Como tudo começou?

Dez anos. No passado dia 18 de Junho de 2007 estava deitado numa cama de hospital para iniciar o transplante de medula óssea. Eram 13 horas. Quando penso nesse momento lembro-me de tudo aquilo que aconteceu até lá chegar. Do início do processo. Da indignação. Da revolta interior. Do sentimento de injustiça que senti quando soube que estava doente. Da procura constante de explicações. De todos os acontecimentos que tiveram lugar ao longo desse ano, que parecia interminável. Análises. Exames. Consultas. Incontáveis horas de espera no hospital. Confusões administrativas. Condutas médicas egocêntricas e despreocupadas. Da falta de condições humanas e materiais para poder tratar as pessoas da forma como elas mereciam ser tratadas – com respeito, com dignidade, com humanismo. Particularmente no serviço de Hemato-Oncologia do Hospital Central do Funchal, que foi onde iniciei os meus tratamentos. Talvez um dia fale mais sobre isso. Hoje não. Mas aquilo parecia um filme de terror e eu não queria fazer parte do elenco.

O desfecho já o partilhei mas hoje quero recordar como tudo começou. Decorria o ano de 2006. Mês de Junho. Lembro-me que estava em Madrid no âmbito de uma pós-graduação, e, numa noite, creio que era um sábado à noite, estava a preparar-me para ir a uma festa de gala. Quando estava a colocar a gravata e a apertar o colarinho, reparei num volume estranho no pescoço. Era um nódulo. Quando fazia pressão não sentia qualquer dor mas era bastante denso. Nessa noite não liguei muito à situação mas depois fui reparando que aquilo não passava e que parecia estar a aumentar de tamanho. Talvez não estivesse mas só pelo facto de saber que aquele nódulo continuava lá e que não desaparecia achei que era importante ir ao médico para saber a sua opinião e tentar apurar o que se passava.

Falei com um médico amigo meu na Madeira, ele observou-me e disse-me que era melhor fazer umas análises e um raio-X tórax para, depois, ser observado por outro médico, um colega dele especialista em medicina interna. E assim foi. Fiz as análises, estava tudo bem. Fiz o raio-X e, além dos nódulos no pescoço, verificou-se também uma massa anormalmente grande na zona do mediastino (a área situada entre os pulmões). Isto não parecia ser bom sinal. Na altura, ouvi o médico a murmurar à minha mãe uma palavra esquisita que nunca tinha ouvido falar. Mas parecia que queriam que não ouvisse. Rapidamente percebi que a notícia não era boa pela expressão que a minha mãe fez. Entretanto, também percebi que o médico não me queria dizer exactamente o que se passava – disse-me que o melhor era fazer um TAC para ter mais certezas. Depois ainda fiquei a falar um pouco mais com o meu amigo que me observou no início e quando subi ao andar onde trabalhava a minha mãe (só para contextualizar, a minha mãe era enfermeira no serviço de Ortopedia), encontrei-a a chorar atrás de uma porta, a ser confortada por algumas colegas do serviço mas bastante afectada com tudo aquilo que estava a acontecer. Muito mais que eu, que, ainda não sabia bem o que se estava a passar. Lembro-me perfeitamente de olhar para ela e perguntar: “o que é que se passa? o que é que o médico disse? qual é o problema?” E foi aí que percebi que a palavra que foi sussurrada ao seu ouvido pelo médico foi Hodgkin, linfoma de Hodgkin. Nesse momento, não fazia a mais pequena ideia da gravidade da situação mas depois de ficar a saber o que era, comecei a ficar preocupado. Com a minha mãe a chorar e altamente abalada só me lembro de olhar para ela, de lhe agarrar nos braços e dizer para não se preocupar, que tudo iria correr bem. Mas a verdade é que já estava ferido por dentro. Nunca lhe disse isto. Achei que era importante manter-me forte e mostrar confiança naquele momento. Depois vim-me embora, a minha mãe ficou no serviço a trabalhar, e eu só pensava em chegar ao carro o mais rápido possível para regressar a casa e ficar sozinho. Só queria ficar sozinho.

Quando cheguei ao carro, chorei. E não conseguia parar de chorar. Não conseguia deixar de pensar no que me podia acontecer. Fui o caminho todo a chorar para casa e a pensar porquê que isto tinha acontecido comigo. Estava completamente arrasado. Coloquei os óculos de sol para disfarçar as lágrimas enquanto conduzia mas elas não paravam de escorrer pela cara abaixo. “O que será que vai acontecer?” – pensava eu. Cheguei a casa, abri a porta, parei o carro dentro da garagem e depois de ficar um pouco mais calmo, comecei a pesquisar sobre o linfoma de Hodgkin. Queria saber as causas, os tratamentos disponíveis, o que podia fazer para melhorar, tudo aquilo que estava ao meu alcance para poder melhorar melhorar esta condição. Na altura, já havia alguma informação disponível mas mal sabia eu o que ainda estava para vir.

Há dez anos atrás, deitado naquela cama, estava vivo mas não me sentia vivo. E, digo-vos, não há sensação melhor que sentirmo-nos vivos, fazermos aquilo que gostamos e desfrutarmos das coisas simples que a vida nos proporciona. Sentirmo-nos vivos é absolutamente maravilhoso.

Até breve!

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Seminário Solidário Exercício e Nutrição

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Foi no passado dia 5 de Outubro que tive o privilégio de participar num seminário solidário organizado pela WellXProSchool e pela Nutriscience, ao lado de outros colegas e amigos das áreas do Exercício e Nutrição.

A minha apresentação centrou-se na Importância da Avaliação Funcional na Programação do Treino, um tema que tenho estudado bastante nos últimos tempos e que acredito que faz toda a diferença compreender.

Também o fiz para apoiar uma causa importante e que marcou a minha história de vida (tive um linfoma de Hodgkin há cerca de dez anos atrás). As receitas reverteram para a Liga Portuguesa contra o Cancro.

Até breve!

FED UP – Documentário sobre Obesidade

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Hoje partilho convosco (de forma gratuita) o documentário FED UP, um documentário sobre a obesidade que retrata muito bem que o problema principal que vivemos hoje em dia não é o excesso de calorias, nem a falta de força de vontade das pessoas que estão doentes, mas antes a forma como a indústria de junk food nos tenta manipular todos os dias, com a triste conivência das associações/responsáveis governamentais. 

Se não tiverem tempo para ver o documentário na íntegra neste momento, podem ver aqui o trailer oficial e ver o filme mais tarde. 

Todos aqueles que já são pais e/ou que pretendem ser pais e que zelam e/ou pretendem zelar pela saúde dos seus filhos deveriam ver este filme. 

Ou seja, o problema não é o excesso de calorias, o problema é o excesso de calorias de má qualidade que estão disponíveis em demasiados “produtos alimentares”.

Ver aqui: FED UP.

Gostava de saber os vossos comentários.

Até breve!

Cancro e Dieta Cetogénica – Vídeo

A importância da Dieta no tratamento do Cancro. Não é por acaso que o número de casos de pessoas com cancro tem vindo a aumentar e que o mesmo está a aparecer cada vez mais cedo. Ainda há poucas dias tive conhecimento de mais algumas pessoas que foram diagnosticadas com cancro e tenho pena que esta informação seja ainda pouco conhecida ou, pior que isso, ignorada.

Uma amiga da minha mãe faleceu recentemente com um cancro do pâncreas e já tinha metástases em várias partes do corpo. A doença foi diagnosticada em Dezembro! Quando eu tive um linfoma há alguns anos atrás, uma das primeiras perguntas que fiz ao médico foi que tipo de alimentos devia comer e/ou evitar para melhorar o meu estado. A sua resposta foi que a alimentação não tinha nada a ver e que devia continuar a fazer a minha dieta normal (nota: ele nem me perguntou qual era a minha dieta normal).

O nosso estilo de vida está a dar cabo de nós e aquilo que mais devemos prezar é o que metemos na boca todos os dias – isto tanto pode funcionar para vivermos a vida dos nossos sonhos, como para nos matarmos devagarinho e silenciosamente. Obviamente que não é só a alimentação, mas também os padrões de sono, o exercício físico, a exposição a poluentes / radiação, o tabaco, o álcool, todos estes aspetos têm uma importância significativa no nosso estado de saúde. A cura do cancro não está nos medicamentos, a cura do cancro está nos alimentos.

Partilhem esta informação com os vossos contactos e ajudem a disseminar a mensagem.

Até breve!

O Milagre Gerson – Documentário sobre o Cancro

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No seguimento do post sobre a Terapia Gerson – Uma Cura Alternativa para o Cancro, hoje partilho mais um excelente documentário, que data de 2004 e agora com legendas em português.

Agradeço ao Tiago Mota por ter partilhado este documentário.

Vejam e partilhem. É preciso que este tipo de informação chegue ao maior número de pessoas, pelos simples motivo que o número de cancros está a aumentar e que existem outros tipos de abordagem para tratar estas doenças, além da quimioterapia e radioterapia, que podem causar danos irreversíveis.

O documentário tem a duração de 1h30min, mas se querem estar bem informados, este é daqueles documentários que não devem perder e que, no melhor dos casos, pode ajudar a salvar a vida de algumas pessoas.

Para quem quiser saber mais informações, ou se têm familiares ou amigos que estão a passar por situações destas, existe um grupo de entreajuda no Facebook chamado Terapia de Gerson em Portugal. De momento existem duas clínicas Gerson no Mundo, uma no México e outra na Hungria.

Até breve!

A Terapia Gerson – Uma Cura Alternativa para o Cancro

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Hipócrates (460 a.c – 370 a.c), uma das figuras de maior destaque da Medicina e considerado por muitos autores como o pai da Medicina disse há muito tempo atrás: “Let thy food by thy medicine, and let thy medicine be thy food”, ou seja, deixa o alimento ser a tua medicina e a medicina ser o teu alimento.

É de lamentar que este tipo de raciocínio não faça parte do nosso processo educativo, porque se assim o fosse, seria de esperar que houvesse menos pessoas doentes. E menos dinheiro para a indústria farmaceûtica! Pois, se calhar é este o problema.

Seguindo a lógica de Hipócrates, o alimento devia ser a nossa medicina. Mas olhando para o mundo real e para aquilo que acontece nos hospitais, não é isso que acontece. O que acontece nos hospitais é que os medicamentos têm prioridade sobre a alimentação. Na verdade, são poucos os profissionais de medicina que olham para a alimentação como sendo o factor determinante na prevenção das principais doenças crónicas da nossa sociedade. E porquê que isto acontece? Porque os médicos são educados para tratar os síntomas e para aprender mais sobre drogas do que sobre comida. Mas no fundo a culpa não é deles, a culpa é da forma como todo o sistema está montado.

O grande problema aqui é que a indústria farmacêutica não pode patentear alimentos naturais e como tal precisa de fabricar drogas (querendo fazer-nos crer que são necessárias e insubstituíveis) para garantir os seus lucros astronómicos no final do ano. Mas estas drogas são paliativas, elas não resolvem o problema! Não há dinheiro envolvido na saúde, o dinheiro está todo na doença! Quantas mais drogas se vendem, melhor. Portanto, o lobby da indústria farmacêutica é que está a lixar isto tudo!

Sem mais demoras e porque este assunto tem pano para mangas, o documentário que hoje partilho convosco vem demonstrar que existem outras alternativas para curar o cancro, sem recorrer aos tradicionais tratamentos de quimioterapia e radioterapia (e aos seus terríveis efeitos secundários). Já aflorei algumas coisas sobre este assunto em alguns posts, que podem consultar aqui.

Neste excelente documentário poderão testemunhar as evidências (1h09m) que existem no sucesso deste tipo de terapia (desenvolvida pelo Dr. Max Gerson a partir de 1928), que consiste basicamente na ingestão de alimentos frescos e naturais, tais como frutas, verduras, sumos e…enemas de café (este é um procedimento que consiste em inserir café no ânus com a finalidade de limpar o recto, os intestinos e desintoxicar o fígado – e que curiosamente fez parte do manual da Merck até 1972). Podem ouvir a explicação a partir de 1h06 e 30s.

O documentário tem a duração de 1h30m mas vale a pena ver para perceber que o conhecimento existe e que está documentado, apesar das constantes perseguições, da censura e das muitas tentativas de manter as pessoas ignorantes.

Partilhem, o conhecimento é poder.

Até breve!

O que os médicos não sabem acerca das drogas que prescrevem – Vídeo

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Hoje partilho uma apresentação muito interessante do médico e epidemiologista britânico Ben Goldacre nas TED Talks, intitulada “What doctors don’t know about the drugs they prescribe”, ou seja, “O que os médicos não sabem acerca das drogas que prescrevem”.

Quando um novo medicamento é testado, os resultados dos testes devem ser publicados para o resto da comunidade médica, no entanto, na maior parte das vezes, os resultados negativos ou inconclusivos não são reportados, deixando os médicos e os investigadores no escuro.

Neste vídeo de apenas 14 minutos, Ben Goldacre, dá vários exemplos da má ciência que tem sido efetuada na área da medicina (muito por causa da indústria farmaceûtica) e explica as razões pelas quais estes casos podem ser especialmente perversos e perigosos para  todos nós.

Goldacre é conhecido pela sua coluna Bad Science no The Guardian e é autor de dois livros, Bad Science (2008), uma crítica da irracionalidade e de certas formas de medicina alternativa, e Bad Pharma (2012), no qual examina a indústria farmacêutica, as suas práticas e a sua relação com a profissão médica.

Até breve!