4º Congresso Envelhecimento Ativo – Viseu

Será no próximo dia 16 de Março que terei o prazer de ministrar um Workshop de três horas no 4º Congresso de Envelhecimento Ativo: Atividade Física e Saúde, organizado pelo Município de Viseu e em parceria com a Escola Superior de Educação de Viseu.

O tema do meu Workshop será: “Treino de Força para um Envelhecimento Forte e Saudável”.

Todas as informações sobre o evento no seguinte link: http://www.congressoenvelhecimentoativo.pt/

Até breve! 🙂
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#Hábito 9: Fazer Treino de Força

Nesta série de artigos sobre os hábitos saudáveis, e se bem se recordam, o terceiro fazia referência a Mover o Corpo. De facto, fazer algum tipo de actividade física de forma regular é fundamental para melhorar a saúde e para prevenir doenças. E quem não tem qualquer hábito ao nível do exercício provavelmente deve mesmo começar por aqui. Mas o termo de actividade física é muito abrangente e este pode ir desde fazer jardinagem, passear o cão, fazer jogging, jogar à bola com os amigos até boiar na água (sim, porque para fazer natação é preciso dominar os vários estilos).

Portanto, na verdade, será o dispêndio energético associado a essas práticas ou o contexto social em que as mesmas decorrem, que poderão trazer benefícios para a saúde. Mas não necessariamente com a finalidade de melhorar a capacidade funcional do indivíduo, de reduzir as dores crónicas, de prevenir quedas e de garantir a autonomia motora necessária para viver uma vida com maior qualidade. E é isto que o treino de força visa promover.

Nesta fase e na sequência do trabalho diário que tenho vindo a desenvolver, venho sugerir que o próximo hábito a criar seja o seguinte: fazer treino de força. O treino de força pode e deve ser feito por qualquer pessoa e é provavelmente o estímulo mais potente (ao nível das várias intervenções de exercício) que temos à nossa disposição para melhorar a nossa qualidade de vida e performance. Contudo, é preciso enfatizar que o aspecto crítico é o desenho do programa e este só pode ser feito por profissionais do exercício que tenham conhecimento (científico e empírico) dos princípios do treino, pois a indução das adaptações desejadas com o treino dependerá da capacidade de manipular e integrar de forma optimizada as diversas componentes e variáveis do treino (e.g. acções musculares utilizadas, a selecção e sequência dos exercícios, a intensidade, o volume, os intervalos de descanso, o número de séries e repetições, a velocidade de execução dos movimentos, a frequência e a periodização).

Além dos casos reais que temos vindo a acompanhar na The Strength Clinic, existe actualmente evidência científica suficiente para afirmarmos que o treino de força é um método eficaz ao nível da prevenção, tratamento e, potencialmente, da reversão de várias doenças crónicas. Efectivamente, a adesão a um programa de treino de força adequadamente desenhado pode aumentar de forma significativa a saúde física e mental da população. Em artigos anteriores já foi abordada a sua relevância para as pessoas mais velhas (LINK) e para as mulheres (LINK).

No que diz respeito à saúde, sabemos que o treino de força promove os seguintes benefícios directos: aumento de massa magra e redução de massa gorda; diminuição da pressão arterial; melhoria do perfil lipídico (aumento HDL, diminuição LDL e triglicéridos); aumento da tolerância à glucose e sensibilidade à insulina; diminuição do risco de sarcopenia; aumento da densidade mineral óssea e redução do risco de osteoporose; aumento de força nos tendões e ligamentos; melhoria da flexibilidade; aumento da capacidade cardiorrespiratória; prevenção e gestão de dores na região lombar; aumento do equilíbrio, coordenação e autonomia no longo prazo; redução do risco de quedas; melhoria do bem-estar psicológico e auto-confiança. Além destes benefícios directos também há evidência indicando uma forte e consistente correlação entre o aumento de força e massa muscular com o aumento da longevidade.

A importância é tal que são várias as organizações de renome mundial (Organização Mundial de Saúde, Centers for Disease Control and Prevention, American Heart Association, American Association for Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation, American College of Sports Medicine) que recomendam esta forma de treino para manter a saúde. No entanto, apesar desta evidência, a maior parte da referenciação para o exercício é ainda o treino aeróbio e são poucos os médicos (e profissionais de saúde em geral) que fazem a referenciação para o treino de força. Isto também se explica porque os próprios médicos e profissionais de saúde em geral não têm o devido conhecimento sobre as diferentes intervenções que existem ao nível do exercício.

No que concerne à performance atlética, o treino de força melhora a performance no salto, no sprint e nas mudanças de direcção; melhora a performance em actividades relacionadas com endurance e força / potência; aumenta o efeito de potenciação; reduz o número de lesões e é seguro para crianças e adolescentes. Portanto, quando as competências técnicas são semelhantes, os atletas mais fortes terão sempre mais vantagens que os atletas mais fracos.

A mensagem que se passa na nossa sociedade (e mesmo em consultas médicas) é: “faça a sua vida normal e não faça esforços.” E nada poderia estar mais errado do que isto! Antigamente as pessoas precisavam de fazer esforço físico para fazer a sua vida. E se não houver lugar a um estímulo suficientemente intenso no treino o mais provável é que as mesmas terminem a sua vida num estado notoriamente frágil, com reduzida capacidade e a lamentar os sonhos perdidos. Isto é que não deveria ser normal!

Todas as pessoas (atletas e não atletas) precisam de treinar as suas qualidades físicas para optimizar a sua performance e para viver com qualidade e de forma independente. E serão maioritariamente os exercícios baseados nos nossos padrões de movimento fundamentais (agachar, empurrar, puxar, carregar, levantar) aqueles que deverão oferecer os maiores benefícios não apenas na melhoria da saúde metabólica mas também na melhoria da função, performance atlética e na qualidade de vida.

Como referi acima o aspecto crítico será o desenho do programa (e respectiva avaliação funcional do indivíduo) mas poderão apontar para fazer 2-3 vezes por semana, com cerca de uma hora por sessão.

Nunca é tarde para criar bons hábitos.

Bons treinos e Feliz Natal! 😊

Pedro Correia

Referências:

Dos Santos L, Cyrino ES, Antunes M, Santos DA, Sardinha LB. Changes in phase angle and body composition induced by resistance training in older women. Eur J Clin Nutr. 2016 Dec;70(12):1408-1413.

Joseph Ciccolo; William Kraemer. Resistance Training for the Prevention and Treatment of Chronic Disease. CRC Press (2014).

Lauersen JB, Andersen TE, Andersen LB Strength training as superior, dose-dependent and safe prevention of acute and overuse sports injuries: a systematic review, qualitative analysis and meta-analysis Br J Sports Med 2018;52:1557-1563.

Ruiz, Jonatan R et al. “Association between muscular strength and mortality in men: prospective cohort study” BMJ (Clinical research ed.) vol. 337,7661 a439. doi:10.1136/bmj.a439.

Short CE, Hayman M, Rebar AL, Gunn KM, De Cocker K, Duncan MJ, Turnbull D, Dollman J, van Uffelen JG, Vandelanotte C. Physical activity recommendations from general practitioners in Australia. Results from a national survey. Aust N Z J Public Health. 2016 Feb;40(1):83-90.

Srikanthan, Preethi and Arun S Karlamangla. “Muscle mass index as a predictor of longevity in older adults” American journal of medicine vol. 127,6 (2014): 547-53.

Suchomel TJ, Nimphius S, Stone MH. The Importance of Muscular Strength in Athletic Performance. Sports Med. 2016 Oct;46(10):1419-49.

#Hábito 6: Comer Verduras em todas as Refeições

 

Todas as pessoas sabem que comer verduras à refeição é fundamental para a saúde e isto não é nenhuma novidade para ninguém. Por vezes fico espantado como é que ainda não se leva isto mais a sério, principalmente quando vejo refeições de crianças (e mesmo de pessoas adultas) sem qualquer vestígio de verdes no prato!

Neste sentido, venho propor que o próximo hábito seja o seguinte: comer verduras saudáveis em todas as refeições. É simples.

A investigação tem demonstrado que além dos micronutrientes (vitaminas e minerais) presentes nas verduras, também existem fitoquímicos que são essenciais para o desenvolvimento de uma função fisiológica óptima. Mais interessante ainda é o facto das verduras, devido à sua carga alcalina, contribuírem para a manutenção do equilíbrio ácido-base no corpo, ao contrário das proteínas, que também são fundamentais para a saúde e composição corporal. Aquilo que sabemos é que a desregulação do equilíbrio ácido-base, ou seja, uma maior acidez na dieta, poderá contribuir para a perda de massa óssea e de massa muscular. A meu ver isto já é um motivo mais que suficiente para comer verduras em todas as refeições!

E não, a dieta alcalina não é a solução para todos os problemas como já deverá ter ouvido. As questões relacionadas com o equilíbrio ácido-base na dieta são muito complexas e isso foi uma das coisas que aprendi com a nefrologista e professora catedrática da Universidade de São Francisco (EUA), Lynda Frasseto, por ocasião da Conferência Internacional de Nutrição Evolutiva, que decorreu o ano passado em Lisboa.

A densidade calórica das verduras é bastante baixa mas a fibra que está lá presente pode ajudar a regular a ingestão total diária de calorias que ingere. Só precisa que as verduras ocupem pelo menos metade do seu prato cada vez que come. Portanto, o próximo hábito a desenvolver é este: comer meio prato de verduras em todas as refeições. E isto é válido tanto para os homens como para as mulheres. As sopas de verduras também contam.

Em suma, a ingestão de verduras em todas as refeições terá os seguintes benefícios: vai prevenir deficiências nutricionais devido ao maior aporte de vitaminas e minerais; o maior consumo de fitonutrientes poderá reduzir o risco de cancro, diabetes e doença cardíaca; o potencial alcalino das verduras vai ajudar a regular o equilíbrio ácido-base na dieta e poderá reduzir o risco de osteoporose (em conjunto com o treino de força); o maior aporte de fibra poderá melhorar os níveis de glicémia no sangue e a reduzir o apetite; porque os nutrientes não actuam de forma isolada mas sim de forma sinérgica, aqueles que são obtidos através das verduras serão mais eficazes que os suplementos “ricos” em vitaminas.

Em relação às verduras recomendadas, o ideal é comer o mais fresco e variado possível. Couves de todos os tipos e feitios, brócolos, agrião, acelga, espargos, espinafres, rúcula, aipo, são todas muito boas opções.

Boa sorte com o sexto hábito e até breve!

Referências:

Berardi, John.; Andrews, Ryan. (2012). The Essentials of Sport and Exercise Nutrition. Certification Manual Second Edition. Precision Nutrition.

Pão de Aveia

Já há muito tempo que não coloco nenhuma receita no blogue e na sequência de alguns pedidos pareceu-me oportuno colocar esta de um pão que ficou absolutamente maravilhoso, desta vez sem ovos e, claro, sem glúten. Em comparação a outras receitas que já coloquei aqui, este pão requer um maior tempo de preparação e aproxima-se um pouco mais daquilo que entendemos como pão convencional, já que é necessário deixá-lo a levedar durante um período mínimo de cinco horas.

Os ingredientes:

400gr farinha de aveia

100gr farinha de linhaça

fermento padeiro

sal marinho q.b.

um punhado de uvas passas

450ml de água fria

Como fazer?

Juntar farinhas, uvas passas e misturar os ingredientes. Adicionar água e bater até envolver todos os ingredientes.

Colocar em forma com papel manteiga e deixar levedar no mínimo por 5 horas.

Levar ao forno: 180.º aprox. 1h00 (teste palito)

Na sequência do último artigo das gorduras saudáveis, poderão, por exemplo, comê-lo com manteiga que fica muito bom, mas sempre com o cuidado de o fazer pontualmente e na certeza que estão a fazer algum tipo de esforço físico vigoroso com frequência para merecê-lo! Porque é assim mesmo que deve ser 🙂

Bom apetite!

5 Exercícios para quem passa o dia sentado

Comecemos pelo seguinte facto: nós movemo-nos mal. Nós movemo-nos de forma contrária àquela que o nosso corpo foi desenhado. Muitas pessoas têm dores crónicas porque não compreendem como viver de forma eficiente dentro do seu próprio corpo e não há nenhum manual de instruções que possa resolver isso. Pense na sua mobilidade corporal como algo tão importante como as tarefas de higiene mais básicas que realiza todos os dias, tomar banho e/ou lavar os dentes.

Os seus hábitos de movimento vão ter um papel fundamental no funcionamento do sistema músculo-esquelético e, na verdade, em todos os outros sistemas do corpo humano. As suas dores crónicas nas costas, nos ombros, no pescoço ou nos joelhos poderão ter a ver com algo tão simples como a falta de movimento de qualidade ao longo do dia. Mesmo algo tão simples como ficar sentado o dia todo numa secretária pode alterar a sua postura e mudar a forma como se move durante a realização das tarefas diárias. E se isto for repetido durante anos a fio, as suas dores não vão melhorar e o risco de lesão crónica vai aumentar.

Portanto, na sequência do hábito que lancei para este mês Mover o Corpo venho dar algumas sugestões de exercícios para integrarem na vossa rotina de movimento. Atenção, estes exercícios não visam substituir a programação que já segue, que deverá ser feita por um profissional qualificado e que se pretende equilibrada e adequada à sua condição, mas antes complementar no sentido de ajudar a melhorar os seus hábitos de movimento. Os melhores treinadores sabem que a hora do treino é apenas uma parte do sucesso e como tal é preciso saber o que faz cada indivíduo nas restantes horas do dia.

O corpo adapta-se facilmente às forças e ao stress que aplicamos ao mesmo durante o dia todo. Ao passar o dia sentado o seu corpo vai adaptar-se e neste sentido vai perder mobilidade em regiões como as ancas, coluna torácica e ombros. A activação muscular do seu core também ficará comprometida quando está sentado. Uma das funções do core é resistir à gravidade e manter a integridade postural mas tal não se verifica quando temos as cadeiras a servir essa função. Vários grupos musculares também serão solicitados com menor frequência e enfraquecem ao longo do tempo, como os glúteos, os músculos estabilizadores das omoplatas e os músculos posteriores da coifa dos rotadores. Isto vai afectar a forma como respira, o processo digestivo e o funcionamento do sistema nervoso central, já que quando as vias sensoriais e motoras ficam comprometidas devido à inibição da musculatura da coluna, todo o sistema ficará comprometido.

É importante que faça movimentos com o objectivo de reverter a postura adoptada no dia a dia para manter o corpo equilibrado e prevenir (ou mesmo acabar) com as dores crónicas. Repare, estar sentado envolve estar predominantemente em flexão e neste sentido é especialmente relevante realizar exercícios que permitam uma activação da cadeia posterior. Obviamente que os exercícios ideais para cada pessoa deverão ser avaliados caso a caso mas aqui estão alguns que considero básicos para combater as horas que passa sentado, com base nos desequilíbrios musculares referidos acima.

1. Open Books

Comece deitado na posição de decúbito lateral com os joelhos flectidos e com os braços em extensão à frente do corpo. Mantenha os joelhos em contacto com o solo, leve um braço para o lado contrário e tente tocar com o antebraço no chão, mantendo o braço ao nível dos ombros. Quando rodar a coluna mantenha o olhar na mão. Repita em ambos os lados 2-3 séries de 10-12 repetições.

2. Alongamento Flexor da Anca

Numa posição semi-ajoelhado, mantendo a tíbia vertical e com o braço contrário à perna que está à frente em extensão, faça uma ligeira flexão lateral do tronco, contraia o glúteo da perna que está atrás e permaneça nesta posição durante 1’30’’. Repita no lado contrário.

3. Ponte de Glúteos

Deitado na posição de decúbito dorsal, com os pés à largura das ancas, faça força com os calcanhares contra o chão, contraia os glúteos e eleve as ancas para formar uma ponte de glúteos. Aguente cerca de 5 segundos em cima por cada repetição e faça 2-3 séries de 10-12 repetições.

4. Hip Hinge com Extensão dos Braços

Numa posição bípede, com os pés à largura das ancas, empurre as ancas para trás flectindo ligeiramente os joelhos, incline o tronco à frente até este ficar paralelo (ou próximo de paralelo) em relação ao chão e com os braços em extensão e polegares a apontar para o tecto. Aguente nesta posição 10-15 segundos e faça 2-3 séries de 5-6 repetições.

5. Floor Slides

Deitado na posição de decúbito dorsal, com os braços e antebraços contra o solo, deslize os braços para cima até estes ficarem em completa extensão em forma de V e mantendo as costas em contacto com o chão. Faça 2-3 séries de 10-12 repetições.

Espero que estes exercícios sejam úteis e que os ponham em prática 🙂

Até breve e bons treinos!

2º Workshop MAE Clinic – Lisboa

Será no próximo dia 10 de Março (sábado), 9h-13h30, que terá lugar o 2º Workshop MAE Clinic, uma clínica médica constituída por várias valências médicas e não médicas. O Workshop destina-se ao público em geral e terá lugar no Myriad Sana Hotels – Parque das Nações Expo Lisboa.

O evento abrange várias temáticas desde a Prevenção e Manutenção da Saúde ao Diagnóstico e Terapêutica da Patologia. O objectivo desta iniciativa é esclarecer dúvidas e receios sobre várias matérias, de forma a que se possam tomar decisões informadas e conscientes.

Eu estarei presente na mesa referente aos cinco pilares do Smart Aging para falar sobre a importância do exercício físico e do treino de força no envelhecimento saudável.

As inscrições deverão ser efectuadas através da MAE Clinic. Contactos: 211359111 | 914308080 | geral@maeclinic.pt |

Certificação Barbell Training Specialist – Funchal e Lisboa

Será nos próximos dias 17 e 18 de Março que terei o prazer de visitar a minha bonita terra natal (Madeira) para ministrar a Certificação de Barbell Training Specialist (15 horas), pela primeira vez, com o meu irmão Nuno Correia Performance.

Em Lisboa, já realizamos a primeira edição no passado mês de Novembro e a segunda está agendada para os dias 12, 13 e 26 de Maio, novamente na The Strength Clinic em Alcântara.

Esta é uma formação pioneira em Portugal e é dirigido a profissionais do exercício e estudantes ou licenciados das áreas da Educação Física, Desporto e Saúde, que pretendam desenvolver os conhecimentos na área do treino da condição física em geral e do treino com barra olímpica em particular.

Todas as informações sobre a mesma podem ser consultadas no site da  WellXProSchool.

Até breve!