European Golf & Fitness Symposium 2018 – Portugal

Será nos próximos dias 12 e 13 de Abril que terei o prazer de participar no European Golf & Fitness Symposium no Sheraton Cascais Resort (Portugal), um evento europeu que vai reunir um leque de especialistas internacionais nas áreas do treino, reabilitação, biomecânica, preparação física, performance e ensino.

Este evento (único na Europa) tem como objectivo destacar o papel fundamental da preparação física no golfe e no seu desenvolvimento em geral. E tal objectivo só pode ser alcançado através da formação contínua, de métodos de treino actualizados e da aprendizagem das melhores práticas.

O tema da minha intervenção será: “Fundamentals for Performance Improvement”.

Todas as informações sobre o evento podem ser encontradas aqui: http://european-golf-fitness.com/. 

Para os interessados na modalidade de golfe este é um evento a não perder!

Até breve!

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Sete coisas que aprendi com o Mark Rippetoe

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Estes últimos dias estive nos EUA para aprender um pouco mais sobre aquele que considero um dos melhores modelos para o treino de força, o Starting Strength Model. Finalmente, tive o privilégio de conhecer o Mark Rippetoe, uma referência mundial no que diz respeito ao treino de força e provavelmente uma das pessoas que mais sabe e tem publicado sobre a matéria.

Além do seu amplo conhecimento (teórico e prático) sobre a força, é de destacar também a sua paixão quando ele fala destes assuntos e a forma pouco habitual como ele aborda os conteúdos – o seu carácter (com algum humor negro à mistura) é algo de singular nesta indústria. O homem não podia ser mais autêntico.

Numa tentativa de partilhar um pouco daquilo que foi abordado ao longo destes últimos dias, vamos então às sete coisas que aprendi com o Mark Rippetoe:

1) A importância de ter um Modelo para a Força

Uma das coisas que mais me fascinou sobre o modelo Starting Strength foi a forma como ele está organizado e estruturado. Os livros Starting Strength Basic Barbell Training e Practical Programming for Strength Training estão certamente entre os melhores livros que já li sobre a matéria, e eu não conheço nenhum livro tão detalhado como o primeiro a explicar as razões pelas quais os movimentos principais são feitos de uma determinada maneira e não de outra ou outras para o desenvolvimento de força.

Os movimentos a que me refiro são o Agachamento, o Peso Morto, o Bench Press, o Press e o Power Clean. Todo o racional por detrás destes movimentos assentam em bases sólidas de biomecânica, biologia, física, fisiologia e anatomia humana. É, portanto, muito difícil refutar (de forma construtiva) contra argumentos baseados nestas ciências.

Os critérios para a inclusão destes movimentos neste modelo assentam nos seguintes pontos: 1) utilizar a maior quantidade de massa muscular; 2) utilizar uma amplitude de movimento mais eficiente; 3) levantar a maior quantidade de peso na barra e 4) ficar mais forte.

Se você tem um interesse genuíno em ficar mais forte e, por consequência, mais apto, deixe-me dar um conselho: aprenda a fazer bem estes movimentos. Ah e “mais forte” significa isso mesmo “mais forte”, ser capaz de produzir mais força contra uma resistência externa. Por favor não associe este termo à imagem das mulheres e homens musculados que vê nos concursos de culturismo e que passam horas e horas diárias a fazer exercícios por cada gupo muscular. Ou seja, “mais forte” não é sinónimo de “grande”.

2) A importância da execução técnica dos Movimentos

A maioria das pessoas pensa que basta saber os nomes dos exercícios para depois fazê-los em casa ou no ginásio sem qualquer tipo de feedback de alguém que perceba do assunto (i.e. um treinador habilitado para tal). O procedimento normal quando têm dúvidas é procurar na internet por fotos ou vídeos dos exercícios e/ou perguntar a algum guru da internet a forma como se devem fazer os exercícios. É verdade que isto até pode funcionar para algumas pessoas (e isto até é bom) mas é preciso ter consciência que se você não tiver qualquer tipo de feedback assertivo, você pode também estar a desenvolver padrões de movimento menos eficientes que, mais tarde, ficam mais difíceis de corrigir – um movimento mal exectuado repetido muitas vezes nunca se vai tornar eficiente. Isto pode acontecer num swing de golfe, num serviço no ténis ou num dos movimentos básicos para treinar a força. Se você só faz exercícios típicos de culturista a margem de erro é muito menor já que você só está a trabalhar um determinado grupo muscular.

Deixe-me dizer-lhe mais uma coisa, a maioria das pessoas presentes neste seminário eram treinadores com alguma experiência, todos já conheciam e praticavam os movimentos da forma que estava descrita no livro e não havia um que não precisasse de melhorar vários aspectos desses movimentos. Todos nós tínhamos aspectos a melhorar e era para isso que lá estávamos, para identificarmos as nossas limitações, para tirarmos algumas dúvidas e para otimizarmos a mecânica dos movimentos.

Portanto, este ponto só interessa àqueles que treinam e que pretendem maximizar a sua performance, aqueles que só fazem exercício físico não precisam de se preocupar com isto (no ponto 4 explico as diferenças).

3) A importância de ter um BOM Treinador 

Se você procura qualidade e excelência de serviços, procure por profissionais dedicados que investem o seu tempo na aprendizagem de novos conhecimentos, na sua formação contínua e que tenham experiência a treinar pessoas. Hoje em dia existem muitos “instrutores” que tiram cursos de fim de semana e que ficam quase que automaticamente habilitados a treinar pessoas. Tenha cuidado com isso, é o seu corpo que está em jogo.

O bom treinador não é necessariamente aquele que tem mais títulos ou mais letras à frente do nome, o bom treinador é aquele que ajuda os seus clientes/atletas a atingir os resultados que eles pretendem e que compreende aquilo que eles estão a sentir. Por outras palavras, um treinador não tem apenas que observar, analisar e avaliar a progressão do seu atleta, mas também tem que treinar – como é que ele pode perceber o que o seu atleta está a sentir se ele (treinador) não faz o mesmo? Não é só nos livros que está o conhecimento, debaixo da barra também se estuda!

Obviamente que a educação do treinador é importante, mas a verdade é que a mesma não serve de muito se não houver uma aplicação sustentada desse conhecimento. E é nesse contexto que surge a experiência, a experiência que ganhamos a treinar pessoas – é este mecanismo de retroalimentação que, bem utilizado, nos pode elevar para a excelência ou que, mal utilizado, nos pode empurrar para a mediocridade. Um bom treinador é aquele que consegue ensinar e corrigir cada pessoa da forma que ela mais precisa naquele momento, isto pode acontecer através de estímulos visuais, estímulos auditivos e/ou estímulos tácteis.

Todas as pessoas aprendem de forma diferente e é por este motivo que eu tenho alguma dificuldade em perceber a lógica de treinar pessoas pela internet e de “passar receitas” sem conhecer a pessoa e sem conhecer o seu perfil de movimento.

4) Exercício e Treino são duas coisas diferentes

Quem me segue há algum tempo, já deve estar farto de me ouvir a dizer isto: muita gente faz exercício físico, pouca gente treina. Vamos lá distinguir os conceitos, mais uma vez.

Exercício físico pode ser caracterizado como um evento que produz os efeitos desejados no mesmo dia, ou seja, este tipo de atividade é realizado com o objetivo de induzir um stress que satisfaz as necessidades imediatas do indivíduo (exemplos: queimar calorias, transpirar, alongar os músculos ou mesmo vomitar – não riam, eu asseguro-vos que isto também acontece). Isto pode ser conseguido através de caminhadas, de aulas de grupo  ou de um WOD no CrossFit.

Treino é um processo que tem como objetivo criar adaptações gerais e/ou específicas a médio ou longo prazo, dependendo do nível a que está cada pessoa. O treino envolve programação, organização e um nível de planeamento que nada tem a ver com o exercício físico. As sessões de treino (i.e. o stress aplicado) são efectuadas com um objetivo mais sério em mente. Quando falamos de treino o objetivo é a progressão, a melhoria de capacidades físicas e mentais com vista à maximização do potencial de cada indivíduo.

Em suma, se você não tem objetivos específicos e vai ao ginásio para fazer apenas treino de manutenção (seja lá isso o que for), você não precisa de treinar.

5) Para treinar a Força é preciso levantar pesos pesados

Pessoal não há hipótese (mesmo!), os músculos não crescem do ar e não crescem certamente a levantar pesos em miniatura. Se vocês não acreditam em mim, olhem para as pessoas que vão ao ginásio e que não fazem outra coisa senão aulas de grupo, passadeira ou alguns exercícios com essa classe de “objetos leves” – elas nunca ficam mais fortes! É impossível ficar mais forte quando o princípio da sobrecarga é ignorado. Ou seja, se você está sempre a utilizar as mesmas cargas (i.e. o mesmo stress), você nunca vai dar a oportunidade ao seu corpo para gerar novas adaptações, e isto em termos práticos significa que você nunca vai obter resultados diferentes. Aliás, você até vai acabar por regredir porque o seu corpo vai estar sempre a fazer a mesma coisa – já percebeu porquê que treino de manutenção é, no mínimo, um conceito dúbio?.

Para ficar mais forte, é preciso fazer força, é preciso carga, é preciso intensidade, é preciso treinar de forma inteligente e realizar movimentos que utilizem grandes quantidades de massa muscular, se você vai para o ginásio socializar, passar o tempo e falar dos problemas do país, você ainda não percebeu a importância que o aumento de força e de massa muscular podem ter na sua saúde e longevidade.

Permitam-me aqui fazer um pequeno parêntesis: há muitos anos atrás, penso que ainda nos tempos dos meus pais, os ginásios eram locais educativos, com espaço e tinham como propósito tornar as pessoas mais independentes, mais fortes e mais aptas. As pessoas iam a esses sítios para aprender movimentos e para treinar. Hoje em dia é quase impossível isso acontecer, além dos ginásios estarem sobrecarregados de máquinas, muitas delas inúteis, são poucas as pessoas que lá vão com um propósito de melhorar as suas competências físicas – honestamente não sei até que ponto este conceito de health club que todos nós conhecemos trouxe mais ou menos benefícios.

No que à força diz respeito, se você ainda tem dúvidas sobre a intensidade com que deve fazer os movimentos, tenha presente o seguinte: se você estiver a fazer uma série de Peso Morto e é capaz de estar a falar a meio da série, é porque você não está a treinar com intensidade suficiente. Para treinar a força de forma adequada o enfoque deve ser poucas repetições, cargas pesadas e um tempo de descanso relativamente grande entre séries (mínimo 3 minutos).

6) A Força é a fundação para a melhoria da performance 

Uma pessoa / atleta mais forte terá sempre mais vantagens que uma pessoa / atleta mais fraco. A força é a base para o desenvolvimento das outras capacidades atléticas (equilíbrio, velocidade, potência, endurance, agilidade). A partir do momento que estamos em contacto com o solo temos que produzir força contra a ação da gravidade para nos mantermos em pé. Ao contrário da potência, que depende em grande parte da nossa genética e da eficiência do sistema neuromuscular, a força é a capacidade mais “treinável” de que dispomos e a vantagem é que esta pode ser melhorada durante décadas.

A força é, portanto, uma habilidade, que pode ser treinada durante a vida toda e a verdade é que é esta habilidade que mais vamos precisar até ao fim das nossas vidas. Com o avançar da idade é natural assistirmos a um declínio da força, isto acontece porque há uma diminuição da função endócrina, porque temos uma ou outra lesão que nos vai condicionar a fazer algumas coisas e porque tornamo-nos cada vez mais sedentários à medida que envelhecemos. Daí a razão pela qual os nossos pais e avós precisam de começar a levantar pesos. Fazer caminhadas não é suficiente. Fazer treino em cima de superficies instáveis para ajudar no equilibrio é uma perda de tempo. O equilíbrio não é nada mais que a capacidade para controlar o nosso centro de massa, e isso é perfeitamente alcançável com o treino de força.

Mesmo para os desportistas que fazem desportos de endurance, o treino de força é muito importante. O endurance pode ser classificado como uma série de contrações sub-máximas repetidas muitas vezes. Ou seja, um ciclista que é capaz de exercer mais força em cada contração sub-máxima, terá maiores hipóteses de percorrer uma determinada distância em menos tempo. Por esta ordem de ideias, se melhorarmos a força absoluta deste atleta (num agachamento por exemplo) ele será capaz também de aumentar a velocidade e de ganhar mais distância em cada pedalada.

7) O Treino de Força na prevenção e tratamento de doenças

Apesar de não ter sido este o foco principal do seminário, acho que é importante destacar o papel cada vez mais relevante que o treino de força tem assumido na prevenção e tratamento de doenças metabólicas e ortopédicas.

Hoje em dia já existe muita evidência científica e estudos de intervenção a reportar resultados muito interessantes com a aplicação do treino de força (ou resistência muscular) para doentes cardíacos, para diabéticos, para pessoas com hipertensão, osteoporose, cancro, para pessoas com doenças cognitivas, etc. Mesmo para pessoas que sofrem de dores crónicas o treino de força (quando bem aplicado) pode ser a única forma de atenuar esses síntomas.

Este aspecto do treino de força, aliado ao aumento da longevidade, é um dos aspectos que mais me motiva a fazer aquilo que faço hoje em dia e aquele que considero que tem maior potencial para fazer parte de uma abordagem integrada de promoção da saúde e do bem estar físico e emocional. A saúde é muito mais que a ausência de doença e é isto que os médicos precisam de compreender para aconselharem melhor os seus pacientes. O dia para as pessoas doentes ou obesas receberem uma dose de agachamentos semanais, em vez de uma data de medicamentos para baixar a tensão arterial ou o colesterol, já esteve mais longe.

Resumindo este post em poucas palavras e porque o mesmo acabou por ser mais longo do que imaginava, o treino de força deve ser das melhores coisas que temos à nossa disposição para: 1) melhorar a performance; 2) aumentar a longevidade e 3) prevenir e TRATAR doenças.

Até breve!

7 Coisas que o Paulo Bento deve saber para prevenir futuras lesões musculares

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As lesões musculares dos jogadores portugueses no Mundial de futebol têm corrido muita tinta e, segundo consta, tem havido muitas opiniões a este respeito de muitas eminências e gurus futebolísticos (sou só eu que acha estranho que haja tantos eruditos no futebol?). Mas eu não vou entrar nessa discussão, eu não vou dar a minha opinião sobre a convocatória dos jogadores, sobre os cortes de cabelo dos jogadores, ou sobre a táctica ou estratégia definida pelo Paulo Bento nos recentes jogos do Mundial. Já existem muitos treinadores de bancada a fazer esse trabalho e eu não tenho competência nem inteligência suficientes para essas discussões.

Pensei várias vezes se deveria escrever este artigo por respeito ao trabalho da maioria dos desportistas das outras modalidades desportivas que não o futebol. Afinal o futebol já tem demasiado tempo de antena nos orgãos de comunicação social, é uma indústria que enriquece muita gente e o que mais me entristece é assistir a situações de contínua estagnação neste meio (sim, estou a ser simpático). Mas depois pensei, isto se calhar pode despertar a atenção para os treinadores ou profissionais das outras modalidades desportivas que pretendem acompanhar a mudança (i.e. evoluir) e que querem ajudar a melhorar a performance e saúde dos seus atletas. E, neste contexto, é possível que o conteúdo que vem a seguir tenha algum interesse.

Recordo que ninguém pratica desporto parado e se há coisa que não podemos evitar nas nossas vidas é o movimento, ou seja, convém prestar atenção à qualidade de movimento individual antes de começar a fazer atividades mais dinâmicas como correr, saltar e mudar de direção. Por outras palavras, se os atletas não têm competência funcional no sistema músculo-esquelético para fazer um padrão de movimento fundamental como um agachamento simétrico e sem restrições na sua amplitude, o melhor é corrigir esta situação em primeiro lugar. Este é apenas um exemplo.

Sem mais demoras (e porque o Paulo Bento precisa de começar a preparar o Europeu), aqui estão sete coisas que todos os treinadores desportivos deveriam ter em conta para prevenir lesões e para melhorar a performance dos seus atletas.

1. Historial de lesões anteriores

Quem trabalha na área da reabilitação / recuperação de lesões sabe isto muito bem. O principal factor de risco para uma lesão é uma lesão anterior. As pessoas / atletas que sofreram uma lesão vão ter uma diminuição dos sensores proprioceptivos se a lesão não for tratada ou se a lesão for tratada de forma inadequada. Uma perturbação a este nível terá um efeito negativo nos comportamentos relacionados com os padrões de movimento fundamentais. Porquê? Porque isto vai alterar a estabilidade e mobilidade corporal, vai criar assimetrias corporais, e o corpo ver-se-á obrigado a encontrar mecanismos de compensação para fazer o seu trabalho. O objetivo inicial da reabilitação na gestão de uma lesão é a redução de dor e dos síntomas associados a essa dor, mas o problema é que a ausência de dor e a resolução desses síntomas não indicam que os indicadores disfuncionais observados no sistema músculo-esquelético foram restaurados com sucesso. Ou seja, é perfeitamente possível não sentir dores e gozar de movimento disfuncional na mesma – a malta dos anti-inflamatórios costuma fazer isto com recorrência. Querem um exemplo prático? Vejam se os vossos atletas são capazes de tocar com os dedos na ponta dos pés sem flectir as pernas.

2. Assimetrias Corporais

As assimetrias corporais constituem mais um factor de risco de lesões musculares e isto deveria ser constantemente monitorizado pelos profissionais que acompanham os atletas. As modalidades desportivas não existem para promover simetria, as modalidades desportivas existem para jogar, para competir contra o adversário, para bater recordes. A simetria tem que ser ganha através de intervenções específicas no âmbito do espectro reabilitação / preparação física, não é durante o treino de táctica que os atletas vão ganhar simetria. Obviamente que o objetivo de um tenista ou de um jogador de futebol não é fazer o melhor agachamento do Mundo, não é isso que o motiva. Mas pensem no seguinte: antes do indivíduo em causa ser um atleta, ele é um ser humano e um ser humano precisa de movimento simétrico e funcional em primeiro lugar. Um ser humano que pretende viver com uma qualidade de vida acima da média precisa de boa mobilidade e estabilidade bilateral / simétrica nos tornozelos, joelhos, ancas, tronco e ombros. Portanto, um atleta (i.e. ser humano) que pretende obter resultados acima da média também tem que compreeender que se a sua base de movimento for assimétrica, a sua performance vai ficar comprometida e o tempo no estaleiro vai aumentar.

3. Controle Motor / Estabilidade nos padrões de movimento básicos

A nossa cultura de movimento é muito limitada. A maioria das pessoas e atletas está mais interessada no número de repetições (volume) e na carga que fazem num determinado exercício que nos aspectos funcionais que esse exercício pode proporcionar para a sua vida / modalidade. A qualidade de movimento é algo que pouca gente compreende porque normalmente as pessoas que não têm dores nas costas ou outro tipo de queixas pensam que estão bem de saúde. Lembrem-se: movimento disfuncional não é sinónimo de saúde. As pessoas estão mais interessadas em queimar calorias que em produzir movimento de boa qualidade. No que diz respeito à performance, salvo honrosas exepções, passa-se um pouco o mesmo, dâ-se mais ênfase aos aspectos vísiveis de rendimento (força, resistência, velocidade, potência) que aos aspectos vísiveis de movimento. E por isso é que vemos atletas que não são capazes de se equilibrar numa perna (alguém já pensou que correr é uma forma dinâmica de equilibrar-se numa perna centenas de vezes seguidas?), de fazer uma flexão mantendo total controle postural do tronco ou de simplesmente tocar nos dedos dos pés. Se há uma lição que eu aprendi nos meus treinos de artes marciais e no halterofilismo foi essa: a precisão de movimento e a nossa capacidade de controlar o corpo é o que faz a diferença entre um atleta normal e um atleta exepcional. É fundamental integrar este tipo de trabalho no treino.

4. Qualidade da Alimentação (ou será que bacalhau com arroz doce é suficiente?)

A julgar por esta notícia do passado mês de Maio, parece que ninguém na seleção está preocupado com os substratos energéticos que os jogadores precisam para render ao mais alto nível e para atenuarem os efeitos inflamatórios do treino que fazem. Segundo esta notícia parece que os médicos da seleção são os nutricionistas de serviço e o Chefe Loureiro é a pessoa que põe os jogadores na ordem. Quem disse que os médicos não percebem de nutrição desportiva? Eles até costumam ser magros e estar em boa forma física. Agora a sério, se aquilo que é noticiado aqui é verdade, permitam-me colocar a seguinte questão: como é que uma estrutura (alegadamente) tão profissional como o futebol e que tem tantos recursos (dinheiro) à sua disposição pode negligenciar um factor tão decisivo como a nutrição na performance dos jogadores? Será apenas ignorância? Ou será que alguém não anda a fazer o trabalho de casa? Deixe-me dizer-lhe uma coisa, eu fui atleta de natação durante muitos anos e nós (equipa do clube) nunca tivemos qualquer tipo de acompanhamento a este nível. Apesar de reconhecer que isso foi uma limitação no meu / nosso percurso enquanto atleta(s), estou também consciente que estamos a falar de um cenário de clube que, provavelmente, teria poucos recursos à sua disposição. Mas isso não é o caso da Seleção Nacional de Futebol, a julgar pelo tratamento e pelos montantes diários que os jogadores recebem por estarem lá presentes, o que não falta na Federação Portuguesa de Futebol são recursos financeiros para investir em profissionais com competências nesta área.

A qualidade / riqueza funcional dos alimentos que ingerimos tem o potencial de tornar um bom atleta num atleta excelente e um atleta excelente num bom atleta. Além do seu impacto na saúde, composição corporal e performance, a dieta tem um papel fundamental na correção de deficiências nutricionais, na proteção do sistema imunitário e na prevenção e recuperação de lesões. Alguém conhece atletas que não estejam interessados em aumentar a sua longevidade e a ficarem doentes menos vezes?

5. Hidratação

Já escrevi aqui um post sobre a importância da água na nossa saúde e já tinha mencionado que basta apenas 1% de desidratação para haver reduções na capacidade aeróbia. A temperatura e humidade elevadas (as condições que os atletas da Seleção encontraram no Brasil) podem aumentar consideravelmente as necessidades de hidratação.

A tabela abaixo foi retirada do livro The Peformance Zone: Your Nutrition Action Plan for Greater Endurance & Sports Performance do Dr. John Ivy (PhD) e do Dr. Robert Portman, (PhD).

Water and Physical Performance

As perguntas que vocês estão a pensar são as mesmas que as minhas. Será que os médicos da seleção fizeram as contas da quantidade média de água diária, de glucose e dos electrólitos (sódio, potássio, cloro, magnésio) que os jogadores tinham que repôr para evitar o risco de desidratação, lesão ou outros problemas mais graves? Ou será que isto era da responsabilidade do Chefe Loureiro? Bom, por esta altura não interessa quem devia fazer esse trabalho, aquilo que interessa é que é preciso alguém com competências para fazê-lo, quanto mais não seja para prevenir lesões ou outros problemas de saúde mais graves.

6. Regeneração / Recuperação

Work + Rest = Success.

Isto foi uma das coisas que aprendi já há alguns anos na Universidade: um atleta de alta competição treina 24 horas por dia e o descanso faz parte dessa equação. Se um atleta profissional tem 24 horas por dia à sua disposição, ele precisa de reservar pelo menos 8 ou 10 horas de sono por dia para recuperar do stress induzido pelo treino. O sono é fundamental para otimizar a recuperação e no caso de atletas de alta competição até pode fazer sentido incluir pequenas sestas após o período de almoço ou antes do treino da tarde. Durante uma sesta de 20 minutos o corpo vai entrar em frequências cerebrais que ajudam à memória, aprendizagem motora, à recuperação mental e ao relaxamento geral. Outras estratégias de regeneração, incluem massagem miofascial, manipulação manual de tecidos moles (com tantos fisioterapeutas na Seleção penso que isto não é um constrangimento), alongamentos ativos e hidroterapia.

7. Níveis de Vitamina D dos atletas

Se há um marcador que tem uma importância tremenda na regulação de vários sistemas do nosso corpo é a vitamina D, e o sistema músculo esquelético não é exepção. A deficiência ou insuficiência de vitamina D é bastante comum em atletas, sobretudo naqueles que treinam em recintos cobertos. Neste estudo, apresentado na conferência anual da American Orthopaedic Society for Sports Medicine, os investigadores avaliaram 89 jogadores de futebol americano dos New York Giants e verificou-se que mais de 80% dos atletas dos tinham níveis deficientes e insuficientes de vitamina D. Dos 16 atletas que tiveram lesões musculares, os níveis médios de vitamina D eram de 19,9 ng/mL, um número mais baixo que os níveis de vitamina D médios dos atletas que não tiveram lesões musculares (24,7 ng/mL).

Nos últimos anos tem surgido na literatura científica algumas revisões a explicar os processos biológicos envolvidos na função muscular, bem como alguns estudos a reportar deficiências de vitamina D em atletas de elite. Pela relevância desta situação, se calhar também valeria a pena avaliar se os atletas da seleção nacional de futebol têm níveis adequados de vitamina D.

Notas Finais

Este artigo não tem como objetivo ofender as pessoas, nem as instituições citadas, mas sim contribuir para uma reflexão mais objetiva de alguns indicadores que podem ser importantes na prevenção de lesões e na melhoria da performance. Apesar de não ter perdido o sono por causa da eliminação de Portugal no Mundial, teria preferido que o rendimento da Seleção Nacional fosse bem melhor.

Por último, julgo que os treinadores de modalidades desportivas também precisam de considerar estas coisas se querem que os seus atletas comecem a obter resultados cada vez melhores. A performance é influenciada por muitos factores, pensar que fazer sempre o mesmo durante 10 ou 20 anos seguidos é sinal de experiência, é o mesmo que bater na parede com um capacete e ficar à espera que não surjam dores de cabeça.

E vocês? O que pensam? Acham que devia acrescentar alguma coisa?

Até breve!

Referências

Cook, G. et al. Movement (2010). Lotus Publishing.

Campos MVP – Reabilitação Funcional e Performance

MVP Reabilitaçao Funcional e Performance

Será entre os próximos dias 4 e 17 de Agosto, que terá lugar o Campos MVP Reabilitação Funcional e Performance, em Monchique, no Algarve. Este é um evento inovador em Portugal, que consiste em providenciar um sistema de reabilitação e integração no treino, baseado na qualidade e eficiência de movimento dos atletas.

Este projecto destina-se a atletas de qualquer modalidade e tem como principais visados aqueles que estão nas seguintes condições:

1) Atletas que venham de um período de paragem devido a lesão e que estejam a iniciar a fase de integração no treino;

2) Atletas que apresentem dores articulares persistentes (ex. tornozelo, joelhos, ombros, coluna vertebral) aquando da prática desportiva;

3) Atletas que queiram melhorar os seus padrões fundamentais de movimento de forma a diminuir as probabilidades de contraírem uma lesão e estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento de uma boa performance.

Eu terei o prazer de fazer parte da equipa técnica juntamente com o fisioterapeuta Joel Fernandes, um profissional que vem da área da reabilitação funcional e que partilha das mesmas filosofias de trabalho que eu.

Para os atletas seriamente seriamente comprometidos em melhorar a sua performance e em reduzir a incidência de lesões durante a época desportiva, este é um evento que seguirá as metodologias de trabalho dos melhores centros de alto rendimento do Mundo, e onde teremos a oportunidade de pôr em prática, num contexto ímpar, o conhecimento e experiência que temos vindo a acumular nesta área.

Para mais informações sobre o evento podem clicar aqui.

Até breve!