicos.

“Todos aqueles que meditaram sobre a arte de governar a humanidade ficaram convencidos que o destino do império depende da educação de cada pessoa.”

– Aristóteles (384 a.C.- 322 a.C.)

Para a nossa sociedade e cultura evoluírem, nós precisamos de seres humanos saudáveis, nós precisamos de pessoas com capacidade de resolver os seus problemas físicos e com uma atitude pró-ativa no que diz respeito à sua saúde. Nós não precisamos de políticos incompetentes (e fisicamente iletrados) a ditar se a Educação Física deve ou não contar para a média de um aluno, sem que percebam as consequências devastadoras que essas decisões podem ter na evolução cultural da nossa sociedade e humanidade.

Até breve!