Podcast Best Training Tips – Entrevista

Hoje partilho convosco a entrevista que realizei para o podcast Best Training Tips do João Venceslau. Eu não conhecia o João mas desde logo simpatizei bastante com ele porque percebi que estamos sintonizados na nossa forma de pensar e em termos daquilo que ainda está por fazer e explorar nesta área.

Nesta entrevista falamos do meu percurso, de força (como é óbvio), de treino, de performance, daquilo que fazemos na The Strength Clinic, da programação do treino, da importância e pertinência do treino de força em doentes oncológicos (e do estudo em que colaborei), e das minhas preocupações no que diz respeito à área da Saúde e do Fitness em geral.

Este é o primeiro podcast português dedicado ao exercício / treino (parabéns ao João pela excelente iniciativa!) e espero sinceramente que venha a ser um grande sucesso.

Podem espreitar aqui o link: BTTips #8 | Pedro Correia – Treino de Força.

Espero que gostem e que passem a palavra 🙂

Até breve!

Anúncios

Porquê que a programação e supervisão é importante para obter resultados?

É muito frequente ouvir relatos de pessoas que passam horas e horas no ginásio e continuam iguais. Não perdem gordura, não ganham massa magra, não ganham força, nem melhoram a sua capacidade funcional. Simplesmente não evoluem. Também temos aqueles que apostam apenas na componente do treino de musculação tradicional para emagrecer e mesmo assim nem sempre têm resultados, independentemente da alimentação que praticam.

Então, qual é o segredo para ter resultados? A programação do treino e a supervisão profissional talvez seja mais importante do que pensa.

Neste estudo efectuado por Bea et al. (2010), os autores investigaram a associação da frequência do exercício e do volume (peso total levantado no military press e nos agachamentos) com as alterações na composição corporal em mulheres no período pós menopausa que participaram num programa de treino de força progressivo durante seis anos.

As mulheres foram divididas em três grupos: um grupo fez treino de força durante esse período, um começou a fazer treino de força passado um ano e o terceiro (grupo controle) não fez nada. Os programas de treino foram supervisionados por profissionais e envolveram estratégias motivacionais para aumentar a adesão. O programa de treino contemplava oito exercícios (baseados em pesos livres e máquinas) e foi feito três vezes por semana, de forma progressiva.

Os resultados mostraram que apenas o grupo que não fez nada (grupo controle) ganhou peso e gordura ao longo dos seis anos, sugerindo algo que todas as pessoas já deviam saber: se não for feito nada em contrário (ao nível do exercício físico e do estilo de vida em geral) a cada dia que passa vamos ficar mais gordos e mais fracos. Mas há ainda algo que eu considero mais interessante a destacar. Os autores analisaram a relação entre a gordura corporal e o aumento de carga no agachamento e verificaram que as mulheres que ganharam mais força foram as que controlaram melhor o seu peso e a sua composição corporal ao longo do tempo! Ou seja, isto significa que se você está sempre a fazer o mesmo programa, sem atender às variáveis e princípios do treino, o mais certo é a estagnação.

Portanto, o que tenho para lhe dizer é que se faz parte daquele pacote que passa horas no ginásio, entre umas máquinas, selfies e conversa com o parceiro do lado, então não estará certamente no caminho para ter bons resultados. Sei que a parte da socialização é importante e que não deve ser ignorada, simplesmente creio que deve ser bem gerida! O fulcral está em saber distinguir muito bem o que é treinar e o que é “ir ao ginásio”. A duração do treino não precisa de ser longa, precisa sim de ser adequada aos objetivos individuais e ao estilo de vida de cada pessoa. Como já referi aqui antes, mais tempo a treinar é  apenas um indicador quantitativo, não é um indicador qualitativo.

Assim, a resposta à pergunta de “qual o segredo para o sucesso?” está num conjunto de coisas que é da responsabilidade do indivíduo (como o esforço e a consistência), está em fazer os exercícios respeitando a saúde articular, está na programação inteligente do treino e, obviamente, na gestão do estilo de vida e agenda social. “Ir ao ginásio” não é sinónimo de TREINAR. Pelo menos na maioria deles.

Até breve!

Referências

Bea JW, Cussler EC, Going SB, Blew RM, Metcalfe LL, Lohman TG. Resistance Training Predicts Six-Year Body Composition Change in Postmenopausal Women. Medicine and science in sports and exercise. 2010;42(7):1286-1295. doi:10.1249/MSS.0b013e3181ca8115.

80% Nutrição e 20% Exercício. Será esta a Fórmula do Sucesso?

“Tudo o que é popular está errado”

– Oscar Wilde 

É recorrente ouvirmos no Mundo do fitness que os resultados no ginásio correspondem a uma relação de 80% nutrição e apenas 20% exercício. Algumas pessoas acreditam de tal forma nesta regra de ouro que até acham que não vale a pena “sacrificar-se” a fazer exercício. Afinal de contas é uma grande chatice ter que fazer exercício (e algum tipo de esforço físico) quando se pode ficar a navegar confortavelmente na internet a ver aquelas fotos artísticas no instagram e a escolher os ingredientes ditos saudáveis para os próximos bolos e bolinhos. O Natal está a chegar, e com ele o frio…e se a nutrição são os tais 80% se calhar o melhor é mesmo ficar em casa a fazer bolos!

Há uma célebre frase atribuída a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, bastante conhecida e que pode ser aplicada neste contexto: “A lie repeated a thousand times becomes a truth”, isto é, uma mentira repetida mil vezes torna-se a verdade. E a verdade é que quanto mais ouvimos dizer que a nutrição constitui 80% dos resultados e o exercício 20% mais convencidos ficamos que isto é verdade. Mas será mesmo assim? Permitam-me vestir a pele de cientista por um breve instante e colocar a seguinte pergunta: “onde está a evidência?”

A resposta: NÃO EXISTE!

E, na minha prática, é muito frequente ver pessoas com uma alimentação cuidada mas que ainda assim têm pouca massa muscular, excesso de gordura visceral e pouca força e capacidade funcional.

Ora bem, em primeiro lugar importa saber do que realmente estamos a falar. Qual é o contexto? Estamos a falar de Saúde, de Performance ou de Composição Corporal? Será que esta relação 80/20 é igual para os três cenários? Será que uma pessoa com problemas de saúde (que podem ir desde a saúde músculo-esquelética, neural, cardiovascular, psicológica até à saúde metabólica) deverá ter as mesmas necessidades que um indivíduo que está preocupado apenas com a sua composição corporal? Será que um atleta que quer optimizar a sua performance desportiva deverá ter a mesma preocupação em manter esta relação nutrição vs. exercício? Será que uma pessoa com  sarcopenia ou com dores articulares deverá seguir a regra de ouro dos 80/20? E que tipo de exercício físico é que estamos a falar? De baixa intensidade e alto volume? De alta intensidade e baixo volume? Com impacto? Sem impacto? Baseado em máquinas? Baseado em movimento? Será que não interessa aferir, em primeira instância, qual o estado inicial do indivíduo e quais os seus objetivos específicos?

Vamos abordar um exemplo flagrante e bastante comum: a perda de peso. Se o objetivo for apenas perder peso, normalmente é aconselhado uma dieta com restrição calórica e aí certamente que a alimentação terá um peso maior no resultado final. Mas a questão que se impõe é: será que o perder peso sem atender à sua composição, vai ajudar a melhorar a saúde e performance do indivíduo? Não interessará mais melhorar a relação massa magra vs. massa gorda? É porque se o foco for apenas na alimentação, o corpo vai ficar flácido, fraco e doente! Não creio que essa condição interesse a alguém.

Meus caros, não tenham dúvidas, tanto a nutrição como o exercício são FUNDAMENTAIS para melhorar a saúde, a performance e a composição corporal. E a extensão de cada componente irá variar de acordo com a situação em que cada pessoa se encontra e com a fase da vida em que está. Ambas são necessárias para melhorar qualquer condição. Nas situações em que os hábitos alimentares são pobres, porventura, poderá ser mais importante melhorar esse aspecto em primeiro lugar para aumentar as probabilidades de adesão; noutras situações em que os princípios básicos da alimentação estão assegurados, provavelmente será mais importante melhorar o programa de exercício e os hábitos de movimento.

Atenção, reparem no detalhe: “melhorar o programa de exercício” em vez de “fazer mais exercício”? Reparem que eu disse também “melhorar os hábitos alimentares” em vez de “fechar a boca”? A razão pela qual esta relação é relevante acontece porque estamos demasiado habituados a ouvir que o exercício nunca é demais e que comer menos é bem melhor – pensamos demasiado em termos quantitativos. Mas, na minha opinião, este raciocínio não passa de sabedoria popular! E quanto ao exercício físico, as pessoas ainda pensam nele como um mero veículo para queimar calorias e excessos alimentares, isto é reflexo de uma sociedade pouco evoluída em termos de cultura e literacia física.

Na generalidade as pessoas pensam que comem bem e que os planos de treino prescritos em massa para o tal circuito de máquinas-de-cardio são a fórmula para os resultados pretendidos. Mas quem poderá fazer essa avaliação de forma precisa e criteriosa são os profissionais de cada uma dessas áreas. Não são os curiosos do fitness e não são certamente os sucessos de instagram!

Deixem-se de merdas e TREINEM 🙂

Até breve!

Congresso Online de Fitness

confit

Congresso Online de Fitness by Bwizer

Será entre os próximos dias 26 de Março e 2 de Abril de 2017 que terá lugar aquele que será o maior Congresso Online de Fitness da Europa (organizado pela Bwizer) e no qual terei a honra de ser um dos palestrantes.

O título da minha palestra no Congresso será “Porquê que o Treino de Força é o Melhor Seguro de Saúde?” e na mesma vou abordar os seguintes tópicos: Treino Funcional e Performance; Saúde e Cultura Física; A Falta de Atividade Física como causa de Doenças Crónicas; Exercise is Medicine e a relação entre o Treino de Força e a Longevidade.

De referir que este Congresso será 100% online e 100% gratuito, estando previstas algumas surpresas para todos os participantes.

Recomendo que visitem o seguinte link Congresso Online de Fitness para realizarem a vossa inscrição e receberem todas as informações sobre este evento. Inscrevam-se que vai valer a pena, serão explorados muitos temas relevantes e estão confirmados vários palestrantes de referência!

Até breve e bons treinos 🙂

Fat Burn Boot Camp 8th Edition – Inscrições Abertas

Slide FBBC 8th Edition.002

FAT BURN BOOT CAMP 8th EDITION (24 SETEMBRO – 17 DEZEMBRO 2016, LISBOA) 

O QUE É O FAT BURN BOOT CAMP? EM QUE CONSISTE? 

O Fat Burn Boot Camp é um conceito de treino inovador que tem como objectivos queimar gordura, tonificar o corpo e aumentar os níveis de força e energia, através da aprendizagem  de movimentos funcionais e fundamentais para a sua vida (andar, agachar-se, levantar-se, empurrar, puxar, rodar, correr, saltar, lançar, etc.).

Apesar do nome “Boot Camp” poder fazer lembrar aquilo que se faz no meio militar, este evento vai ter características diferentes, uma vez que o treino e os exercícios serão adaptados à capacidade física de cada pessoa. Um dos objetivos principais é, obviamente, queimar gordura, mas mais importante que isso, é termos a certeza que vai melhorar a sua saúde e composição corporal sem comprometer a sua integridade física. Ou seja, queremos ajudá-lo(a) a alcançar esses resultados, sem que para isso tenha que saltar 500 vezes e/ou a fazer 500 flexões na mesma sessão de treino (ao estilo do que já vimos no Biggest Loser)!

O Fat Burn Boot Camp consiste na prática de treino físico em grupo com a orientação de profissionais qualificados, através da realização de exercícios funcionais com o peso corporal e outro tipo de equipamento desportivo. O tipo de treino inclui trabalho de estabilidade, mobilidade, equilíbrio, força, velocidade, potência, agilidade, core e resistência muscular, isto é, todos os atributos físicos que precisa para ter mais autonomia e maior qualidade de vida.

As sessões terão uma duração aproximada de 60 minutos e serão realizadas ao ar livre de uma forma intensa (e igualmente divertida) porque estamos conscientes que só assim é que é possível atingir os resultados que deseja. Portanto, vai ter a oportunidade de treinar bem e divertir-se ao mesmo tempo que queima gordura! Não acha espectacular?

PORQUÊ O FAT BURN BOOT CAMP E NĀO OUTRO BOOT CAMP QUALQUER? 

Além das características descritas acima, é preciso destacar que o programa de treinos que temos para si não se esgota nas sessões de treino propriamente ditas. Como um dos nossos objectivos é garantir que alcança resultados mensuráveis, não podemos ignorar aquilo que come todos os dias. Desta forma, vamos encorajá-lo(a) a fazer algumas melhorias a nível nutricional e vamos dar-lhe um programa para que possa realizar em casa durante a semana. Se não tiver pachorra para treinar sozinho(a) arranje um familiar ou amigo para treinar consigo!

Sabemos que tudo isto envolve algum esforço e disciplina (e temos noção que estas coisas podem ser difíceis de cumprir), mas acreditamos profundamente que este tipo de investimento compensa – afinal de contas aquilo que lhe estamos a oferecer é uma oportunidade para melhorar a sua qualidade de vida.

O QUE PODE ESPERAR DO PROGRAMA FAT BURN BOOT CAMP? 

  • Uma melhoria da sua saúde e condição física.
  • Uma mudança na sua composição corporal.
  • Mais energia e vigor para a vida – um regresso à sua juventude!
  • Uma dose de olhares invejosos quando for à praia.
  • Melhor tom de pele como resultado da libertação de toxinas.
  • Uma melhoria nos seus padrões de sono.
  • Uma melhoria da sua auto-estima quando olhar para o espelho.
  • Um corpo mais tonificado.
  • Uma melhoria na sua performance sexual.
  • Uma melhoria da sua qualidade de vida.

QUEM PODE PARTICIPAR? 

Todas as pessoas com idade superior a 18 anos de ambos os géneros e que não tenham qualquer problema de saúde conhecido.

NOTA IMPORTANTE: O Fat Burn Boot Camp destina-se apenas àquelas pessoas que estão seriamente comprometidas em melhorar a sua saúde e a sua condição física. Queremos sentir a sua energia positiva e o seu entusiasmo, portanto os queixinhas e os resmungões não precisam de se inscrever.

QUAIS OS LOCAIS / DATAS / HORÁRIOS? 

O Fat Burn Boot Camp terá uma duração de 13 semanas, de 24 de Setembro a 17 de Dezembro de 2016, e decorrerá todos os sábados de manhã no Parque Urbano do Jamor. Existem também alternativas (ver programas abaixo) para aqueles que não se querem comprometer com o programa de 13 semanas, no entanto, este é o programa de MELHOR VALOR e que recomendamos a todos aqueles(as) que pretendem transformar o seu corpo e a sua vida!

Vamos abrir as inscrições para dois grupos, com sessões de treino às 9h e às 10h30. O número mínimo de participantes para a realização deste Programa (por grupo) é de oito pessoas. No caso de não se verificarem inscrições suficientes, esse horário será cancelado.

COMO SE PODE INSCREVER? 

As inscrições decorrerão até ao próximo dia 19 de Setembro (segunda-feira).

Para formalizar a sua inscrição só tem que enviar um e-mail a fatburnbootcamp13@gmail.com com o seu nome, número de telefone e horário em que pretende treinar. Note que as mesmas só serão consideradas válidas após o envio do comprovativo de transferência bancária para o e-mail.

O número de vagas é limitado, pelo que recomendamos que garanta o seu espaço com a maior antecedência possível.

QUAIS OS PROGRAMAS? O QUE ESTÁ INCLUÍDO?

1) Fat Burn Boot Camp (13 sessões/13 semanas): 195€ total (65€/mês)

* Este é o programa que precisa de fazer para ver resultados significativos e para transformar o seu corpo e a sua vida. 

Horários disponíveis: 9h e 10h30

Inclui:

  • Sessão de Orientação/Avaliação
  • Uma sessão de treino em grupo por semana
  • Medição mensal do peso e perímetro de cintura
  • Aconselhamento Nutricional
  • Programa de treino para realizar em casa durante a semana
  • T-shirt oficial do evento.

2) Programa Mensal (4 sessões/4 semanas): 65€

*Para aqueles que não podem fazer o programa de 13 semanas, por motivos laborais e/ou outros. Vai notar algumas melhorias, mas nada que tenham a ver com o programa anterior. 

Inclui:

  • Uma sessão de treino em grupo por semana
  • Medição do peso e perímetro de cintura, no início e no fim do mês
  • Programa de treino para realizar em casa durante a semana

3) Sessão individual: 15€

*Para aqueles que não podem fazer nenhum dos anteriores mas que ainda assim pretendem experimentar uma sessão de treino completamente diferente daquilo que estão habituados. 

NOTA: Para as pessoas que têm objetivos mais específicos e que pretendem progredir de uma forma mais rápida, existe uma opção para aconselhamento personalizado, que está disponível através de consulta. Entre em contacto connosco para saber mais detalhes.

COMO SE PROCESSAM OS PAGAMENTOS? 

O pagamento deverá ser efectuado por transferência bancária para o NIB 0065 0922 00114720000 71, com a indicação do serviço/programa que pretende.

No caso do programa de 13 semanas, os pagamentos devem ser efectuados mensalmente (65€/mês) até o dia 15 do mês de Outubro e Novembro. No primeiro mês (Setembro), o pagamento deverá acontecer juntamente com a inscrição.

No caso do programa de 4 semanas, o pagamento de 65€ deverá ser efectuado previamente aquando do momento da inscrição. Precisará de confirmar connosco o dia em que pretende iniciar o Programa mas tenha em conta que este deverá ser realizado em quatro semanas seguidas.

No caso das sessões individuais, o pagamento de 15€ deverá ser efectuado previamente aquando do momento da inscrição. Precisará de confirmar connosco o dia em que pretende realizar o treino.

NOTA 1: Tendo em conta os objetivos do programa e a limitação de lugares, vamos dar prioridade às pessoas que se inscreverem para o programa completo de 13 sessões.

NOTA 2: Os participantes são responsáveis por enviar o comprovativo de pagamento até à(s) data(s) indicadas para  o e-mail fatburnbootcamp13@gmail.com.

QUE EQUIPAMENTO DEVO LEVAR? 

Recomendamos que traga roupa desportiva, uma toalha (para não sujar o banco do seu carro quando for para casa) e, muito importante, uma garrafa de água. O nosso corpo e tecido cerebral são compostos por mais de 75% de água e o tipo de treino que vai fazer requer que se hidrate com alguma frequência. Portanto, TRAGA ÁGUA!

PROOFISSIONAIS RESPONSÁVEIS

Pedro Correia (https://www.facebook.com/pedrocorreiatraining/)

Nuno Correia (https://www.facebook.com/NunoCorreiaPerformance/)

Gil Delgado (https://www.facebook.com/gil.delgado.5?fref=ts)

Hugo Falcão (https://www.facebook.com/hugo.falcao.52?fref=ts)

Catarina Roquete (https://www.facebook.com/saudecomovimento/?fref=ts)

CONTACTOS

Web: http://fatburnbootcamp.com/

Facebook: https://www.facebook.com/fatburnbootcamp

E-mail: fatburnbootcamp13@gmail.com

OUTROS ASSUNTOS

A organização reserva o direito de alterar ou modificar quaisquer regras, assim como locais e/ou datas, em casos de extrema necessidade, de modo a não pôr em causa a segurança dos participantes.

Torneio de Iniciação Halterofilismo

13393032_10156986257330383_2108065668_n

No passado dia 4 de Junho participei no Torneio de Iniciação no Halterofilismo, que decorreu no Ginásio Atlético Clube, na Baixa da Banheira. Tenho vindo a praticar esta modalidade um pouco mais a sério há cerca de cinco meses e confesso que o desafio está a ser bastante exigente.

Apesar de não ter conseguido fazer as marcas que queria, consegui fazer as minhas melhores marcas (75kg no Snatch e 105kg no Clean & Jerk) e a qualificação para o Campeonato Nacional no próximo dia 2 de Julho. Enfim, preciso de continuar a trabalhar na técnica e de ganhar mais confiança debaixo da barra nos próximos tempos.

Ainda assim, neste Torneio, consegui o terceiro lugar na minha categoria e a minha primeira medalha :).

Até breve!

 

Sete coisas que aprendi com o Mark Rippetoe

IMG_4466

Estes últimos dias estive nos EUA para aprender um pouco mais sobre aquele que considero um dos melhores modelos para o treino de força, o Starting Strength Model. Finalmente, tive o privilégio de conhecer o Mark Rippetoe, uma referência mundial no que diz respeito ao treino de força e provavelmente uma das pessoas que mais sabe e tem publicado sobre a matéria.

Além do seu amplo conhecimento (teórico e prático) sobre a força, é de destacar também a sua paixão quando ele fala destes assuntos e a forma pouco habitual como ele aborda os conteúdos – o seu carácter (com algum humor negro à mistura) é algo de singular nesta indústria. O homem não podia ser mais autêntico.

Numa tentativa de partilhar um pouco daquilo que foi abordado ao longo destes últimos dias, vamos então às sete coisas que aprendi com o Mark Rippetoe:

1) A importância de ter um Modelo para a Força

Uma das coisas que mais me fascinou sobre o modelo Starting Strength foi a forma como ele está organizado e estruturado. Os livros Starting Strength Basic Barbell Training e Practical Programming for Strength Training estão certamente entre os melhores livros que já li sobre a matéria, e eu não conheço nenhum livro tão detalhado como o primeiro a explicar as razões pelas quais os movimentos principais são feitos de uma determinada maneira e não de outra ou outras para o desenvolvimento de força.

Os movimentos a que me refiro são o Agachamento, o Peso Morto, o Bench Press, o Press e o Power Clean. Todo o racional por detrás destes movimentos assentam em bases sólidas de biomecânica, biologia, física, fisiologia e anatomia humana. É, portanto, muito difícil refutar (de forma construtiva) contra argumentos baseados nestas ciências.

Os critérios para a inclusão destes movimentos neste modelo assentam nos seguintes pontos: 1) utilizar a maior quantidade de massa muscular; 2) utilizar uma amplitude de movimento mais eficiente; 3) levantar a maior quantidade de peso na barra e 4) ficar mais forte.

Se você tem um interesse genuíno em ficar mais forte e, por consequência, mais apto, deixe-me dar um conselho: aprenda a fazer bem estes movimentos. Ah e “mais forte” significa isso mesmo “mais forte”, ser capaz de produzir mais força contra uma resistência externa. Por favor não associe este termo à imagem das mulheres e homens musculados que vê nos concursos de culturismo e que passam horas e horas diárias a fazer exercícios por cada gupo muscular. Ou seja, “mais forte” não é sinónimo de “grande”.

2) A importância da execução técnica dos Movimentos

A maioria das pessoas pensa que basta saber os nomes dos exercícios para depois fazê-los em casa ou no ginásio sem qualquer tipo de feedback de alguém que perceba do assunto (i.e. um treinador habilitado para tal). O procedimento normal quando têm dúvidas é procurar na internet por fotos ou vídeos dos exercícios e/ou perguntar a algum guru da internet a forma como se devem fazer os exercícios. É verdade que isto até pode funcionar para algumas pessoas (e isto até é bom) mas é preciso ter consciência que se você não tiver qualquer tipo de feedback assertivo, você pode também estar a desenvolver padrões de movimento menos eficientes que, mais tarde, ficam mais difíceis de corrigir – um movimento mal exectuado repetido muitas vezes nunca se vai tornar eficiente. Isto pode acontecer num swing de golfe, num serviço no ténis ou num dos movimentos básicos para treinar a força. Se você só faz exercícios típicos de culturista a margem de erro é muito menor já que você só está a trabalhar um determinado grupo muscular.

Deixe-me dizer-lhe mais uma coisa, a maioria das pessoas presentes neste seminário eram treinadores com alguma experiência, todos já conheciam e praticavam os movimentos da forma que estava descrita no livro e não havia um que não precisasse de melhorar vários aspectos desses movimentos. Todos nós tínhamos aspectos a melhorar e era para isso que lá estávamos, para identificarmos as nossas limitações, para tirarmos algumas dúvidas e para otimizarmos a mecânica dos movimentos.

Portanto, este ponto só interessa àqueles que treinam e que pretendem maximizar a sua performance, aqueles que só fazem exercício físico não precisam de se preocupar com isto (no ponto 4 explico as diferenças).

3) A importância de ter um BOM Treinador 

Se você procura qualidade e excelência de serviços, procure por profissionais dedicados que investem o seu tempo na aprendizagem de novos conhecimentos, na sua formação contínua e que tenham experiência a treinar pessoas. Hoje em dia existem muitos “instrutores” que tiram cursos de fim de semana e que ficam quase que automaticamente habilitados a treinar pessoas. Tenha cuidado com isso, é o seu corpo que está em jogo.

O bom treinador não é necessariamente aquele que tem mais títulos ou mais letras à frente do nome, o bom treinador é aquele que ajuda os seus clientes/atletas a atingir os resultados que eles pretendem e que compreende aquilo que eles estão a sentir. Por outras palavras, um treinador não tem apenas que observar, analisar e avaliar a progressão do seu atleta, mas também tem que treinar – como é que ele pode perceber o que o seu atleta está a sentir se ele (treinador) não faz o mesmo? Não é só nos livros que está o conhecimento, debaixo da barra também se estuda!

Obviamente que a educação do treinador é importante, mas a verdade é que a mesma não serve de muito se não houver uma aplicação sustentada desse conhecimento. E é nesse contexto que surge a experiência, a experiência que ganhamos a treinar pessoas – é este mecanismo de retroalimentação que, bem utilizado, nos pode elevar para a excelência ou que, mal utilizado, nos pode empurrar para a mediocridade. Um bom treinador é aquele que consegue ensinar e corrigir cada pessoa da forma que ela mais precisa naquele momento, isto pode acontecer através de estímulos visuais, estímulos auditivos e/ou estímulos tácteis.

Todas as pessoas aprendem de forma diferente e é por este motivo que eu tenho alguma dificuldade em perceber a lógica de treinar pessoas pela internet e de “passar receitas” sem conhecer a pessoa e sem conhecer o seu perfil de movimento.

4) Exercício e Treino são duas coisas diferentes

Quem me segue há algum tempo, já deve estar farto de me ouvir a dizer isto: muita gente faz exercício físico, pouca gente treina. Vamos lá distinguir os conceitos, mais uma vez.

Exercício físico pode ser caracterizado como um evento que produz os efeitos desejados no mesmo dia, ou seja, este tipo de atividade é realizado com o objetivo de induzir um stress que satisfaz as necessidades imediatas do indivíduo (exemplos: queimar calorias, transpirar, alongar os músculos ou mesmo vomitar – não riam, eu asseguro-vos que isto também acontece). Isto pode ser conseguido através de caminhadas, de aulas de grupo  ou de um WOD no CrossFit.

Treino é um processo que tem como objetivo criar adaptações gerais e/ou específicas a médio ou longo prazo, dependendo do nível a que está cada pessoa. O treino envolve programação, organização e um nível de planeamento que nada tem a ver com o exercício físico. As sessões de treino (i.e. o stress aplicado) são efectuadas com um objetivo mais sério em mente. Quando falamos de treino o objetivo é a progressão, a melhoria de capacidades físicas e mentais com vista à maximização do potencial de cada indivíduo.

Em suma, se você não tem objetivos específicos e vai ao ginásio para fazer apenas treino de manutenção (seja lá isso o que for), você não precisa de treinar.

5) Para treinar a Força é preciso levantar pesos pesados

Pessoal não há hipótese (mesmo!), os músculos não crescem do ar e não crescem certamente a levantar pesos em miniatura. Se vocês não acreditam em mim, olhem para as pessoas que vão ao ginásio e que não fazem outra coisa senão aulas de grupo, passadeira ou alguns exercícios com essa classe de “objetos leves” – elas nunca ficam mais fortes! É impossível ficar mais forte quando o princípio da sobrecarga é ignorado. Ou seja, se você está sempre a utilizar as mesmas cargas (i.e. o mesmo stress), você nunca vai dar a oportunidade ao seu corpo para gerar novas adaptações, e isto em termos práticos significa que você nunca vai obter resultados diferentes. Aliás, você até vai acabar por regredir porque o seu corpo vai estar sempre a fazer a mesma coisa – já percebeu porquê que treino de manutenção é, no mínimo, um conceito dúbio?.

Para ficar mais forte, é preciso fazer força, é preciso carga, é preciso intensidade, é preciso treinar de forma inteligente e realizar movimentos que utilizem grandes quantidades de massa muscular, se você vai para o ginásio socializar, passar o tempo e falar dos problemas do país, você ainda não percebeu a importância que o aumento de força e de massa muscular podem ter na sua saúde e longevidade.

Permitam-me aqui fazer um pequeno parêntesis: há muitos anos atrás, penso que ainda nos tempos dos meus pais, os ginásios eram locais educativos, com espaço e tinham como propósito tornar as pessoas mais independentes, mais fortes e mais aptas. As pessoas iam a esses sítios para aprender movimentos e para treinar. Hoje em dia é quase impossível isso acontecer, além dos ginásios estarem sobrecarregados de máquinas, muitas delas inúteis, são poucas as pessoas que lá vão com um propósito de melhorar as suas competências físicas – honestamente não sei até que ponto este conceito de health club que todos nós conhecemos trouxe mais ou menos benefícios.

No que à força diz respeito, se você ainda tem dúvidas sobre a intensidade com que deve fazer os movimentos, tenha presente o seguinte: se você estiver a fazer uma série de Peso Morto e é capaz de estar a falar a meio da série, é porque você não está a treinar com intensidade suficiente. Para treinar a força de forma adequada o enfoque deve ser poucas repetições, cargas pesadas e um tempo de descanso relativamente grande entre séries (mínimo 3 minutos).

6) A Força é a fundação para a melhoria da performance 

Uma pessoa / atleta mais forte terá sempre mais vantagens que uma pessoa / atleta mais fraco. A força é a base para o desenvolvimento das outras capacidades atléticas (equilíbrio, velocidade, potência, endurance, agilidade). A partir do momento que estamos em contacto com o solo temos que produzir força contra a ação da gravidade para nos mantermos em pé. Ao contrário da potência, que depende em grande parte da nossa genética e da eficiência do sistema neuromuscular, a força é a capacidade mais “treinável” de que dispomos e a vantagem é que esta pode ser melhorada durante décadas.

A força é, portanto, uma habilidade, que pode ser treinada durante a vida toda e a verdade é que é esta habilidade que mais vamos precisar até ao fim das nossas vidas. Com o avançar da idade é natural assistirmos a um declínio da força, isto acontece porque há uma diminuição da função endócrina, porque temos uma ou outra lesão que nos vai condicionar a fazer algumas coisas e porque tornamo-nos cada vez mais sedentários à medida que envelhecemos. Daí a razão pela qual os nossos pais e avós precisam de começar a levantar pesos. Fazer caminhadas não é suficiente. Fazer treino em cima de superficies instáveis para ajudar no equilibrio é uma perda de tempo. O equilíbrio não é nada mais que a capacidade para controlar o nosso centro de massa, e isso é perfeitamente alcançável com o treino de força.

Mesmo para os desportistas que fazem desportos de endurance, o treino de força é muito importante. O endurance pode ser classificado como uma série de contrações sub-máximas repetidas muitas vezes. Ou seja, um ciclista que é capaz de exercer mais força em cada contração sub-máxima, terá maiores hipóteses de percorrer uma determinada distância em menos tempo. Por esta ordem de ideias, se melhorarmos a força absoluta deste atleta (num agachamento por exemplo) ele será capaz também de aumentar a velocidade e de ganhar mais distância em cada pedalada.

7) O Treino de Força na prevenção e tratamento de doenças

Apesar de não ter sido este o foco principal do seminário, acho que é importante destacar o papel cada vez mais relevante que o treino de força tem assumido na prevenção e tratamento de doenças metabólicas e ortopédicas.

Hoje em dia já existe muita evidência científica e estudos de intervenção a reportar resultados muito interessantes com a aplicação do treino de força (ou resistência muscular) para doentes cardíacos, para diabéticos, para pessoas com hipertensão, osteoporose, cancro, para pessoas com doenças cognitivas, etc. Mesmo para pessoas que sofrem de dores crónicas o treino de força (quando bem aplicado) pode ser a única forma de atenuar esses síntomas.

Este aspecto do treino de força, aliado ao aumento da longevidade, é um dos aspectos que mais me motiva a fazer aquilo que faço hoje em dia e aquele que considero que tem maior potencial para fazer parte de uma abordagem integrada de promoção da saúde e do bem estar físico e emocional. A saúde é muito mais que a ausência de doença e é isto que os médicos precisam de compreender para aconselharem melhor os seus pacientes. O dia para as pessoas doentes ou obesas receberem uma dose de agachamentos semanais, em vez de uma data de medicamentos para baixar a tensão arterial ou o colesterol, já esteve mais longe.

Resumindo este post em poucas palavras e porque o mesmo acabou por ser mais longo do que imaginava, o treino de força deve ser das melhores coisas que temos à nossa disposição para: 1) melhorar a performance; 2) aumentar a longevidade e 3) prevenir e TRATAR doenças.

Até breve!