Poderá a restrição calórica ou o jejum intermitente contribuir para evitar “doenças da idade” e viver mais tempo? – Parte 3

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Nota Prévia: Aqui está a terceira parte do artigo da autoria do meu irmão Nuno Correia, Co-fundador e Head Coach na The Strength Clinic. Para quem não teve oportunidade de ler as partes anteriores, ficam aqui os links: Parte 1 e Parte 2. Boa leitura 🙂

Parte 3

Implicações e aplicações práticas da restrição calórica e jejum intermitente

E agora…será que a prática de restrição calórica (RC) ou jejum pode ter valor terapêutico em humanos?

Como foi referido anteriormente (parte 1), estudos randomizados e controlados em humanos a estudar os efeitos da RC e jejum em humanos são mais escassos. Não é fácil encontrar voluntários para se sujeitarem ao “desconforto” de ingerir menos comida.

Só um aparte…

Diga-se de passagem que mudar o que quer que seja na alimentação de alguém pode ser uma tarefa difícil! De facto, e baseado na minha experiência, as pessoas são em geral altamente resistentes em mudar seja o que for nos seus padrões alimentares e tendem a defendê-los com “unhas e dentes”! Elaboram os mais variados racionais (e muito sofisticados por vezes…como o típico “mas o meu avô tem 90 anos e sempre comeu isto ou aquilo”) para simplesmente justificar a ingestão deste ou aquele alimento que no fundo “apenas” gostam de ingerir. A nutrição é para alguns uma religião, acreditem…!

Voltando aos estudos com humanos…

A outra razão prática para o facto de haver escassez de estudos controlados e randomizados em humanos sobre os efeitos da RC ou jejum para estudar os seus efeitos na esperança de vida e a incidência de “doenças da idade” prende-se com o facto da esperança de vida humana ser longa.

Contudo, alguns estudos randomizados e controlados em humanos apontam para benefícios claros da prática de RC em determinadas populações. Seguidamente estão resumidos alguns desses estudos, tipo de intervenção e efeitos significativos verificados.

  • Wang et al. (2013)
    • Amostra: indivíduos obesos.
    • Intervenção: 5 dias de 30% de RC (low-fat/high-carb ou high-fat/low-carb) após período de dieta isocalórica.
    • Resultados significativos:
      • As dietas de RC desceram os níveis de insulina e leptina em jejum aumentando os níveis de ácidos gordos livres (o que indica mobilização das reservas de gordura);
      • Sensibilidade à insulina não melhorou significativamente (talvez devido ao curto período de 5 dias), contudo  a sinalização de insulina no músculo (em resposta à insulina) aumentou apenas dos sujeitos na dieta low-fat/high-carb. Atenção que este efeito na sinalização de insulina em resposta à dieta low-fat/high-carb (e não na dieta high-fat/low-carb) pode representar apenas uma resposta adaptativa transiente devido à maior carga glicémica da dieta. A duração curta do estudo não permite concluir uma melhoria sustentada na regulação de insulina.
  • Kitzman et al. (2016)
    • Amostra: indivíduos obesos e idosos (67±5 anos) com insuficiência cardíaca.
    • Intervenção: 20 semanas de RC (défice de 350-400kcal/dia) com ou sem exercício (1 hora de caminhada 3 dias por/semana).
    • Resultados significativos:
      • Tanto a RC como o exercício (separadamente) incrementaram a capacidade aeróbia (indicado pelo aumentos de VO2 pico), com efeitos ainda maiores se combinados;
      • Tanto a RC como o exercício (separadamente) melhoraram a composição corporal (perda de massa gorda) com efeitos ainda maiores se combinados;
      • A RC (mas não o exercício) reduziu o marcador inflamatório proteína C reactiva (CRP) e estava correlacionada com a perda de peso.
  • Snel et al. (2012)
    • Amostra: indivíduos obesos com diabetes mellitus tipo 2 (T2DM) e  insulino-dependentes.
    • Intervenção: 16 semanas de RC (450kcal/dia) com ou sem exercício (1 hora + 4 sessões de 30 minutos num cilcloergómetro por semana).
    • Resultados significativos:
      • Tanto a RC como o exercício melhoraram os níveis de glucose, insulina e hemoblogina glicosilada (HbA1c) em jejum;
      • O grupo RC + exercício perdeu mais gordura e perímetro na cintura em comparação ao grupo apenas em RC;
      • Tanto a RC como o exercício aumentaram a expressão dos receptores e sinalização de insulina (revelado por biópsia muscular) bem como a sensibilidade periférica à insulina.
  • Pedersen et al. (2015)
    • Amostra: indivíduos com sobrepeso ou obesos, não diabéticos com doença das artérias coronárias.
    • Intervenção: 12 semanas de RC (800-1000kcal/day) com ou sem exercício (treno aeróbio intervalado 3 dias/semana).
    • Resultados significativos:
      • Separadamente, a RC foi superior ao exercício na perda de peso corporal, massa gorda e perímetro na cintura, bem como glicémia em jejum, sensibilidade à insulina e tolerância à glucose. Contudo, a RC conduziu a melhores resultados quando combinado com o programa de exercício.
  • Razny et al. (2015)
    • Amostra: indivíduos obesos não-diabéticos
    • Intervenção: 3 meses de RC (1200-1500kcal/dia) com ou sem  1.8 g/dia de ácidos gordos omega-3 (num rácio de 5:1 de DHA/EPA).
    • Resultados significativos:
      • RC com ou sem suplementação com omega-3 resultou em decréscimo no peso corporal e massa gorda semelhantes;
      • RC teve um efeito positivo superior nos níveis de triglicéridos e insulina qaundo combinado com suplementação com omega-3;
      • RC + omega-3 (mas não apenas RC) melhorou indicadores de resistência à insulina (indíce HOMA).
  • Prehn et al. (2016)
    • Amostra: mulheres obesas em idade pós-menopausa.
    • Intervenção: 12 semanas de RC (<800kcal/dia) seguido de 4 semanas numa dieta isocalórica ou 16 semanas duma dieta isocalórica (control group). Recomendação de aumentar a actividade física por semana.
    • Resultados significativos:
      • RC (mas não a dieta isocalórica) resultou em scores melhores em testes de performance de memória;
      • RC (mas não a dieta isocalórica) resultou numa melhoria do controlo glicémico e dos níveis de HbA1c;
      • O incremento na densidade na matéria cinzenta cerebral induzido pela RC revelou-se negativamente correlacionado com os níveis de glucose.

Recomendações e conclusões

De facto, intervenções de RC ou jejum parecem realmente ter clara utilidade terapêutica na melhoria de parâmetros de saúde relacionados com obesidade, inflamação, resistência à insulina, stress oxidativo e função cardíaca. É importante notar que apenas reduzir a quantidade de comida ingerida pode não ser suficiente e porventura pouco recomendável. Uma intervenção simplista desse género e prolongada no tempo pode resultar em défices nutricionais e por essa via boicotar resultados positivos para a saúde. Por isso, é importante monitorizar e garantir níveis adequados de nutrientes através de suplementação e/ou na escolha de alimentos nutricionalmente densos. De realçar também os efeitos sinérgicos positivos que a RC parece ter quando combinada com exercício (Snel et al., 2012; de Luis et al., 2015; Kitzman et al., 2016), podendo ser prescritos concomitantemente. Neste sentido, uma intervenção de RC muito ligeira (e.g. défice de 10%) ou um períodos de jejum intermitente curtos (>12 horas e não precisa de ser todos os dias) combinado com exercício poderá ter efeitos muito positivos e com eventual maior probabilidade de adesão do que intervenções de RC ou jejum mais agressivas.

Naturalmente, que RC severa, prolongada no tempo e sem exercício (especialmente treino de força) pode induzir perda de massa magra que é altamente indesejável se o objectivo é melhorar a saúde. Mais uma vez, e como em quase tudo, a dose correcta é o segredo! Em certas populações como grávidas (ou mulheres a tentar engravidar) e indivíduos jovens em crescimento, intervenções prolongadas de RC deverão ser evitadas pois podem comprometer o desenvolvimento. Contudo, volto a realçar que o mais determinante não é ingerir “calorias” mas sim ingerir “nutrientes”! Em indivíduos mais velhos com sarcopenia a RC deverá ser porventura evitada, embora os factores mais determinantes para inverter um quadro de sarcopenia são treino de força e ingestão adequada de proteína diária (que deve ser mais mais elevada para indivíduos mais velhos, >2g/kg de peso corporal).

Em relação ao caso específico do jejum intermitente (nota: o enfoque deste artigo não é discutir a utilização do jejum intermitente como estratégia de perda de gordura e/ou manutenção ou ganhos de massa muscular no contexto desportivo, mas sim os seus potenciais benefícios para a saúde geral), apesar dos poucos estudos controlados e randomizados em humanos, este parece oferecer efeitos positivos semelhantes aos da RC constante e será porventura mais fácil de implementar (Donati et al., 2008; Marzetti et al., 2009; Alirezaei et al., 2010; Arum et al.; 2014; Godar et al., 2015). Episódios pontuais de jejum (e.g. não tomar pequeno-almoço uma a duas vezes por semana em dias que não se treina por exemplo) não só poderá ser uma estratégia de fácil implementação para controlo semanal total de calorias ingeridas, como permite um efeito hormético positivo que é mediado por alguns dos mecanismos atrás descritos. O conceito de hormese é definido como um efeito benéfico na saúde, na resistência ao stress, no crescimento ou na longevidade – resultante da exposição a uma dose “adequada” a um agente stressor.

Em resumo, a RC ou jejum (ou o exercício) é algo para o qual estamos evolutivamente desenhados para tolerar e que na dose correcta oferece-nos benefícios e maior resiliência. Ou seja, o stress pontual de não comer pode ser um “desconforto saudável”!

Até à próxima!

Nuno Correia

Bibliografia e Referências

Alirezaei, M. et al., 2010. Short-term fasting induces profound neuronal autophagy. Autophagy, 6(6), pp.702–710.

Arum, O. et al., 2014. Preservation of blood glucose homeostasis in slow-senescing somatotrophism-deficient mice subjected to intermittent fasting begun at middle or old age. Age, 36(3), pp.1263–1290.

de Luis, D.A. et al., 2015. Response of osteocalcin and insulin resistance after a hypocaloric diet in obese patients.  Eur Rev Med Pharmacol Sci. 19(12) pp.2174–2179.

Donati, A. et al., 2008. Effect of Aging and Anti-Aging Caloric Restriction on the Endocrine Regulation of Rat Liver Autophagy. Journal of Gerontology: BIOLOGICAL SIENCES, 63(6), pp.550–555.

Dröge W., 2009. Avoiding the First Cause of Death. New York, Bloomington. iUniverse, Inc.

Godar, R.J. et al., 2015. Repetitive stimulation of autophagy-lysosome machinery by intermittent fasting preconditions the myocardium to ischemia-reperfusion injury. Autophagy. 11(9), pp.1537-1560.

Kitzman, D.W. et al., 2016. Effect of Caloric Restriction or Aerobic Exercise Training on Peak Oxygen Consumption and Quality of Life in Obese Older Patients With Heart Failure With Preserved Ejection Fraction: A Randomized Clinical Trial. Jama, 315(1), pp.36–46.

Lindeberg, S., 2010. Food and Western Disease: Health and Nutrition from an Evolutionary Perspective. Oxford, United Kingdom: Wiley-Blackwell.

Marzetti, E. et al., 2009. Cellular mechanisms of cardioprotection by calorie restriction: state of the science and future perspectives. Clinics in Geriatric Medicine, 25(4), pp.715–732.

Masoro.E. L., 2002. Caloric Restriction: A Key to Understanding and Modulating Aging. Texas, USA: ELSEVIER.

Pedersen, L.R. et al., 2015. A randomized trial comparing the effect of weight loss and exercise training on insulin sensitivity and glucose metabolism in coronary artery disease. Metabolism: Clinical and Experimental, 64(10), pp.1298–1307.

Prehn, K. et al., 2016. Caloric Restriction in Older Adults—Differential Effects of Weight Loss and Reduced Weight on Brain Structure and Function. Cerebral Cortex in press, pp.1–14.

Razny, U. et al., 2015. Effect of caloric restriction with or without n-3 polyunsaturated fatty acids on insulin sensitivity in obese subjects: A randomized placebo controlled trial. BBA Clinical, 4, pp.7–13.

Snel, M. et al., 2012. Effects of adding exercise to a 16-week very low-calorie diet in obese, insulin-dependent type 2 diabetes mellitus patients. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 97(7), pp.2512–2520.

Wang, C. C. L., 2013. Insulin Signaling in Obese Individuals During Caloric Restriction. Metabolism, 62(4), pp.595–603.

FED UP – Documentário sobre Obesidade

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Hoje partilho convosco (de forma gratuita) o documentário FED UP, um documentário sobre a obesidade que retrata muito bem que o problema principal que vivemos hoje em dia não é o excesso de calorias, nem a falta de força de vontade das pessoas que estão doentes, mas antes a forma como a indústria de junk food nos tenta manipular todos os dias, com a triste conivência das associações/responsáveis governamentais. 

Se não tiverem tempo para ver o documentário na íntegra neste momento, podem ver aqui o trailer oficial e ver o filme mais tarde. 

Todos aqueles que já são pais e/ou que pretendem ser pais e que zelam e/ou pretendem zelar pela saúde dos seus filhos deveriam ver este filme. 

Ou seja, o problema não é o excesso de calorias, o problema é o excesso de calorias de má qualidade que estão disponíveis em demasiados “produtos alimentares”.

Ver aqui: FED UP.

Gostava de saber os vossos comentários.

Até breve!

7 Dicas para Acabar com os seus Cravings

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Para quem não sabe o que são os famigerados cravings, estes são os desejos incontroláveis de comer porcarias, normalmente doces da pior espécie possível e junk food. Todos nós passamos por estas fases de vez em quando, principalmente quando lidamos com momentos de stress na familia, no trabalho e quando nos sentimos mais em baixo.

O segredo para diminuir estes síntomas consiste em adoptar um estilo de vida mais saudável, pró-ativo, onde aprender a cozinhar e levar a comida consigo para o seu local de trabalho pode fazer toda a diferença. Se você fizer isto, você vai conseguir evitar muitas das tentações que a indústria alimentar prepara engenhosamente para si todos os dias. Vamos às dicas.

1. Equilibre os seus níveis de glicémia

As alterações constantes nos seus níveis de glicémia são o maior estímulo aos cravings, portanto sempre que come, tenha a preocupação em manter os seus níveis de glicémia estáveis. Elimine completamente o açúcar, os edulcorantes artificiais, os refrigerantes, os sumos de fruta, e verá os seus desejos incontroláveis a ir embora. Combine proteína de boa qualidade (ovos, peixe, carne de pasto, frango, peru), gordura saudável (pêra abacate, oleaginosas, azeite, sementes, côco) e bons hidratos de carbono (batata doce, verduras, frutas, inhame) em cada refeição para manter os seus níveis de glicémia sempre estáveis e prevenir a inflamação crónica, o assassino silencioso das principais doenças da nossa civilização.

2. Coma um pequeno-almoço nutritivo e rico em proteína

Nós (você e eu!) fomos habituados a pensar que a comida de pequeno almoço teria que ser diferente da comida que comemos ao almoço e ao jantar. Não sei por que motivo as pessoas ainda pensam que o suminho de laranja com uma torrada ou um prato de cereais com leite ao pequeno almoço faz sentido, e um bife ou uma omeleta de manhã com salada ou verduras faz pouco sentido. Aquilo que eu sei é que o típico pequeno almoço que as pessoas comem é o gatilho ideal para deixar o corpo num estado constante de déficit nutricional. Um pequeno almoço rico em proteína vai ajudá-lo(a) a perder peso e a reduzir os ataques de fome durante o dia.

3. Coma proteína e gordura nos seus snacks

Aqui está a parte importante de ser pró-ativo no que diz respeito à saúde. Se você não tiver nada consigo preparado e lhe apetecer comer alguma coisa, quase de certeza que aquilo que vai encontrar não servir as necessidades do seu corpo (e das suas células), que precisa de ser alimentado todos os dias com nutrientes de boa qualidade. Exemplos práticos de snacks que pode comer fora dos períodos das refeições principais e que não vão comprometer os seus níveis de glicémia são: nozes, amêndoas, avelãs, cajus, côco, pêra abacate ou uma barrinha de boa qualidade (veja aqui como pode fazer uma na sua casa).

4. Durma 8 horas por dia

Dormir pouco aumenta a grelina, a hormona da fome (ou seja, quanto menos dormir mais apetite vai sentir), dormir pouco aumenta a resistência à insulina (quanto mais resistente à insulina, mais cravings), dormir pouco aumenta a resistência à leptina, a hormona da saciedade (menos sono = disfunção dos sinais de saciedade do organismo), dormir pouco vai comprometer a regeneração dos tecidos e a desintoxicação natural do corpo, através da melatonina (a melatonina é uma das hormonas da juventude, se você quer manter-se jovem, com uma pele firme e atrativo(a) ao sexo oposto, não brinque com isto!), dormir pouco vai afetar os seus níveis de cortisol e poderá conduzir a um estado de fadiga crónico das glândulas supra-renais (um estado cada vez mais atual nos dias de hoje devido ao stress crónico). Antes que me esqueça, e isto é importante para a malta que quer ficar mais forte, dormir pouco vai também afectar os níveis de testosterona e hormona do crescimento, as principais hormonas anabólicas. Resumindo, dormir pouco vai dar cabo de si, da sua saúde e vai desregular uma série de hormonas fundamentais ao seu bem-estar e longevidade.

5. Controle o Stress

Qualquer coisa que lhe cause stress, vai desencadear uma resposta hormonal para aumentar os cravings. Se você sente necessidade em comer, faça duas questões a si próprio(a): 1) O que é que estou sentindo e 2) O que é que eu preciso? Pode ser que exista algo além da comida que lhe permita satisfazer as suas necessidades. Adote um programa de gestão do stress que inclua exercícios de respiração profundos (aprenda a respirar com o diafragma), meditação e outras técnicas de relaxação. Algumas atividades que lhe podem ajudar neste sentido: Yoga, Pilates e ginástica chinesa.

6. Treine com vontade

O exercício físico ajuda a regular o apetite e é, provavelmente, o estímulo mais potente do ponto de vista fisiológico para aumentar a sensibilidade à insulina (quantos mais permeáveis tornarmos as nossas células à insulina, melhor). Mas não treine para queimar calorias, treine para ficar melhor todos os dias. A grande vantagem de treinar bem (i.e. treinar de forma dedicada) é elevar a sua capacidade funcional para outro nível. Por mais cuidados que você tenha com a sua alimentação, você nunca vai ter o corpo que precisa para prosperar e para fazer tudo aquilo que deseja, cuidando apenas da sua alimentação. A autonomia e liberdade para fazer o que gostamos depende, em grande parte, daquilo que fazemos no treino, se você vai ao ginásio para passar o tempo e está lá quase por obrigação, você não vai ter os resultados desejados. Tenha a preocupação em treinar as capacidades que mais perde ao longo da vida, a mobilidade, a força, a potência, a resistência muscular e deixe as caminhadas como uma alternativa social complementar ao treino – não faça das caminhadas o seu treino!

7. Otimize a sua ingestão de nutrientes

Se você não vive numa quinta, não anda nu(a) na rua e está sujeito(a) aos avanços que têm sido feitos na indústria alimentar, com a proliferação de alimentos processados mas que, curiosamente, são sempre saudáveis (hoje em dia eles até nos querem fazer crer que as batatas fritas caseiras são saudáveis!), o mais provável é que esteja deficiente am alguns nutrientes que têm uma importância acrescida na redução dos cravings, designadamente gorduras ómega-3 e vitamina D. As gorduras ómega-3 são importantes para controlar a função da insulina e podem ser encontradas na sardinha, cavala, salmão selvagem, linhaça e/ou em forma de suplemento. Quanto à vitamina D, a melhor forma de sintetizá-la é mesmo através do sol (cerca de 20 minutos dia parece ser suficiente), portanto aproveite agora o bom tempo, para aumentar os seus níveis de vitamina D, não só para reduzir os cravings, mas essencialmente para prevenir doenças auto-imunes, cancro, diabetes, hipertensão, osteoporose, melhorar a performance e muito mais!

Espero que estas dicas tenham sido úteis.

Até breve!

Fat Chance: Fructose 2.0 – Conferência Dr. Robert Lustig

sugar

No seguimento da famosa conferência do Dr. Robert Lustig “Sugar: The Bitter Truth” (pode ver a ligação aqui) que despertou o Mundo em 2009 para a relação existente entre os problemas do excesso de açúcar na nossa alimentação atual e a obesidade e outras doenças associadas, hoje queria partilhar aquilo que ele chama a segunda parte da conferência que ele deu há quatro anos atrás (que já conta com mais 4 milhões de visualizações!).

Recordo que o Dr. Robert Lustig é Médico e Professor de Pediatria na Divisão de Endocrinologia e Metabolismo da Universidade da Califórnia em São Francisco. Ele é também o autor do livro Fat Chance: The bitter truth about sugar e foi a primeira pessoa a me chamar a atenção para o trabalho desenvolvido pelo cientista e fisiologista britânico John Yudkin, que, em 1972, já tinha demonstrado que o açúcar era um veneno para o nosso metabolismo, através do livro Pure, White and Deadly. Infelizmente, o trabalho de Yudkin na altura foi ignorado pela maioria da comunidade médica e pela indústria alimentar, o que é “normal” no nosso Mundo quando alguém tenta provar algo que implica uma mudança de paradigma que vai contra os interesses das corporações.

Antes de começar a ver a conferência pense bem nestes dados e pergunte a si mesmo se não é urgente dar lugar a uma mudança de paradigma.

1. Segundo a Organização Mundial de Saúde, hoje em dia temos 30% mais obesos que pessoas subnutridas em todo o Mundo.

2. Segundo a Federação Internacional da Diabetes (dados de 2011), existem 366 milhões de diabéticos no Mundo, cerca de 5% da população mundial.

Ninguém fica doente porque quer, mas a maioria das doenças crónicas que hoje conhecemos estão relacionadas com o nosso estilo de vida sedentário e tóxico. Aquilo que sei é que estamos a enfrentar uma crise de saúde pública grave há muitos anos e a solução não passa pela toma de medicamentos, mas antes pela educação e sensibilização das pessoas para uma mudança de mentalidade, que implica perceber que as doenças podem ser preveníveis e que não surgem por acaso ou porque tivemos azar. Este é que é o grande desafio não só dos profissionais de saúde, mas também daquelas pessoas interessadas que se importam genuinamente com a saúde dos outros e com a melhoria da sua performance.

A conferência dura mais de 1h20 mas se você é daquelas pessoas que se preocupa com estas coisas, acredite que não vai querer deixar de ver. Se não conseguir ver hoje, guarde para vê-la noutra ocasião.

Até breve!

Muito Além do Peso – Documentário

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Hoje partilho convosco um documentário brasileiro chamado “Muito Além do Peso”, que tive conhecimento através do blog Fat New World (recomendo vivamente a todos aqueles que querem saber mais sobre nutrição com o devido rigor científico) e que aborda um dos problemas mais recorrentes na nossa sociedade, a obesidade infantil.

O documentário tem a duração de 1h23m e foca-se essencialmente nos hábitos de vida pouco saudáveis de muitas crianças brasileiras (consumo descontrolado de refrigerantes, açúcar, bolachas, batatas fritas e de todo o tipo de alimentos processados, inclusivamente o leite em pó) e a sua relação com o aparecimento cada vez mais precoce de doenças como a obesidade, hipertensão, diabetes tipo II, cancro, etc.

Apesar de longo, vale a pena ver e partilhar com todos aqueles que têm a responsabilidade (directa ou indirecta) de educar as crianças e melhorar os seus padrões gerais de alimentação e de estilo de vida. Estou a falar dos pais, professores, treinadores, profissionais de saúde e da comunidade em geral.

É bem possível que fiquem chocados.

Gostaria de saber os vossos comentários.

Até breve!

A verdadeira Cura para a Diabetes – A Alimentação

Este documentário conta a história impressionante de um grupo de indivíduos que passou 30 dias numa clínica no Arizona, EUA, com a finalidade de reverter os seus problemas graves de diabetes. Podemos ver casos de indivíduos com glicémias de mais de 300 e 400 mg/dl em jejum, quando os valores de referência andam entre os 70 e os 110 mg/dl.

Segundo o Dr. Mark Houston, Director do Nashville Hypertension Institute (Texas, EUA) idealmente este valor deve andar à volta dos 70- 80 mg/dl e não mais que isso.

A maioria das pessoas com diabetes é formatada para tomar medicamentos para o resto das suas vidas (porque os médicos dizem que este é um problema irreversível e sem cura), no entanto, aqui está mais uma prova que a nutrição é a base para prevenir e até reverter doenças. Os medicamentos para a diabetes não resolvem a causa do problema, apenas atenuam os síntomas. O problema continua lá se não for tratado desde a sua raíz. É como se quisesse evitar uma infiltração em casa, colocando panos e panelas em todo o lado, sem verificar se a torneira ficou aberta!

A “única” coisa que estas pessoas mudaram foi o seu regime alimentar que até então era simplesmente catastrófico. Não foi utilizado qualquer tipo de medicação nem suplemento alimentar. Isto significa que qualquer pessoa com diabetes pode reverter (ou pelo menos melhorar de forma significativa) o seu problema, mudando o seu estilo de vida.

A dieta destas pessoas é constítuida por comida crua alta em fibra (nota: a comida quando cozinhada perde 50% da proteína, 70-80% das vitaminas e minerais e quase 100% de antioxidantes), alta em hidratos de carbono das frutas e verduras, baixa em proteínas e gordura. Sem carne, sem produtos lácteos, sem pão, sem açúcar, sem cafeína e nada cozinhado além dos 48º Celsius.

Os resultados foram absolutamente incríveis, todos conseguiram reverter a diabetes, inclusivamente indivíduos com diabetes tipo I – em que o corpo produzia muito pouca ou nenhuma insulina – conseguiram livrar-se das injecções de insulina e reduzir de forma muito significativa a dependência da insulina (baixando de 70 para 5 unidades diárias).

Ou seja, uma alimentação com os nutrientes certos, pode levar o corpo a accionar determinados mecanismos e respostas hormonais, que até então estavam inibidos.

Altamente recomendável, vejam com atenção e partilhem com aqueles que conhecem que sofrem deste problema e com todos os potenciais interessados em saber um pouco mais da verdadeira cura para a diabetes.

O conhecimento é poder, por isso passe a mensagem.

Deixem os vossos comentários abaixo!