I Congresso Online de Alimentação Saudável – Portugal

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O I Congresso Online de Alimentação Saudável terá lugar entre os próximos dias 5 e 11 de Dezembro de 2016 e contará com 21 palestras dedicadas a um estilo de vida mais saudável com alguns dos maiores experts em Portugal.

Eu vou ter o privilégio de encerrar o Congresso, no dia 11 de Dezembro (domingo), às 20h, com o tema “Qual o tipo de exercício físico que pode dar mais vida aos seus anos?”. Nesta palestra irei falar sobre saúde, movimento e a relação existente entre o treino de força e longevidade.

O Congresso é totalmente gratuito e 100% online.

Os interessados poderão inscrever-se aqui.

Até breve!

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The Strength Clinic: A FORÇA chegou!

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Quando regressei a Portugal em 2012 e comecei a trabalhar num ginásio convencional lembro-me de ter uma conversa com um colega que as pessoas não tinham o acompanhamento que deviam ter e que mereciam melhor, muito melhor. Na altura lembro-me perfeitamente de ter explicado a minha visão e aquilo que entendia que era importante oferecer às pessoas para que estas pudessem realmente ter resultados diferentes e melhorar a sua qualidade de vida. A resposta da outra parte à minha frustração perante aquele cenário foi que era impossível criar algo desse género e que eu estava a sonhar. Em 2013, criei o Programa Fat Burn Boot Camp, que já vai na sua oitava edição. Agora, volvidos quatro anos, e no seguimento da missão que estabeleci, consegui tornar esse sonho realidade e criar um espaço onde as pessoas possam ter uma atenção mais personalizada.

Foi na passada terça-feira, dia 1 de Novembro, que teve lugar a inauguração da The Strength Clinic (TSC) em Alcântara (Lisboa). A TSC é um projecto que já vem sendo pensado por mim e pelo meu irmão (Nuno Correia) há algum tempo e esta Clínica / Ginásio tem como objectivo introduzir um novo conceito de treino físico na nossa sociedade, um conceito de saúde, força e longevidade destinado a melhorar a capacidade funcional de qualquer indivíduo.

Posso afirmar, sem reservas, que este projecto é o culminar de muitos anos de trabalho e de estudo na área da saúde, do treino e da nutrição. Aquilo que pretendemos oferecer é uma solução holística, integrada e funcional de longevidade com base no treino físico, na nutrição e no estilo de vida. O nosso sistema de treino assenta no conceito clássico de cultura física (algo que se foi perdendo ao longo do tempo) e na matriz evolutiva da motricidade humana, nós acreditamos que qualquer pessoa (independentemente do seu nível de fitness e condição clínica) poderá ser integrada num processo de desenvolvimento progressivo e funcional das suas capacidades.

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A cultura física é um termo utilizado para descrever as várias actividades utilizadas pelas pessoas ao longo dos séculos para fortalecer o seu corpo, melhorar o seu físico, aumentar a sua resistência, melhorar a sua saúde, lutar contra o envelhecimento, e para tornarem-se melhores atletas. No passado, o treino físico, mais concretamente o levantamento de pesos, era recomendado por médicos como uma ferramenta terapêutica para a prevenção e tratamento de doenças. Por exemplo, na Rússia, no final do século XIX / início do século XX, o médico polaco Vladislav Krayevsky, que fundou a Sociedade Amadora de Weightlifting de São Petersburgo e que escreveu dois trabalhos fundamentais (The Catechism of Health – Rules for Athletes e The Development of Physical Strength with Kettlebells and without Kettlebells), foi um pioneiro nesse sentido. Infelizmente, o conceito de cultura física foi-se perdendo, por vários motivos, após a Segunda Guerra Mundial.

A matriz evolutiva da motricidade humana diz respeito aos vários estágios de desenvolvimento  neuro-motor que vivemos desde o nosso nascimento até atingirmos a posição bípede. Nós evoluímos com o movimento e são os padrões de movimento que o nosso cérebro reconhece aqueles que serão utilizados para expressar a sua função. Por exemplo, quando nascemos temos bastante mobilidade, basta olhar para a forma como os bébés se movem e para a quantidade de vezes que eles caem. Porém, a sua maior dificuldade reside em controlar os movimentos, isto é, em ter a estabilidade necessária para realizar as suas funções.

Com o aumento do tempo de sedentarismo e com esta mudança das condições ambientais (em que conseguimos fazer a nossa vida com um telefone na mão), nós, adultos, perdemos a capacidade de realizar movimentos funcionais e de ter a capacidade física necessária para realizar pequenas tarefas que envolvem algum dispêndio energético como por exemplo: carregar as compras do supermercado, carregar objectos pesados, subir escadas, caminhar vários quilómetros por dia, nadar, correr, brincar com os filhos, etc. Se olharmos para o nosso percurso evolutivo enquanto espécie e para aquilo que somos hoje em dia, podemos constatar que todos os sistemas do corpo humano requerem actividade física para o seu desenvolvimento normal. Portanto, isto significa que a inactividade física não é apenas anormal, como também é patológica. O nosso corpo não está adaptado às condições ambientais em que vivemos e é também por isto que surgem as doenças!

A nossa visão na The Strength Clinic é criar uma epidemia mundial de saúde, força e longevidade, isto é, nós acreditamos que a vida de um ser humano pode ser semelhante à vida de uma lâmpada, a brilhar até ao último segundo. Queremos combater a mensagem derrotista e de inferiorização das pessoas mais idosas, na qual o espírito de comunidade e cultura de esforço não estão presentes. Para nós a melhor forma das nossas vidas está no futuro e não no passado, independentemente da idade cronológica actual.

No que diz respeito à nossa metodologia, podemos afirmar que a mesma é claramente distintiva dos ginásios convencionais e de outros espaços desportivos. Nós desenvolvemos uma metodologia de treino própria em que os princípios do treino (progressão, sobrecarga, especificidade e individualização) são essenciais. A nossa programação não inclui variedade inconsequente, nem a inclusão de exercícios que primam apenas pela sua espectacularidade. O nosso enfoque é na qualidade do movimento (i.e. prevenção de lesões), na personalização do treino e no desenvolvimento de mobilidade e força funcional de forma progressiva e sustentada.

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Outra aposta que queremos fazer é na formação e para isso já temos previsto a realização de vários workshops e cursos de kettlebells, de treino com barra e de mobilidade, que serão anunciados a seu tempo.

Existem vários pontos que nos distinguem dos outros espaços mas julgo que os seguintes quatro são os mais importantes:

1. Avaliação TSC 

1.1 Avaliação Funcional

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Visa sabermos o historial de saúde, as lesões antigas, o historial ao nível do treino e os objectivos específicos de cada pessoa. Porque a nossa aposta é na prevenção de lesões e na optimização da saúde, vamos avaliar a sua competência de movimento e perceber quais são as suas principais limitações físicas e/ou assimetrias. Nesta avaliação incluímos também vários testes para aferir a qualidade do movimento, testes de mobilidade específicos e vários testes de performance, que visam aferir a força, a resistência muscular, a activação de músculos chave, a estabilização em posições fundamentais e a força de preensão.

1.2 Avaliação Metabólica InBody770 

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Porque a relação entre o peso e a altura não é suficiente para uma análise correcta da composição corporal, vamos utilizar a mais avançada tecnologia de bioimpedância, o equipamento InBody 770 (utilizado em investigação clínica e com uma correlação de 98,4% com o DEXA), com a finalidade de recolher a informação completa sobre a sua condição metabólica actual e de dar uma orientação profissional para a composição corporal ideal.

1.3 Avaliação Visual 

Tem como finalidade ficarmos com o registo fotográfico da sua imagem para posterior comparação.

2. Programação

Conforme referi acima nós desenvolvemos um sistema e metodologia de treino próprios. Os nossos programas de treino visam o desenvolvimento de pessoas e a nossa selecção de exercícios baseia-se na sua eficácia e não na sua espectacularidade.

Os treinos em grupo (para 4-10 pessoas) são a nossa grande inovação e os mesmos assentam em programas regulares de ciclos de quatro a oito semanas e programas especiais nos períodos do Natal, Páscoa e Verão. Cada programa inclui os seguintes tipos diferentes de treino: 1) treino de força; 2) treino metabólico e 3) regeneração. As sessões de treino de força terão como enfoque principal o desenvolvimento de força através do treino de padrões de movimento fundamentais, com ou sem resistências externas. As sessões de treino metabólico terão como enfoque principal a resistência muscular e o treino de desenvolvimento dos sistemas energéticos. As sessões de regeneração terão como enfoque principal o treino de mobilidade e visam ajudar o corpo a recuperar de uma forma mais eficaz.

Além dos treinos em grupo e em função de necessidades mais específicas de cada pessoa, temos também sessões de treino privadas (1 treinador para 1 pessoa) e sessões de treino semi-privadas (1 treinador para 2/3 pessoas).

Temos também prevista a realização de programas especiais dirigidos para populações que sofram de alguma condição de saúde específica (doenças cardiovasculares, diabetes, cancro, osteoporose, sarcopenia, dores crónicas) equipas desportivas e para profissionais que requeiram um condicionamento físico mais exigente, tais como polícias, bombeiros e militares.

3. Personalização 

A nossa maior aposta em relação aos ginásios convencionais é uma maior personalização do treino em grupo. Nós estamos perfeitamente conscientes que todas as pessoas são diferentes e que têm necessidades diferentes. Por este motivo, é que fazemos sempre uma Avaliação da condição de cada indivíduo para sabermos aquilo que cada um é capaz de fazer e para adequarmos os exercícios / movimentos na nossa programação.

4. Supervisão / Acompanhamento 

Porque queremos que as pessoas obtenham resultados de classe mundial (com segurança) e porque sabemos que o acompanhamento no treino é fundamental na optimização dos mesmos, os nossos treinos serão sempre supervisionados por treinadores qualificados e genuinamente interessados no seu desenvolvimento.

Para mais informações sobre o nosso conceito e serviços, recomendo que visitem o nosso website em www.thestrengthclinic.training e/ou que acompanhem a nossa página no Facebook para ficarem a par das nossas novidades e publicações.

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Fico a aguardar a vossa visita!

Até breve!

7 Conselhos para MANTER-SE num Programa de Treino

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“Eu acho que existem duas chaves para o sucesso. Uma delas é aparecer. A outra é continuar. A maioria das pessoas não continua.” 

– Dan John

Toda as pessoas são capazes de iniciar um Programa de treino mas poucas são aquelas que conseguem acabar. E o segredo é este. Continuar. Persistir. Não parar. É como na vida profissional, há muitas pessoas a iniciarem os seus projectos mas são poucas aquelas que, efectivamente, conseguem consolidar os mesmos! Não pretendendo aqui discutir as razões pelas quais isso pode acontecer já que esse não é o foco deste artigo, aquilo que é importante perceber, em primeiro lugar, é que as pessoas estão a tentar mudar um hábito quando se propõem a realizar um programa de exercício. E a criação de um hábito leva o seu tempo.

Ora, se a pessoa está habituada a não fazer exercício é natural e expectável que precise de tempo de prática para assimilar o novo hábito. Pior ainda, se a pessoa guarda uma imagem negativa do exercício que fez, será ainda mais difícil reconstruir uma imagem mais simpática desse fenómeno. Portanto, os primeiros tempos / dias no que diz respeito à continuação num programa de exercício podem ser críticos. Se as pessoas sentirem demasiada exigência no início provavelmente não vão aderir no longo prazo. Por outro lado, se exigirmos pouco e se as pessoas sentirem que estão no caminho certo (i.e. a progredir), é muito mais provável que elas ganhem maior consciência e adiram ao hábito de fazer exercício para o resto da vida.

As ciências comportamentais dizem-nos que são necessários 21 dias para estabelecer um padrão  (i.e. formar um novo hábito) e 100 dias para torná-lo automático, ou seja, cerca de 14 semanas! Neste sentido, o mais importante será assegurar que as pessoas sejam capazes de começar a mudar os seus comportamentos com acções diárias, e que estas sejam quantificáveis e conscientes. É isto que temos feito com algum sucesso no programa Fat Burn Boot Camp, definimos objectivos a nível comportamental para que as pessoas possam praticá-los todos os dias e durante um período de 13 semanas.

Os conselhos abaixo têm como finalidade ajudá-lo a melhorar a sua adesão a um Programa de Treino e a fazer algum trabalho de casa antes de iniciar a sua jornada. Espero que sejam úteis.

1. Assuma a responsabilidade pela sua Saúde. 

Todas as pessoas têm dificuldades. Não são as dificuldades per si que nos impedem de ter sucesso mas a forma como reagimos a essas dificuldades. Enquanto você não perceber que o Mundo não gira à sua volta e não mudar o seu discurso com coisas do género: “eu não posso”, “eu já estou velho”, “eu não tenho tempo”, a mudança nunca vai acontecer. Você terá que aceitar o facto que a sua saúde é da sua responsabilidade e não dos outros. Você terá que aceitar o facto que nunca vai haver uma pastilha milagrosa ou uma técnica médica anti-aging que permita “compensar” a forma como você alimenta ou trata o seu corpo. Você terá que aceitar o facto que se o seu estilo de vida não controlar o seu corpo, eventualmente o seu corpo irá controlar o seu estilo de vida. Ter saúde requer muito esforço e dedicação, manter boa saúde hoje em dia é um desafio constante, se assim não fosse não haveria tantas pessoas obesas e doentes.

2. Saiba a verdadeira razão pela qual está a realizar o programa. 

Existem centenas de razões para as pessoas iniciarem um programa de treino. Cada pessoa terá a sua razão: “porque é bom para mim”, “porque faz bem à saúde”, “porque o meu médico mandou”. Os seres humanos, como animais pensantes, precisam de razões concretas para fazer as coisas – e precisam de provas tangíveis do seu progresso. As razões indicadas acima são demasiado generalistas, se você está à procura de resultados, primeiro você tem que saber qual é o resultado que pretende obter. Quando a generalização é grande é natural que a motivação seja pequena. Não há um objectivo claro. Eu acredito que a ajuda de um profissional poderá ser determinante neste sentido uma vez que, e falo com base na minha experiência, a maior parte das pessoas não sabe realmente aquilo que quer e não tem noção do que é expectável conseguir em dois ou três meses de treino regular. Na minha opinião, é fundamental definir a razão principal (ou propósito se preferir), escrever num papel aquilo que realmente quer. Tem que ser algo que tenha um significado especial para si e que possa obter feedback em poucos meses de treino regular, não anos ou décadas. A sua verdadeira razão não tem que ser orientada para a saúde ou para o aspecto físico, pode ser emocional ou puramente social, o que importa é que tenha um significado especial para si. Deixo um exemplo: “Eu quero ser saudável e forte para poder manter a minha independência física para além dos 100 anos”.

3. Assuma um compromisso consigo mesmo. 

No seguimento do ponto anterior além do “porquê”, defina também “quando” e “como” vai fazer exercício. Defina um período de tempo para o efeito e comprometa-se em realizar o programa nesses moldes. A ideia de escrever estes pontos foi testada há muitos anos por Leonard Wankel, PhD, o director de Programa do Departamento de Recreação e Lazer na Universidade de Alberta, no Canadá. Ele utilizou esta técnica num programa de seis meses de reabilitação cardíaca. Os participantes dividiram-se em três grupos. No primeiro grupo, os indivíduos escreveram uma declaração a descrever porquê, quando e como fariam exercício. A sua taxa de sucesso foi de 65%. No segundo grupo, os indivíduos não escreveram nada – a taxa de sucesso foi 42%. No terceiro grupo, em que pediram aos indivíduos para escrever mas estes recusaram, a taxa de sucesso foi de 20%. Escrever uma declaração daquilo que vamos realizar implica ter motivação intrínseca e assumir a responsabilidade pessoal pelo sucesso ou pelo fracasso. Quando nós dedicamos tempo para desenhar o mapa necessário à consecução dos objectivos, a conquista do(s) objectivo(s) será o cenário mais provável. 90% das nossas acções acontecem a nível subconsciente! Ou seja, a forma como pensamos é a nossa oportunidade para nos influenciarmos a nós próprios (e aos outros).

4. Tome nota dos pequenos passos que conquistou. 

No caderno ou no diário onde escreveu a sua declaração tome nota dos passos que conquistou ao longo do Programa. É muito importante que registe estes dados para poder aferir a sua progressão. Por exemplo: “hoje, pela primeira vez, consegui fazer uma flexão bem feita no chão”, “ao fim de um mês já perdi cinco centímetros no perímetro abdominal”, “pela primeira vez na minha vida desde há dois anos para cá deixei de sentir dores nas costas”, “hoje consegui fazer peso morto com o meu peso corporal”. Ao registar estes feitos, que vão variar em função da razão principal (i.e. propósito) que estabeleceu, você vai perceber que o seu esforço está a valer a pena e isso irá mantê-lo focado no programa que está a realizar.

5. Procure um amigo ou um parceiro de treino. 

O suporte social pode ser um aspecto determinante para aumentar a sua adesão a um programa de exercício. E por isso é que é mais fácil treinar em grupo ou com algum amigo para facilitar o processo de mudança comportamental. O companheirismo é um aspecto chave na motivação das pessoas. Haverá sempre aqueles dias em que você não tem vontade de treinar e é nesses momentos que um parceiro de treino pode fazer toda a diferença. Se você tiver alguém ao seu lado que esteja a partilhar a mesma experiência o caminho será mais fácil. Eu acredito que o sucesso para manter-se num programa de treino tem muito a ver com a relação que consegue estabelecer com as pessoas à sua volta. É mais provável que você apareça num ambiente amigável onde tenha pessoas à espera para levantar pesos consigo.

6. Estabeleça um horário para o seu treino e seja pontual. 

Os parceiros de treino também servem para outro propósito: estabelecer um horário para treinar e criar uma rotina para os seus dias. Se você não planear os dias e os horários com antecedência o mais provável é que depois vai arranjar desculpas para não treinar. Lembre-se: falhar em planear é planear para falhar. Em relação à pontualidade, se você não é pontual comece também a mudar os seus hábitos por aqui. É altamente deselegante e desrespeitoso chegar sistematicamente atrasado. Para quem não sabe, ser pontual implica chegar um pouco mais cedo que a hora marcada para poder começar o treino na hora certa. A sua responsabilidade aqui não é menor quando tem uma consulta no médico, quando tem que apanhar um avião ou quando tem uma reunião de negócios importante. Como nos diz Robin Sharma, ser pontual é ser honrado.

7. Comece devagar e seja paciente. 

A maior parte das pessoas que inicia um programa de exercício desiste demasiado cedo porque quer fazer tudo ao mesmo tempo. A impaciência é um traço característico dos seres humanos. Principalmente hoje em dia com tanta informação disponível de forma gratuita e contraditória. As pessoas querem ver resultados rápidos e depois perdem-se naquilo que precisam de fazer para obter esses resultados. A desinformação / ruído pode ser realmente um problema para manter as pessoas focadas num objectivo. Além disso, parece ainda haver pessoas que esperam ficar em forma em duas semanas quando passaram mais de cinco ou dez anos sem fazer nada (nota: se você ficou cinco ou dez anos sem fazer nada não espere resolver todos os seus problemas em duas semanas. Isto é impossível e quem lhe disser o contrário está a mentir!). A ciência que estuda os hábitos dos seres humanos diz-nos que quanto mais hábitos quisermos mudar ao mesmo tempo menores serão as probabilidades de mudança. Portanto, se você quiser ter sucesso, o melhor é começar devagar, definir um hábito de cada vez e manter-se consistente e relativamente paciente ao longo de todo o processo.

No que diz respeito aos programas de treino, é preciso perceber que existem diferenças entre programas. Há programas bons e há programas maus. Do meu ponto de vista, você deve apostar naqueles que visam o desenvolvimento progressivo de competências individuais ao longo do tempo e que incluam as seguintes três características: 1) propósito, 2) precisão e 3) progressão. Se você já vai o ginásio há muitos anos e está sempre a fazer a mesma rotina, é muito provável que esteja a faltar alguns ingredientes.

Até breve e bons treinos!

Referências

Babauta, L. The Power of Less. Hay House (2009).

Evans, W.; Rosenberg, I. Biomarkers: The 10 Keys To Prolong Vitality. First Fireside Edition (1992).

Workshop Mobilidade

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No passado dia 14 de Maio (sábado), tive a oportunidade de ministrar um Workshop de Mobilidade subordinado ao tema “Preparação para o Treino, Recuperação do Treino & Prevenção de Lesões” com o meu amigo Pedro Braz, na Iron Box CrossFit Alfragide.

Neste workshop abordamos o conceito de fascia, de libertação miofascial, os benefícios do treino de mobilidade, exploramos várias técnicas de mobilização, como programar o treino de mobilidade, as suas principais regras e a importância da nutrição na manutenção da nossa fascia e na funcionalidade do sistema músculo-esquelético.

Aqui ficam algumas fotos de mais um excelente momento de partilha e aprendizagem.

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Fat Burn Boot Camp 7th Edition – Inscrições Abertas

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FAT BURN BOOT CAMP (9 ABRIL – 2 JULHO, LISBOA)

O QUE É O FAT BURN BOOT CAMP? EM QUE CONSISTE?

O Fat Burn Boot Camp é um conceito de treino inovador que tem como objectivos queimar gordura, tonificar o corpo e aumentar os níveis de força e energia, através da aprendizagem  de movimentos funcionais e fundamentais para a sua vida (andar, agachar-se, levantar-se, empurrar, puxar, rodar, correr, saltar, lançar, etc.).

Apesar do nome “Boot Camp” poder fazer lembrar aquilo que se faz no meio militar, este evento vai ter características diferentes, uma vez que o treino e os exercícios serão adaptados à capacidade física de cada pessoa. Um dos objetivos principais é, obviamente, queimar gordura, mas mais importante que isso, é termos a certeza que vai melhorar a sua saúde e composição corporal sem comprometer a sua integridade física. Ou seja, queremos ajudá-lo(a) a alcançar esses resultados, sem que para isso tenha que saltar 500 vezes e/ou a fazer 500 flexões na mesma sessão de treino (ao estilo do que já vimos no Biggest Loser)!

O Fat Burn Boot Camp consiste na prática de treino físico em grupo com a orientação de profissionais qualificados, através da realização de exercícios funcionais com o peso corporal e outro tipo de equipamento desportivo. O tipo de treino inclui trabalho de estabilidade, mobilidade, equilíbrio, força, velocidade, potência, agilidade, core e resistência muscular, isto é, todos os atributos físicos que precisa para ter mais autonomia e maior qualidade de vida.

As sessões terão uma duração aproximada de 60 minutos e serão realizadas ao ar livre de uma forma intensa (e igualmente divertida) porque estamos conscientes que só assim é que é possível atingir os resultados que deseja. Portanto, vai ter a oportunidade de treinar bem e divertir-se ao mesmo tempo que queima gordura! Não acha espectacular?

PORQUÊ O FAT BURN BOOT CAMP E NĀO OUTRO BOOT CAMP QUALQUER?

Além das características descritas acima, é preciso destacar que o programa de treinos que temos para si não se esgota nas sessões de treino propriamente ditas. Como um dos nossos objectivos é garantir que alcança resultados mensuráveis, não podemos ignorar aquilo que come todos os dias. Desta forma, vamos encorajá-lo(a) a fazer algumas melhorias a nível nutricional e vamos dar-lhe um programa para que possa realizar em casa durante a semana. Se não tiver pachorra para treinar sozinho(a) arranje um familiar ou amigo para treinar consigo!

Sabemos que tudo isto envolve algum esforço e disciplina (e temos noção que estas coisas podem ser difíceis de cumprir), mas acreditamos profundamente que este tipo de investimento compensa – afinal de contas aquilo que lhe estamos a oferecer é uma oportunidade para melhorar a sua qualidade de vida.

O QUE PODE ESPERAR DO PROGRAMA FAT BURN BOOT CAMP?

  • Uma melhoria da sua saúde e condição física.
  • Uma mudança na sua composição corporal.
  • Mais energia e vigor para a vida – um regresso à sua juventude!
  • Uma dose de olhares invejosos quando for à praia.
  • Melhor tom de pele como resultado da libertação de toxinas.
  • Uma melhoria nos seus padrões de sono.
  • Uma melhoria da sua auto-estima quando olhar para o espelho.
  • Um corpo mais tonificado.
  • Uma melhoria na sua performance sexual.
  • Uma melhoria da sua qualidade de vida.

QUEM PODE PARTICIPAR?

Todas as pessoas com idade superior a 18 anos de ambos os géneros e que não tenham qualquer problema de saúde conhecido.

NOTA IMPORTANTE: O Fat Burn Boot Camp destina-se apenas àquelas pessoas que estão seriamente comprometidas em melhorar a sua saúde e a sua condição física. Queremos sentir a sua energia positiva e o seu entusiasmo, portanto os queixinhas e os resmungões não precisam de se inscrever.

QUAIS OS LOCAIS / DATAS / HORÁRIOS?

O Fat Burn Boot Camp terá uma duração de 13 semanas, de 9 de Abril a 2 de Julho de 2015, e decorrerá todos os sábados de manhã no Parque Urbano do Jamor. Existem também alternativas (ver programas abaixo) para aqueles que não se querem comprometer com o programa de 13 semanas, no entanto, este é o programa de MELHOR VALOR e que recomendamos a todos aqueles(as) que pretendem transformar o seu corpo e a sua vida!

Vamos abrir as inscrições para dois grupos, com sessões de treino às 9h e às 10h30, com possibilidade de abrir mais um grupo de trabalho às 12h se houver procura para tal. O número mínimo de participantes para a realização deste Programa (por grupo) é de oito pessoas. No caso de não se verificarem inscrições suficientes, esse horário será cancelado.

COMO SE PODE INSCREVER?

As inscrições decorrerão até ao próximo dia 4 de Abril (segunda-feira).

Para formalizar a sua inscrição só tem que enviar um e-mail a fatburnbootcamp13@gmail.com com o seu nome, número de telefone e horário em que pretende treinar. Note que as mesmas só serão consideradas válidas após o envio do comprovativo de transferência bancária para o e-mail.

O número de vagas é limitado, pelo que recomendamos que garanta o seu espaço com a maior antecedência possível.

QUAIS OS PROGRAMAS? O QUE ESTÁ INCLUÍDO?

1) Fat Burn Boot Camp (13 sessões/13 semanas): 195€ total (65€/mês)

* Este é o programa que precisa de fazer para ver resultados significativos e para transformar o seu corpo e a sua vida.

Horários disponíveis: 9h e 10h30 (com possibilidade às 12h em função da procura).

Inclui:

  • Sessão de Orientação/Avaliação
  • Uma sessão de treino em grupo por semana
  • Medição mensal do peso e perímetro de cintura
  • Aconselhamento Nutricional
  • Programa de treino para realizar em casa durante a semana
  • T-shirt oficial do evento.

 2) Programa Mensal (4 sessões/4 semanas): 65€

*Para aqueles que não podem fazer o programa de 13 semanas, por motivos laborais e/ou outros. Vai notar algumas melhorias, mas nada que tenham a ver com o programa anterior.

Inclui:

  • Uma sessão de treino em grupo por semana
  • Medição do peso e perímetro de cintura, no início e no fim do mês
  • Programa de treino para realizar em casa durante a semana

3) Sessão individual: 15€

*Para aqueles que não podem fazer nenhum dos anteriores mas que ainda assim pretendem experimentar uma sessão de treino completamente diferente daquilo que estão habituados.

NOTA: Para as pessoas que têm objetivos mais específicos e que pretendem progredir de uma forma mais rápida, existe uma opção para aconselhamento personalizado, que está disponível através de consulta. Entre em contacto connosco para saber mais detalhes.

COMO SE PROCESSAM OS PAGAMENTOS?

O pagamento deverá ser efectuado por transferência bancária para o NIB 0065 0922 00114720000 71, com a indicação do serviço/programa que pretende.

No caso do programa de 13 semanas, os pagamentos devem ser efectuados mensalmente (65€/mês) até o dia 5 do mês de Maio e Junho. No primeiro mês (Abril), o pagamento deverá acontecer juntamente com a inscrição.

No caso do programa de 4 semanas, o pagamento de 65€ deverá ser efectuado previamente aquando do momento da inscrição. Precisará de confirmar connosco o dia em que pretende iniciar o Programa mas tenha em conta que este deverá ser realizado em quatro semanas seguidas.

No caso das sessões individuais, o pagamento de 15€ deverá ser efectuado previamente aquando do momento da inscrição. Precisará de confirmar connosco o dia em que pretende realizar o treino.

NOTA 1: Tendo em conta os objetivos do programa e a limitação de lugares, vamos dar prioridade às pessoas que se inscreverem para o programa completo de 13 sessões.

NOTA 2: Os participantes são responsáveis por enviar o comprovativo de pagamento até à(s) data(s) indicadas para  o e-mail fatburnbootcamp13@gmail.com.

QUE EQUIPAMENTO DEVO LEVAR?

Recomendamos que traga roupa desportiva, uma toalha (para não sujar o banco do seu carro quando for para casa) e, muito importante, uma garrafa de água. O nosso corpo e tecido cerebral são compostos por mais de 75% de água e o tipo de treino que vai fazer requer que se hidrate com alguma frequência. Portanto, TRAGA ÁGUA!

PROOFISSIONAIS RESPONSÁVEIS

Pedro Correia (https://pedrocorreiatraining.wordpress.com/)

Nuno Correia (https://www.facebook.com/NunoCorreiaPerformance/)

Gil Delgado

Hugo Falcão

Catarina Roquete

CONTACTOS

Web: http://fatburnbootcamp.com/

Facebook: https://www.facebook.com/fatburnbootcamp

E-mail: fatburnbootcamp13@gmail.com

OUTROS ASSUNTOS

A organização reserva o direito de alterar ou modificar quaisquer regras, assim como locais e/ou datas, em casos de extrema necessidade, de modo a não pôr em causa a segurança dos participantes.

Qual é o seu DRIVE?

Umas das coisas boas deste período de Natal e de fim de ano é que temos mais tempo livre para nos organizarmos e para planearmos o ano seguinte. Para mim este período tem sido particularmente útil para descansar mas também para pôr alguma leitura em dia. Hoje em dia, apesar da grande quantidade de informação disponível, parece que está a ficar cada vez mais difícil de arranjarmos tempo para ler as coisas como deve ser, o que pode ser um indicador perigoso de ignorância colectiva: “Não há diferença entre aquele que não sabe ler e aquele que escolhe não ler. Ambos terminam da mesma forma – ignorantes.”

Para mim 2014 foi um ano de grande realização pessoal e profissional apesar de um pequeno contratempo que tive que enfrentar em Março deste ano. A jogar futebol com os amigos fiz uma rotura do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco interno no meu joelho esquerdo – para quem não sabe esta é a típica “lesão grave” dos futebolistas e que os impede de jogar pelo menos durante seis meses. Como devem calcular isto doeu um bocadinho e os dias de recuperação após a cirurgia foram bastante díficeis, já que a minha capacidade de locomoção ficou severamente afectada. Perante este cenário, tive que parar de dar treinos durante algum tempo, apostar na minha reabilitação e aproveitar para fazer outras coisas para as quais não teria tempo se isto não tivesse acontecido. Nem tudo foi mau :).

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Voltando ao primeiro parágrafo, um dos últimos livros que li durante este período de Natal / fim de ano foi o Drive do Daniel H. Pink. O autor fala-nos sobre motivação e apresenta-nos uma perspetiva interessante da diferença que existe entre aquilo que a evidência científica nos diz em relação à motivação dos seres humanos e aquilo que a maior parte das empresas faz. Os seres humanos têm basicamente três drives: 1) o drive que inclui a fome, sede e sexo; 2) o drive para responder às recompensas e castigos no nosso ambiente de trabalho (ou vida em geral) e 3) o drive a que os cientistas chamam de motivação intrínseca e que será, provavelmente, o mais poderoso de todos.

Portanto, partindo deste raciocínio, o autor divide a motivação em três fases: a motivação 1.0 está associada à sobrevivência; a motivação 2.0 está identificada pela resposta das pessoas às recompensas externas e/ou castigos; e a  motivação 3.0, a tal motivação intrínseca que está referenciada como um upgrade da anterior e aquela que faz realmente a diferença – se calhar era boa ideia que os nossos políticos corruptos e incompetentes lessem este livro. Partindo do princípio que todos nós temos os fenómenos associados com a sobrevivência assegurados (motivação 1.0), a diferença de drive dos seres humanos assenta sobretudo entre a motivação 2.0 – a motivação por via das recompensas / castigos (motivação extrínseca) e a motivação 3-0 – a motivação por via da satisfação inerente à atividade propriamente dita (motivação intrínseca). O autor apresenta-nos vários estudos interessantes, a comprovar que as pessoas que são motivadas por algum tipo de recompensa externa não são as mais felizes, nem aquelas que se destacam mais nas suas áreas de intervenção – o tal drive que vem do interior é que faz a diferença. Aqueles que procuram o sucesso per si, não são aqueles que acabam por ter maior sucesso.

Mas será que precisamos de estudos para comprovar que aquilo que nos faz levantar da cama de manhã é o que faz a diferença na forma como realizamos o nosso trabalho? Será que precisamos de estudos a mostrar evidência que aquilo que gostamos de fazer é aquilo que nos faz prosperar e viver a vida nos nossos sonhos? Eu acho que não é necessário chegarmos a este ponto, e se você pensar bem, não há nenhum estudo a comprovar que você ama os seus pais, avós, o seu irmão/irmã, o seu filho e/ou a sua esposa – se você é um ser humano normal eu não tenho dúvidas nenhumas que você gosta genuinamente destas pessoas. Isto para mim parece-me lógico, nós vamos sempre fazer mais e viver melhor se gostarmos genuinamente daquilo que fazemos, é isto que cada um de nós deve tentar buscar para a sua vida.

Se tiver tempo (e se ainda não viu) veja esta TED Talk do Mihaly Czikszentmihalyi: Flow The Secret to Happiness.

Agora que entramos em 2015, aproveite para escrever calmamente os seus objetivos para este novo ano, vá fazendo uma lista dos projetos que gostaria de realizar durante a sua vida, procure um tempo para si, pense naquilo que tem à sua volta e naquilo que gostaria de ter, beba água durante o processo, pense no sentido da sua existência, no seu propósito, cuide da sua saúde, ajude os seus amigos / familiares, e por favor não seja daquelas pessoas que se inscreve no ginásio em Janeiro e depois desiste em Março. Seja consistente nos seus pensamentos, mas sobretudo nas suas ações, é aqui que reside a diferença entre aqueles que conseguem alcançar os objetivos e aqueles que não conseguem.

Desejo um Feliz Ano Novo a todos, cheio de saúde, energia e FORÇA.

Até breve!

Referências

Pink, D,. Drive. The Surprising Truth About What Motivates Us. Riverhead Books. (2011).

Sete coisas que aprendi com o Mark Rippetoe

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Estes últimos dias estive nos EUA para aprender um pouco mais sobre aquele que considero um dos melhores modelos para o treino de força, o Starting Strength Model. Finalmente, tive o privilégio de conhecer o Mark Rippetoe, uma referência mundial no que diz respeito ao treino de força e provavelmente uma das pessoas que mais sabe e tem publicado sobre a matéria.

Além do seu amplo conhecimento (teórico e prático) sobre a força, é de destacar também a sua paixão quando ele fala destes assuntos e a forma pouco habitual como ele aborda os conteúdos – o seu carácter (com algum humor negro à mistura) é algo de singular nesta indústria. O homem não podia ser mais autêntico.

Numa tentativa de partilhar um pouco daquilo que foi abordado ao longo destes últimos dias, vamos então às sete coisas que aprendi com o Mark Rippetoe:

1) A importância de ter um Modelo para a Força

Uma das coisas que mais me fascinou sobre o modelo Starting Strength foi a forma como ele está organizado e estruturado. Os livros Starting Strength Basic Barbell Training e Practical Programming for Strength Training estão certamente entre os melhores livros que já li sobre a matéria, e eu não conheço nenhum livro tão detalhado como o primeiro a explicar as razões pelas quais os movimentos principais são feitos de uma determinada maneira e não de outra ou outras para o desenvolvimento de força.

Os movimentos a que me refiro são o Agachamento, o Peso Morto, o Bench Press, o Press e o Power Clean. Todo o racional por detrás destes movimentos assentam em bases sólidas de biomecânica, biologia, física, fisiologia e anatomia humana. É, portanto, muito difícil refutar (de forma construtiva) contra argumentos baseados nestas ciências.

Os critérios para a inclusão destes movimentos neste modelo assentam nos seguintes pontos: 1) utilizar a maior quantidade de massa muscular; 2) utilizar uma amplitude de movimento mais eficiente; 3) levantar a maior quantidade de peso na barra e 4) ficar mais forte.

Se você tem um interesse genuíno em ficar mais forte e, por consequência, mais apto, deixe-me dar um conselho: aprenda a fazer bem estes movimentos. Ah e “mais forte” significa isso mesmo “mais forte”, ser capaz de produzir mais força contra uma resistência externa. Por favor não associe este termo à imagem das mulheres e homens musculados que vê nos concursos de culturismo e que passam horas e horas diárias a fazer exercícios por cada gupo muscular. Ou seja, “mais forte” não é sinónimo de “grande”.

2) A importância da execução técnica dos Movimentos

A maioria das pessoas pensa que basta saber os nomes dos exercícios para depois fazê-los em casa ou no ginásio sem qualquer tipo de feedback de alguém que perceba do assunto (i.e. um treinador habilitado para tal). O procedimento normal quando têm dúvidas é procurar na internet por fotos ou vídeos dos exercícios e/ou perguntar a algum guru da internet a forma como se devem fazer os exercícios. É verdade que isto até pode funcionar para algumas pessoas (e isto até é bom) mas é preciso ter consciência que se você não tiver qualquer tipo de feedback assertivo, você pode também estar a desenvolver padrões de movimento menos eficientes que, mais tarde, ficam mais difíceis de corrigir – um movimento mal exectuado repetido muitas vezes nunca se vai tornar eficiente. Isto pode acontecer num swing de golfe, num serviço no ténis ou num dos movimentos básicos para treinar a força. Se você só faz exercícios típicos de culturista a margem de erro é muito menor já que você só está a trabalhar um determinado grupo muscular.

Deixe-me dizer-lhe mais uma coisa, a maioria das pessoas presentes neste seminário eram treinadores com alguma experiência, todos já conheciam e praticavam os movimentos da forma que estava descrita no livro e não havia um que não precisasse de melhorar vários aspectos desses movimentos. Todos nós tínhamos aspectos a melhorar e era para isso que lá estávamos, para identificarmos as nossas limitações, para tirarmos algumas dúvidas e para otimizarmos a mecânica dos movimentos.

Portanto, este ponto só interessa àqueles que treinam e que pretendem maximizar a sua performance, aqueles que só fazem exercício físico não precisam de se preocupar com isto (no ponto 4 explico as diferenças).

3) A importância de ter um BOM Treinador 

Se você procura qualidade e excelência de serviços, procure por profissionais dedicados que investem o seu tempo na aprendizagem de novos conhecimentos, na sua formação contínua e que tenham experiência a treinar pessoas. Hoje em dia existem muitos “instrutores” que tiram cursos de fim de semana e que ficam quase que automaticamente habilitados a treinar pessoas. Tenha cuidado com isso, é o seu corpo que está em jogo.

O bom treinador não é necessariamente aquele que tem mais títulos ou mais letras à frente do nome, o bom treinador é aquele que ajuda os seus clientes/atletas a atingir os resultados que eles pretendem e que compreende aquilo que eles estão a sentir. Por outras palavras, um treinador não tem apenas que observar, analisar e avaliar a progressão do seu atleta, mas também tem que treinar – como é que ele pode perceber o que o seu atleta está a sentir se ele (treinador) não faz o mesmo? Não é só nos livros que está o conhecimento, debaixo da barra também se estuda!

Obviamente que a educação do treinador é importante, mas a verdade é que a mesma não serve de muito se não houver uma aplicação sustentada desse conhecimento. E é nesse contexto que surge a experiência, a experiência que ganhamos a treinar pessoas – é este mecanismo de retroalimentação que, bem utilizado, nos pode elevar para a excelência ou que, mal utilizado, nos pode empurrar para a mediocridade. Um bom treinador é aquele que consegue ensinar e corrigir cada pessoa da forma que ela mais precisa naquele momento, isto pode acontecer através de estímulos visuais, estímulos auditivos e/ou estímulos tácteis.

Todas as pessoas aprendem de forma diferente e é por este motivo que eu tenho alguma dificuldade em perceber a lógica de treinar pessoas pela internet e de “passar receitas” sem conhecer a pessoa e sem conhecer o seu perfil de movimento.

4) Exercício e Treino são duas coisas diferentes

Quem me segue há algum tempo, já deve estar farto de me ouvir a dizer isto: muita gente faz exercício físico, pouca gente treina. Vamos lá distinguir os conceitos, mais uma vez.

Exercício físico pode ser caracterizado como um evento que produz os efeitos desejados no mesmo dia, ou seja, este tipo de atividade é realizado com o objetivo de induzir um stress que satisfaz as necessidades imediatas do indivíduo (exemplos: queimar calorias, transpirar, alongar os músculos ou mesmo vomitar – não riam, eu asseguro-vos que isto também acontece). Isto pode ser conseguido através de caminhadas, de aulas de grupo  ou de um WOD no CrossFit.

Treino é um processo que tem como objetivo criar adaptações gerais e/ou específicas a médio ou longo prazo, dependendo do nível a que está cada pessoa. O treino envolve programação, organização e um nível de planeamento que nada tem a ver com o exercício físico. As sessões de treino (i.e. o stress aplicado) são efectuadas com um objetivo mais sério em mente. Quando falamos de treino o objetivo é a progressão, a melhoria de capacidades físicas e mentais com vista à maximização do potencial de cada indivíduo.

Em suma, se você não tem objetivos específicos e vai ao ginásio para fazer apenas treino de manutenção (seja lá isso o que for), você não precisa de treinar.

5) Para treinar a Força é preciso levantar pesos pesados

Pessoal não há hipótese (mesmo!), os músculos não crescem do ar e não crescem certamente a levantar pesos em miniatura. Se vocês não acreditam em mim, olhem para as pessoas que vão ao ginásio e que não fazem outra coisa senão aulas de grupo, passadeira ou alguns exercícios com essa classe de “objetos leves” – elas nunca ficam mais fortes! É impossível ficar mais forte quando o princípio da sobrecarga é ignorado. Ou seja, se você está sempre a utilizar as mesmas cargas (i.e. o mesmo stress), você nunca vai dar a oportunidade ao seu corpo para gerar novas adaptações, e isto em termos práticos significa que você nunca vai obter resultados diferentes. Aliás, você até vai acabar por regredir porque o seu corpo vai estar sempre a fazer a mesma coisa – já percebeu porquê que treino de manutenção é, no mínimo, um conceito dúbio?.

Para ficar mais forte, é preciso fazer força, é preciso carga, é preciso intensidade, é preciso treinar de forma inteligente e realizar movimentos que utilizem grandes quantidades de massa muscular, se você vai para o ginásio socializar, passar o tempo e falar dos problemas do país, você ainda não percebeu a importância que o aumento de força e de massa muscular podem ter na sua saúde e longevidade.

Permitam-me aqui fazer um pequeno parêntesis: há muitos anos atrás, penso que ainda nos tempos dos meus pais, os ginásios eram locais educativos, com espaço e tinham como propósito tornar as pessoas mais independentes, mais fortes e mais aptas. As pessoas iam a esses sítios para aprender movimentos e para treinar. Hoje em dia é quase impossível isso acontecer, além dos ginásios estarem sobrecarregados de máquinas, muitas delas inúteis, são poucas as pessoas que lá vão com um propósito de melhorar as suas competências físicas – honestamente não sei até que ponto este conceito de health club que todos nós conhecemos trouxe mais ou menos benefícios.

No que à força diz respeito, se você ainda tem dúvidas sobre a intensidade com que deve fazer os movimentos, tenha presente o seguinte: se você estiver a fazer uma série de Peso Morto e é capaz de estar a falar a meio da série, é porque você não está a treinar com intensidade suficiente. Para treinar a força de forma adequada o enfoque deve ser poucas repetições, cargas pesadas e um tempo de descanso relativamente grande entre séries (mínimo 3 minutos).

6) A Força é a fundação para a melhoria da performance 

Uma pessoa / atleta mais forte terá sempre mais vantagens que uma pessoa / atleta mais fraco. A força é a base para o desenvolvimento das outras capacidades atléticas (equilíbrio, velocidade, potência, endurance, agilidade). A partir do momento que estamos em contacto com o solo temos que produzir força contra a ação da gravidade para nos mantermos em pé. Ao contrário da potência, que depende em grande parte da nossa genética e da eficiência do sistema neuromuscular, a força é a capacidade mais “treinável” de que dispomos e a vantagem é que esta pode ser melhorada durante décadas.

A força é, portanto, uma habilidade, que pode ser treinada durante a vida toda e a verdade é que é esta habilidade que mais vamos precisar até ao fim das nossas vidas. Com o avançar da idade é natural assistirmos a um declínio da força, isto acontece porque há uma diminuição da função endócrina, porque temos uma ou outra lesão que nos vai condicionar a fazer algumas coisas e porque tornamo-nos cada vez mais sedentários à medida que envelhecemos. Daí a razão pela qual os nossos pais e avós precisam de começar a levantar pesos. Fazer caminhadas não é suficiente. Fazer treino em cima de superficies instáveis para ajudar no equilibrio é uma perda de tempo. O equilíbrio não é nada mais que a capacidade para controlar o nosso centro de massa, e isso é perfeitamente alcançável com o treino de força.

Mesmo para os desportistas que fazem desportos de endurance, o treino de força é muito importante. O endurance pode ser classificado como uma série de contrações sub-máximas repetidas muitas vezes. Ou seja, um ciclista que é capaz de exercer mais força em cada contração sub-máxima, terá maiores hipóteses de percorrer uma determinada distância em menos tempo. Por esta ordem de ideias, se melhorarmos a força absoluta deste atleta (num agachamento por exemplo) ele será capaz também de aumentar a velocidade e de ganhar mais distância em cada pedalada.

7) O Treino de Força na prevenção e tratamento de doenças

Apesar de não ter sido este o foco principal do seminário, acho que é importante destacar o papel cada vez mais relevante que o treino de força tem assumido na prevenção e tratamento de doenças metabólicas e ortopédicas.

Hoje em dia já existe muita evidência científica e estudos de intervenção a reportar resultados muito interessantes com a aplicação do treino de força (ou resistência muscular) para doentes cardíacos, para diabéticos, para pessoas com hipertensão, osteoporose, cancro, para pessoas com doenças cognitivas, etc. Mesmo para pessoas que sofrem de dores crónicas o treino de força (quando bem aplicado) pode ser a única forma de atenuar esses síntomas.

Este aspecto do treino de força, aliado ao aumento da longevidade, é um dos aspectos que mais me motiva a fazer aquilo que faço hoje em dia e aquele que considero que tem maior potencial para fazer parte de uma abordagem integrada de promoção da saúde e do bem estar físico e emocional. A saúde é muito mais que a ausência de doença e é isto que os médicos precisam de compreender para aconselharem melhor os seus pacientes. O dia para as pessoas doentes ou obesas receberem uma dose de agachamentos semanais, em vez de uma data de medicamentos para baixar a tensão arterial ou o colesterol, já esteve mais longe.

Resumindo este post em poucas palavras e porque o mesmo acabou por ser mais longo do que imaginava, o treino de força deve ser das melhores coisas que temos à nossa disposição para: 1) melhorar a performance; 2) aumentar a longevidade e 3) prevenir e TRATAR doenças.

Até breve!