FED UP – Documentário sobre Obesidade

FEDUP_DVDs

Hoje partilho convosco (de forma gratuita) o documentário FED UP, um documentário sobre a obesidade que retrata muito bem que o problema principal que vivemos hoje em dia não é o excesso de calorias, nem a falta de força de vontade das pessoas que estão doentes, mas antes a forma como a indústria de junk food nos tenta manipular todos os dias, com a triste conivência das associações/responsáveis governamentais. 

Se não tiverem tempo para ver o documentário na íntegra neste momento, podem ver aqui o trailer oficial e ver o filme mais tarde. 

Todos aqueles que já são pais e/ou que pretendem ser pais e que zelam e/ou pretendem zelar pela saúde dos seus filhos deveriam ver este filme. 

Ou seja, o problema não é o excesso de calorias, o problema é o excesso de calorias de má qualidade que estão disponíveis em demasiados “produtos alimentares”.

Ver aqui: FED UP.

Gostava de saber os vossos comentários.

Até breve!

Anúncios

Açúcar: será que precisamos dele?

O professor britânico John Yudkin (1910-1995) escreveu o seguinte no seu livro Pure, White and Deadly, em 1972: “Não há uma necessidade fisiológica para consumir açúcar; todas as necessidades nutricionais do ser humano podem ser salvaguardadas sem tomar uma única colher de açúcar, seja branco, castanho ou cru, por si só, ou em qualquer alimento ou bebida”. Tal como o grande Galileu, Yudkin parece que também estava demasiado à frente do seu tempo, ninguém lhe ouvia nessa altura.

A nossa dieta mudou de forma dramática nos últimos 200 anos, por altura da Revolução Industrial. Se olharmos para o gráfico abaixo, podemos verificar a evolução no consumo de açúcar ao longo deste período. Se em 1800, o consumo médio de açúcar andava à volta dos 4,5 quilos/ano, hoje podemos ver que este número subiu para mais de 60 quilos/ano!

article-2570081-1BE8941000000578-951_634x424

Não é difícil perceber a associação existente entre o consumo de açúcar e a obesidade, aliás o gráfico acima ilustra muito bem essa associação. O que é difícil perceber é como é que esta situação não foi devidamente abordada quando a USDA definiu as suas guidelines nutricionais em 1977. Na altura o enfoque foi cortar na gordura (foi por volta dos anos 80 que começaram a proliferar os alimentos low fat) e é curioso verificar que foi a partir dessa data que começou a nascer um novo mundo gordo, doente e com pouco vigor. E, desde então, a mensagem que tem sido veiculada por todo o lado, é que a gordura é a má da fita e que é preciso ter muito cuidado com ela para não sofrermos um ataque cardíaco. Já passaram 30 anos!

Nota do Pedro: Obviamente que não foi apenas o açúcar o agente causador destes danos na nossa saúde e no que à alimentação diz respeito, é preciso olhar também para o aumento no consumo de cereais, lacticínios, carnes processadas, alimentos refinados, óleos vegetais refinados, óleos hidrogenados, álcool, sal refinado, todos estes são factores importantes a ter em conta.

É curioso verificar que as mesmas pessoas que nos dizem que a gordura vai entupir as nossas artérias, não têm qualquer problema em comer pão, cereais integrais, bolachas maria e leite pasteurizado, alimentos aparentemente saudáveis para alguns nutricionistas e profissionais de saúde, mas que, por mero acaso, têm uma ação hormonal pró-inflamatória e catalisadora da glicação, um processo que acontece no nosso corpo quando existe demasiado açúcar em circulação e que vai acelerar o envelhecimento dos tecidos. Se pensarmos em termos evolucionistas, este tipo de alimentos são relativamente novos na nossa alimentação e, na verdade, não acrescentam NADA em termos funcionais – são calorias de má qualidade. Tal como as calorias, existem gorduras boas e más, não podemos continuar a meter tudo no mesmo saco!

Há algum tempo atrás, a propósito de um post que coloquei no Facebook, uma pessoa conhecida perguntava-me se era saudável beber sumo de laranja natural (cerca de 8 colheres de chá de açúcar), sabendo de antemão que a mesma era sedentária, fumava e que consumia álcool com regularidade. Eu respondi-lhe que o sumo de laranja não era o seu principal problema e ela ainda ficou a olhar para mim como se eu precisasse de ajuda psiquiátrica, já não me recordo bem das suas palavras, mas creio que ela me respondeu o seguinte: “isso é fundamentalismo, toda a gente sabe que o sumo de laranja é uma bebida saudável…”. Enfim, considerações à parte, as pessoas estão tão assustadas com esta questão das gorduras, que têm mais medo em comer ovos todos os dias, que em comer a sua torrada ao pequeno almoço e/ou ao lanche ou em beber o seu sumo de laranja “saudável”.

Não querendo me dispersar do tema deste artigo, vamos pensar um bocadinho naquilo que nos disse o Professor John Yudkin há mais de 40 anos atrás e vamos fazer o seguinte exercício, vamos olhar para um dia de dieta típico de uma pessoa comum e aferir que quantidade aproximada de açúcar (em colheres de chá) é que ela está a ingerir por dia.

1) Pequeno almoço:

1 taça de cereais com leite (6 colheres de açúcar)

1 copo de sumo de laranja natural (8 colheres de açúcar)

Total pequeno-almoço: 14 colheres de açúcar.

2) Snack meio da manhã:

1 torrada com manteiga (3 colheres de açúcar)

1 café com um pacote de açúcar (1 colher de açúcar)

Total Snack 1: 4 colheres de açúcar.

3) Almoço:

1 salada de frango com molho de maionese e ketchup (1 colher de açúcar)

1 refrigerante (10 colheres de açúcar)

1 taça de gelado (20 colheres de açúcar)

Total Almoço: 31 colheres de açúcar.

4) Snack meio da tarde:

1 fatia média de bolo (4 colheres de açúcar)

1 leite com chocolate (6 colheres de açúcar)

Total Snack 2: 10 colheres de açúcar. 

5) Jantar:

Peixe grelhado com verduras + batata cozida + água (5 colheres de açúcar)

Salada de fruta (3 colheres de açúcar)

5 bolachas (3 colheres de açúcar)

Total Jantar: 11 colheres de açúcar. 

Quantidade Total de Açúcar/dia: 70 colheres de açúcar.

A USDA, a mesma organização que vê na gordura o inimigo a abater, não recomenda a ingestão de mais que 10 colheres de açúcar por dia para um indivíduo sedentário. Se fizermos as contas do exemplo que vimos acima, podemos ver que o indivíduo em causa ingeriu cerca de 70 colheres de açúcar ao longo do dia, sete vezes mais que o recomendado, ou seja, ele já comeu açúcar suficiente para uma semana de vida!

Queria ainda fazer a seguinte observação, é importante ter em conta que a quantidade de açúcar varia em função dos próprios alimentos / marcas e da quantidade que cada um come, portanto, os totais aqui representados refletem apenas as “doses normais” de açúcar presente nos alimentos mencionados. Ou seja, estamos a falar do melhor cenário possível!

Penso que a maior parte das pessoas sabe que os bolos, gelados, bolachas e refrigerantes não oferecem grande valor nutricional a uma dieta saudável…aquilo que, eventualmente, poderiam desconhecer, era a quantidade de açúcar presente nesses alimentos. Outra questão importante a ter em conta, é que nem todos os açúcares se portam da mesma forma no nosso organismo, a frutose não é absorvida da mesma forma que a glucose e cada alimento deverá ser visto SEMPRE em função do seu perfil total de nutrientes. Eu destaquei apenas o açúcar.

Como vê, nós já consumimos açúcar sem ingerir açúcar, tudo aquilo que comemos é convertido em açúcar no sangue, portanto aquilo com que se tem que preocupar seriamente (mais do que o açúcar naturalmente presente em alimentos reais como a fruta), é com todo o açúcar adicionado na sua dieta, porque é este que vai causar inflamação crónica (o assassino silencioso) e que vai aumentar exponencialmente o risco de obesidade, diabetes tipo II, hipertensão, doença cardíaca, cancro, alzheimer, demência, parkinson, e praticamente todas as doenças da nossa “doce sociedade”.

Até breve!

Referências

Berardi, J. & Andrews, R. (2012). The Esentials of Sport and Exercise Nutrition. Certification Manual 2nd Edition. Precision Nutrition.

Yudkin, J. (1986). Pure, White and Deadly. How sugar is killing us and what we can do to stop it. Penguin Books.

Fat Chance: Fructose 2.0 – Conferência Dr. Robert Lustig

sugar

No seguimento da famosa conferência do Dr. Robert Lustig “Sugar: The Bitter Truth” (pode ver a ligação aqui) que despertou o Mundo em 2009 para a relação existente entre os problemas do excesso de açúcar na nossa alimentação atual e a obesidade e outras doenças associadas, hoje queria partilhar aquilo que ele chama a segunda parte da conferência que ele deu há quatro anos atrás (que já conta com mais 4 milhões de visualizações!).

Recordo que o Dr. Robert Lustig é Médico e Professor de Pediatria na Divisão de Endocrinologia e Metabolismo da Universidade da Califórnia em São Francisco. Ele é também o autor do livro Fat Chance: The bitter truth about sugar e foi a primeira pessoa a me chamar a atenção para o trabalho desenvolvido pelo cientista e fisiologista britânico John Yudkin, que, em 1972, já tinha demonstrado que o açúcar era um veneno para o nosso metabolismo, através do livro Pure, White and Deadly. Infelizmente, o trabalho de Yudkin na altura foi ignorado pela maioria da comunidade médica e pela indústria alimentar, o que é “normal” no nosso Mundo quando alguém tenta provar algo que implica uma mudança de paradigma que vai contra os interesses das corporações.

Antes de começar a ver a conferência pense bem nestes dados e pergunte a si mesmo se não é urgente dar lugar a uma mudança de paradigma.

1. Segundo a Organização Mundial de Saúde, hoje em dia temos 30% mais obesos que pessoas subnutridas em todo o Mundo.

2. Segundo a Federação Internacional da Diabetes (dados de 2011), existem 366 milhões de diabéticos no Mundo, cerca de 5% da população mundial.

Ninguém fica doente porque quer, mas a maioria das doenças crónicas que hoje conhecemos estão relacionadas com o nosso estilo de vida sedentário e tóxico. Aquilo que sei é que estamos a enfrentar uma crise de saúde pública grave há muitos anos e a solução não passa pela toma de medicamentos, mas antes pela educação e sensibilização das pessoas para uma mudança de mentalidade, que implica perceber que as doenças podem ser preveníveis e que não surgem por acaso ou porque tivemos azar. Este é que é o grande desafio não só dos profissionais de saúde, mas também daquelas pessoas interessadas que se importam genuinamente com a saúde dos outros e com a melhoria da sua performance.

A conferência dura mais de 1h20 mas se você é daquelas pessoas que se preocupa com estas coisas, acredite que não vai querer deixar de ver. Se não conseguir ver hoje, guarde para vê-la noutra ocasião.

Até breve!

Sugar: The Bitter Truth – A Verdade Amarga do Açúcar

O açúcar (particularmente a frutose) é uma substância tóxica para o nosso organismo e muitos acreditam que esta é nova droga do século XXI. A obesidade infantil é cada vez mais uma realidade, o número de pessoas com diabetes e outro tipo de doenças da síndrome metabólica continua a aumentar, os cancros aparecem cada vez mais cedo, etc. Aparentemente as pessoas ainda não têm consciência que tudo isto poderá ter a ver com o excesso de açúcar na nossa alimentação diária.

Esta conferência do Dr. Robert H. Lustig, Professor de Pediatria na Divisão de Endocrinologia e Metabolismo da Universidade da Califórnia em São Francisco, vem explicar de uma forma absolutamente brilhante as razões pelas quais a frutose é uma das substâncias mais tóxicas que podemos consumir.

Todos aqueles que são pais e que pretendem ter uma atitute proativa no que diz respeito à saúde dos seus filhos, DEVEM ver este vídeo e tomar nota que os refrigerantes e todos os sumos à venda nos supermercados (inclusivamente aqueles com mensagens apelativas nos rótulos a dizer que têm vitaminas e antioxidantes) estão carregados de açúcar e vão ser altamente detrimentais se consumidos com regularidade. Devem ter em atenção também que a comida fast food em termos nutritivos não tem fibras, vitaminas, minerais e todo esse tipo de micronutientes essenciais à vida humana. Portanto, quando for ao McDonald’s lembre-se apenas que as suas células não estão a ser alimentadas com nutrientes, mas sim com (muitas) calorias vazias!

A conferência tem a duração de 1h30 mas o investimento de tempo que precisa de fazer pode fazer a diferença entre ficar doente mais cedo ou viver com maior qualidade de vida e realizar as atividades que mais gosta. A escolha é sua.

Tendo em conta a importância da informação aqui contida para a saúde pública, gostaria de partilhar convosco as minhas notas e comentários, que não substituem de forma alguma a visualização da conferência. Para aqueles que têm maior dificuldade com o inglês, espero que os comentários abaixo possam ajudar a compreender melhor o teor da conferência.

1) Hoje em dia pesamos mais 11 quilos que há 25 anos atrás.

2) A obesidade não é um problema unicamente genético e tem a ver sobretudo com o nosso estilo de vida (ou com o dos nossos pais) e com o ambiente em que vivemos. A propósito deste tema, gostaria de destacar o estudo apresentado pela Dra. Carla Rego no Congresso Practice em Lisboa no passado mês de Outubro, onde revelou que a história de obesidade familiar é o primeiro factor de risco para uma criança vir a ser obesa (ver número 5).

3) A primeira lei da Termodinâmica diz-nos que o total de energia dentro de um sistema fechado mantêm-se constante (calorias dentro vs. calorias fora). No entanto, esta lei não nos conta a história toda, os alimentos têm propriedades diferentes e as respostas hormonais e enzimáticas do nosso corpo vão variar conforme os nutrientes que colocamos lá dentro. Não é igual comer 1000 calorias de corn flakese 1000 calorias de salmão. As calorias não são todas iguais.

4) Os chineses, coreanos, japoneses, australianos e todos os países que aumentaram o seu consumo de açúcar, aumentaram o risco de doença e o número de cirurgias.

5) Hoje em dia temos uma epidemia de crianças obesas com seis meses em todo o Mundo. Isto significa que a obesidade infantil pode resultar do estilo de vida dos pais da criança. A este propósito, referir que quanto mais obesos os pais, maiores probabilidades de ser obeso terão as crianças.

6) Não há dúvidas que as pessoas estão a comer cada vez mais (Nota: para ter noção disto saiba que há mais pessoas obesas no mundo inteiro do que pessoas a morrer de fome). E porquê que isto acontece? Porque o açúcar torna-nos resistentes à leptina, a hormona da saciedade. Ou seja, o nosso cérebro não está a receber as mensagens que ficamos saciados e por isso comemos cada vez mais.

7) Estamos a comer cada vez mais hidratos de carbono e menos gordura. O aumento de peso e a obesidade estão relacionados com o consumo excessivo de hidratos de carbono (mais especificamente frutose). O problema não está na gordura. É preciso que se desmistifique isto. O número de doenças disparou quando as pessoas foram aconselhadas a comer os alimentos “low-fat”.

8) O consumo de refrigerantes e sumos de fruta aumentou 41% e 35 % respetivamente, conforme um estudo efetuado pela USDA (United States Department of Agriculture) em crianças entre os 2 e os 17 anos. Um refrigerante por dia poderá resultar num aumento de 7 quilos num ano.

9) A conspiração coca-cola. Veja na foto abaixo a evolução do tamanho das coca-colas desde o seu início em 1915 e o aumento de peso em libras por ano – 1 libra é igual a sensivelmente meio quilo (0,45 quilos). Surpreendido(a)?

10) A coca-cola tem cafeína, um conhecido estimulante. A coca-cola é também um diurético (ajuda-nos a urinar). A coca-cola tem sal, cerca de 55 mg de sódio por cada lata. É como beber uma pizza! O que acontece quando perdemos água e consumimos sal? Ficamos com mais sede. Então porquê que a coca-cola tem tanto açúcar? Para esconder o sal. O quê que isto signifca? Que a coca-cola foi desenhada para criar adição e que é por este motivo que muita gente está “viciada” na coca-cola.

11) Nos estudos apresentados pelo Dr. Lustig podemos verificar de grosso modo que o aumento de refrigerantes provoca claramente um aumento da obesidade. Quando os individuos ou crianças baixam o seu consumo a probabilidade de desenvolverem doenças como a Diabetes tipo II também baixa consideravelmente.

12) Porquê que os refrigerantes são assim tão maus? Porque tem um tipo de açúcar particularmente mau – o xarope de milho alto em frutose. (Nota: o problema parece ser mais grave nos EUA que na Europa, no entanto, eu próprio já vi este tipo de açúcar em alguns alimentos cá em Portugal, tais como: chocolates, bolachas, molhos, donuts e refrigerantes).

13) O xarope de milho alto em frutose (em inglês high frutose corn syrup), devido ao seu processo de refinação, é um açúcar mais barato e mais doce que os restantes tipos de açúcar. Portanto quanto mais barato, maior a massificação e maior o lucro dos seus produtores.

14) O xarope de milho alto em frutose e o açúcar de mesa que consumimos (sacarose) são muito idênticos na sua estrutura molecular. Ambos são maus. Ambos são perigosos. Ambos são um veneno.

15) A frutose é um veneno por si mesmo e o problema não tem nada a ver com as calorias mas sim com o(s) efeito(s) que o seu consumo desmesurado causa no nosso organismo.

16) Como podemos ver na imagem acima, no início do século passado, consumíamos 15 gramas de frutose por dia (das frutas e verduras); antes da Segunda Guerra Mundial – 16-24 gr/dia; em 1977/1978 – 37 gr/dia; em 1994 – 54,7 gr/dia; os adolescentes hoje em dia consomem cerca de 72,8 gr/dia, o que corresponde a 12% do consumo calórico total. Isto é um desastre, estamos a consumir cada vez mais açúcar e cada vez menos gordura – não é por acaso que as pessoas estão a ficar doentes cada vez mais cedo.

17) Na verdade, o xarope de milho alto em frutose foi inventado em 1966 no Japão e foi introduzido pela primeira vez no mercado americano em 1975. Foi a partir daí que começou a sua massificação.

18) O sumo é rico em sacarose, o mesmo que o açúcar de mesa. A sacarose é um dissacarídeo composto de 50% de glucose e 50% de frutose. Num estudo apresentado pelo Dr. Lustig, podemos ver as variações no índice de massa corporal (aumento da massa gorda) em crianças que consomem mais sumos por dia.

19) O consumo de sumo de fruta aumenta o risco de Obesidade e Diabetes tipo II de acordo com o Nurse’s Study.

20) Referência especial para o livro do Prof. John Yudkin “Pure, White and Deadly”, que, em 1972, já se referia ao açúcar como sendo uma substância que pode causar a morte. (Nota: Pergunto, porquê que nas escolas ninguém fala disto se este livro já foi escrito há 40 anos?).

21) Tal como já referi várias vezes no blog, existem vários tipos de colesterol LDL – o LDL A e o LDL B. As partículas do LDL A são grandes e flutuam na nossa corrente sanguínea (sendo por este motivo neutras no que diz respeito ao risco de doença cardiovascular) enquanto que as partículas do LDL B são mais pequenas e densas (sendo por este motivo aquelas que se agarram à parede das nossas artérias, aumentando o risco de doença cardiovascular). Ou seja, o número total do colesterol LDL não lhe vai dizer o tamanho da partícula, se não pedir ao seu médico o teste de partícula para ficar a saber o real valor do LDL mau.

22) Segundo o Dr. Lustig, o rácio entre os triglicéridos e o colesterol HDL no perfil lipídico é um factor de risco mais importante para predizer doenças cardíacas que o colesterol LDL. Quanto mais elevado o valor de triglicéridos e mais baixo o valor de HDL, maior o risco de doença cardíaca (Nota: Segundo o Dr. Jonny Bowden, autor de “The Great Cholesterol Myth”, o rácio ideal entre triglicéridos e HDL deve ser 2:1).

23) A ingestão de gordura aumenta o colesterol LDL neutro (LDL A) enquanto que a ingestão  hidratos de carbono aumentam o LDL nocivo (LDL B). A teoria low fat, que surgiu por volta de 1982, fez com que aumentássemos o consumo de hidratos de carbono e que fossem adicionadas substâncias (a maior parte delas tóxicas) a esse tipo de alimentos – os edulcorantes. Por este motivo o número de doenças não tem parado de aumentar.

24) O Dr. Lustig destaca três grandes alterações na nossa alimentação durante os últimos 30 anos: 1) a adição de frutose na dieta, com a finalidade de compensar a remoção de gordura e tornar a comida mais saborosa; 2) a remoção de fibra, com a finalidade de aumentar a vida de prateleira dos alimentos e 3) a adição de gorduras trans ou hidrogenadas, com a finalidade de aumentar ainda mais a longevidade dos alimentos. (Nota: As gorduras trans são um produto inventado pelo homem, se tem que saber alguma coisa quando faz as suas compras, lembre-se de ver se no rótulo dos alimentos constam gorduras hidrogenadas ou parcialmente hidrogenadas).

25) Antigamente, há 50 mil anos atrás, os seres humanos consumiam cerca de 100-300 gramas de fibra por dia. Hoje em dia consumimos cerca de 12 gramas por dia (Nota: A American Dietetic Association e o National Cancer Instituterecomendam a ingestão de pelo menos 30 gramas de fibra por dia, no entanto alguns especialistas dizem-nos que para uma saúde ótima, uma pessoa deve ingerir entre 40 a 50 gramas por dia). A fibra é importante porque atrasa a absorção dos alimentos e reduz a carga glicémica da refeição – pense na fibra como uma esponja que absorve a gordura e o açúcar no seu intestino, fazendo com que o seu corpo tenha que trabalhar mais para digerir a comida. Em termos práticos, é a diferença entre comer uma laranja inteira (com fibra) e tomar um sumo de laranja (sem fibra). Sim, o sumo de laranja não é uma bebida saudável – um copo de 250ml de sumo de laranja natural tem à volta de 8-9 colheres de chá de acúcar.

26) A frutose é processada de forma diferente da glucose e este é que é o grande perigo. A frutose aumenta em 7 vezes (comparando com a glucose) a formação de produtos avançados de glicação (AGE’s) – isto significa basicamente que todos os tecidos do seu corpo vão envelhecer mais rápido; A frutose não suprime a grelina, a hormona da fome – isto significa que vai continuar com fome, mesmo depois de comer ou tomar algo cheio de açúcar como um refrigerante; A ingestão de frutose não faz disparar a insulina devido à inexistência de transportadores apropriados nas células beta do pâncreas – ou seja, se a insulina não aumenta, a leptina (a hormona da fome) também não aumenta e desta forma o nosso cérebro não recebe a mensagem que comemos alguma coisa.

27) A exposição crónica à frutose causa a Síndrome Metabólica (Obesidade, Diabetes tipo II, Dislipidemia, Hipertensão e Doença cardiovascular).

28) Em relação ao metabolismo da glucose – quando a glucose é consumida (por exemplo duas fatias de pão), esta pode ser utilizada por todas as células, órgãos e bactérias do nosso corpo. 80% dessa glucose vai parar às células e orgãos enquanto que os restantes 20% são metabolizados no fígado (lembro que a glucose é armazenada no fígado sob a forma de glicogénio muscular).

29) Em relação ao metabolismo do álcool (etanol) – quando ingerimos álcool 10% vai ser consumido no estômago e intestino; 10% vai para o rim, músculos e cérebro; e 80% vai ser absorvido no fígado, 4 vezes mais que a glucose, como vimos no ponto anterior. O problema aqui é que, como todos nós sabemos, o álcool é uma substância altamente tóxica e a sua ingestão aguda e/ou crónica pode causar vários problemas.

30) Em relação ao metabolismo da frutose – quando a frutose é consumida (por exemplo um copo de sumo de laranja, que é composto por 50% de frutose e 50% de glucose), mais de metade das calorias do sumo vão ser absorvidas pelo fígado. Isto acontece porque a frutose só pode ser metabolizada no fígado e porque 20% da glucose vai também parar ao fígado (veja o número 28). Tal como o álcool, a frutose é também altamente tóxica, conforme podemos ver na imagem abaixo.

31) A grande vantagem da glucose em relação à frutose e ao álcool é que esta não é tóxica. O metabolismo hepático da frutose / álcool é diferente do da glucose. (Nota: É preciso que fique claro que apesar da glucose não ser tóxica, o seu consumo elevado pode causar vários problemas na mesma).

32) Vários estudos atestam que o consumo excessivo de frutose pode causar Gota e Hipertensão devido aos elevados níveis de ácido úrico gerados com o seu processo de metabolização.

33) As bebidas desportivas (que estão carregadas de açúcar) até podem fazer sentido para alguns atletas que praticam desporto de alta intensidade e/ou de longa duração porque estes precisam de renovar rapidamente as suas reservas de glicogénio para obter energia (Nota: É preciso ter alguma cautela com estas bebidas já que as mesmas contêm alguns corantes artificiais que ainda estão a ser estudados para determinar os seus efeitos). Outro problema em relação a isto, é que estamos a assistir a uma utilização indiscriminada destas bebidas entre as crianças / jovens e essa também pode ser uma causa para o aumento da obesidade infantil.

34) A frutose aumenta a lipogénese estimulando todas as ferramentas necessárias à síntese de triglicéridos no fígado, portanto quanto maior o consumo de frutose, maior será a probabilidade de acumular gordura no corpo.

35) Porque são metabolizados de forma muito parecida no nosso organismo e porque ambos provêm do açúcar, a ingestão crónica de álcool (etanol) e frutose causa praticamente os mesmos problemas de saúde: Hipertensão, Enfarte do miocárdio, Dislipidemia, Pancreatite, Obesidade, Disfunção hepática, Resistência à insulina e Adição.

36) Tal como diz o Dr. Robert Lustig, o açúcar e o álcool são o mesmo, a diferença é que o álcool é proibido até a uma certa idade e o açúcar não. Dizendo as coisas de uma outra forma: A maioria dos pais continua a comprar refrigerantes ou sumos para os seus filhos, no entanto, os mesmos não pensariam duas vezes em oferecer-lhes uma cerveja. O efeito é o mesmo, a frutose é o mesmo que o álcool sem a “bomba” – a frutose não é metabolizada pelo cérebro.

37) As intervenções realizadas na clínica da Universidade onde trabalha o Dr. Lustig, para solucionar o problema da obesidade infantil, assentam em quatro princípios: 1) retirar todas as bebidas açúcaradas (as únicas bebidas permitidas eram água e leite); 2) comer os hidratos de carbono com fibra; 3) esperar 20 minutos pelo segundo prato e 4) realizar atividade física. Os resultados foram muito positivos, portanto o único factor limitativo em controlar a obesidade infantil é o consumo de açúcar.

38) Exercício Físico – Gostei particularmente da explicação do Dr. Lustig no que diz respeito à importância do exercício físico na prevenção da obesidade. Ele diz que muita gente ainda olha para o exercício físico como uma forma de queimar calorias! Esta lógica não é errada mas é seguramente demasiado redutora, se vista apenas dessa forma. Os beneficios do exercício físico podem ser imensos mas isso também depende do tipo de exercício efetuado – existem boas e más formas de fazer exercício físico. Persiste a ideia que o exercício físico resume-se a andar, nadar, correr e/ou saltar e muita gente ainda pensa que não precisa de um profissional de um exercício para lhe ajudar na prescrição do mesmo. (Nota: Tenho muito respeito pelos médicos e pelo seu trabalho mas quero lembrar que os médicos não são profissionais do exercício físico e não têm “licença” para prescrever exercício físico às pessoas – isto para dizer que os seus conselhos podem não ser os mais adequados para a sua situação).

39) Fibra – Porquê que a fibra é importante na prevenção de obesidade? Já aflorei este tema no número 25, mas aqui pode ver as razões apresentadas no vídeo: 1) reduz a taxa de absorção intestinal dos hidratos de carbono, reduzindo a resposta da insulina; 2) aumenta a velocidade do trânsito intestinal para o íleo (secção final do intestino), aumentado a hormona PYY e induzir maior saciedade; 3) inibe a absorção de alguns ácidos gordos livres para o cólon, que depois são metabolizados pelas bactérias do cólon em ácidos gordos de cadeia curta, suprimindo a insulina.

40) Se for com o cursor até à 1h15min e 15 segundos, vai ver que o Dr. Robert Lustig faz referência à Dieta Paleo e aconselha toda a gente a ler mais sobre isto – eu não só aconselho como recomendo energicamente. Ele diz que é possível curar a Diabetes tipo II numa semana apenas com esta alteração na dieta. (Nota: A verdade é que isto não me surpreende e aqui no blog já partilhei um documentário em relação à cura da diabetes e outro vídeo em relação à cura de uma doença auto-imune como a esclerose múltipla. Mas ouvir isto da boca de um médico nos dias que correm significa que alguma coisa está a mudar e esse é o primeiro passo para uma mudança de paradigma, especialmente na comunidade médica.)

41) Resumindo tudo aquilo que foi exposto em três linhas: 1) a frutose é um hidrato de carbono MAU; 2) a frutose é metabolizada no nosso corpo como GORDURA e 3) a frutose é uma substância TÓXICA, tal como o álcool.

O conhecimento é poder. Partilhe esta informação com os seus amigos, familiares e conhecidos, eu acredito que quanto mais pessoas tiverem conhecimento desta realidade, melhor será a qualidade de vida de cada um de nós.

Fico a aguardar os vossos comentários.

Até breve.